Manifestação e ação judicial tentam barrar corte de gameleiras em Goiânia
Moradores questionam laudos da Amma, enquanto o órgão afirma que duas árvores apresentam risco e precisam ser substituídas
O Grupo Goiânia Verde organizou uma manifestação na manhã do último domingo (30/8) pedindo que a Prefeitura de Goiânia não derrube as gameleiras da Praça Mestre Maria Henriqueta Peclat, conhecida popularmente como Praça da Cirrose pela densidade de bares, no Setor Oeste. Duas gameleiras do local passaram por três laudos técnicos da Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma), documento oficial que avalia a saúde e os riscos de uma árvore para determinar a necessidade de poda ou corte completo. Em abril de 2026, entretanto, uma vistoria reconheceu a estabilidade das árvores.
As árvores, localizadas em frente à Rua 4, nº 198, são a marca do local há 68 anos e influenciam diretamente na climatização, servindo de sombra para os bares e prédios da região. Conforme Luiz Gonzaga, dentista morador da região que faz parte do Grupo Goiânia Verde há aproximadamente seis meses, as gameleiras representam para os moradores um símbolo de resistência da natureza.
“Essas gameleiras representam pra gente a preservação do verde, o sombreamento e a biodiversidade local. Todo um aspecto ambiental envolvido. A gente quer políticas públicas de manutenção dessas árvores, não essas podas drásticas para dar lugar aos empreendimentos verticais. Na frente de cada prédio que estão lançando, eles estão removendo todas as árvores. Isso está em Goiânia inteira, por isso a gente está se mobilizando e protegendo o nosso clima”, diz Luiz.
Segundo o morador, o grupo soube que as gameleiras seriam derrubadas após a publicação de um vídeo no Instagram pelo vereador Tião Peixoto (PSDB), no dia 8 de agosto, defendendo a derrubada das árvores que, segundo ele, estariam comprometendo a segurança do local. Ainda conforme o morador, o grupo entrou com uma ação no Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) na última quinta-feira (27), solicitando a paralisação dos cortes.
A vereadora Kátia (PT), presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal de Goiânia, protocolou, nesta segunda-feira (31), representação junto ao Ministério Público de Goiás (MPGO) para impedir qualquer corte, supressão ou poda drástica das quatro gameleiras até que uma perícia técnica independente seja realizada. Para a parlamentar, o núcleo da questão é o fato de a própria Prefeitura ter produzido laudos com conclusões divergentes sobre as mesmas árvores.
O que diz a Amma
Conforme nota enviada ao jornal O HOJE pela Amma, das quatro gameleiras presentes no local, duas estão em estado crítico, comprometendo a segurança da via, o que torna necessária sua substituição. Além disso, a Amma destaca que o estado crítico das árvores também é fruto de incêndios criminosos ocorridos no ponto.
“Foi recomendada a substituição de dois exemplares de Ficus [gameleira], enquanto, para os outros dois, foi recomendada a poda de rebaixamento de copa e a retirada de galhos localizados sobre o imóvel. Como compensação ambiental pela retirada dos dois exemplares, o requerente do processo, proprietário do imóvel lindeiro à calçada que solicitou a vistoria, deverá plantar e manter duas árvores no local”, declarou em nota.
Segundo a Amma, galhos soltos frequentemente causam danos a veículos estacionados nas proximidades, o que resulta em processos e pedidos de ressarcimento recorrentes. “A situação demonstrou que a poda já não seria uma alternativa viável, uma vez que o problema estava concentrado nos troncos, e a poda das copas não solucionaria a questão”, finaliza a nota.
A contradição
Goiânia recebeu, em 2023, o título de Cidade Arborizada do Mundo, concedido pela Organização das Nações Unidas (ONU). Para alcançar o reconhecimento do programa, lançado em 2019, o município precisa demonstrar compromisso com a preservação de árvores e com a gestão ambiental, voltada à promoção das áreas verdes urbanas. Entretanto, a remoção de árvores em Goiânia tem sido motivo de discussões entre moradores e o poder público, convivendo com um cenário de temperaturas que podem chegar a 38°C e umidade relativa em torno de 12%, segundo previsão do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo) para as próximas semanas.
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