Ator Gracindo Jr. morre aos 83 anos no Rio de Janeiro
Filho de Paulo Gracindo, artista teve uma carreira de mais de cinco décadas no teatro, rádio, cinema e televisão
O ator e diretor Gracindo Jr. morreu na manhã desta quarta-feira (2), aos 83 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pelo filho, Pedro Gracindo. A causa da morte não foi divulgada.
Nascido Epaminondas Xavier Gracindo, o artista construiu uma trajetória de mais de cinco décadas na dramaturgia. Ao longo da carreira, trabalhou no teatro, na televisão, no rádio e no cinema. Ele também foi diretor e integrou produções importantes da televisão brasileira.
Filho do ator Paulo Gracindo, Gracindo Jr. participou da inauguração da TV Globo, em 1965. Antes mesmo de a emissora entrar no ar, ele já fazia parte do quadro de contratados. Em entrevista ao Memória Globo, afirmou: “Eu entrei no início da TV Globo. Ela estreia em abril de 1965, mas em dezembro de 1964 eu já estava contratado”.
Gracindo Jr. começou no rádio ainda adolescente
A relação do ator com a arte começou antes da televisão. Aos 15 anos, em 1959, ele fez um teste para trabalhar na Rádio Nacional, emissora em que seu pai vivia um momento de destaque. No rádio, atuou como ator, redator e disc-jóquei.
Gracindo Jr. também chegou a cursar Psicologia, mas não seguiu carreira na área. Paralelamente ao trabalho no rádio, iniciou sua trajetória no teatro. Em 1961, participou da montagem de “A Escada”, de Oswald de Andrade, ao lado de Rubens Corrêa e Ivan Albuquerque.
Durante a ditadura militar, o artista, que era militante do Partido Comunista, foi cassado em 1964. A medida também atingiu outros artistas, como Dias Gomes e Mário Lago, e impediu Gracindo Jr. de trabalhar no rádio.
Naquele período, ele já havia trabalhado em emissoras como TV Rio, TV Excelsior e TV Tupi.
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Artista participou de novelas marcantes
Nos primeiros anos da Globo, Gracindo Jr. integrou o elenco de novelas como “Rosinha do Sobrado” (1965), uma das primeiras produções da emissora, “Padre Tião” (1966), “A Rainha Louca” (1967), “A Próxima Atração” (1970), “Os Ossos do Barão” (1973) e “Supermanoela” (1974).
O ator também contracenou com o pai em “Os Ossos do Barão” e “O Bem-Amado”. A parceria entre os dois ganhou outro destaque em “O Casarão”, exibida em 1976.
Na novela escrita por Lauro César Muniz, Gracindo Jr. interpretou o pintor João Maciel na fase jovem do personagem. Paulo Gracindo, por sua vez, viveu João Maciel em uma etapa posterior da história.
O trabalho foi um dos principais momentos da carreira televisiva de Gracindo Jr. Ao recordar a produção, o ator destacou a importância dos personagens da trama: “Eram atores eminentemente de teatro, todos quase, e cada personagem tinha uma função. Eram personagens todos muito importantes, não existiam coadjuvantes, todos eram protagonistas. Eu vejo ‘O Casarão’ assim”.
Além de “O Casarão”, Gracindo Jr. também trabalhou em produções como “O Salvador da Pátria”, “Celebridade” e “Rei Davi”.
Gracindo Jr. deixa a mulher, Daisy Poli, os filhos Gabriel, Pedro e Daniela Duarte, esta última fruto de seu relacionamento com a atriz Débora Duarte, além dos netos.
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