“É como se ele tivesse morrido novamente”, diz irmã de Delson Carlos após revogação da prisão da suspeita pelo crime em Goiânia
Em entrevista exclusiva ao O HOJE, Terezinha Lima Mesquita afirma que a família foi surpreendida pela decisão do TJ-GO e diz que parentes vão se mobilizar para tentar reverter a medida
A família do jornalista Delson Carlos Henrique de Lima Barros, de 52 anos, recebeu com surpresa e tristeza a decisão que revogou a prisão preventiva da dentista Renata de Almeida Pedreira e Sousa, de 56 anos, acusada de matar o jornalista a facadas em julho, em Goiânia. Irmã da vítima, Terezinha Lima Mesquita afirmou ao O HOJE que a notícia provocou uma sensação de reviver a perda.
“É como se a gente tivesse recebido a notícia que ele morreu novamente”, disse Terezinha. Segundo ela, a família não esperava que Renata deixasse a prisão neste momento. “A gente estava ciente de que ela não ia sair tão cedo”, afirmou.
A 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) concedeu, por unanimidade, o habeas corpus apresentado pela defesa e revogou a prisão preventiva de Renata. A decisão ocorreu no julgamento do mérito do pedido. Com isso, a dentista poderá responder ao processo em liberdade, mediante medidas cautelares determinadas pela Justiça. Entre elas estão o uso de tornozeleira eletrônica e restrições de deslocamento e permanência, conforme informações divulgadas após a decisão.
Família diz que vai buscar reversão da decisão
Para Terezinha, a decisão judicial foi recebida com indignação. Ela afirmou que os familiares pretendem se organizar para tentar reverter a medida e realizar uma mobilização em defesa do que considera ser a responsabilização pela morte do irmão.
“Com certeza. A gente não vai ficar de braços cruzados, não”, declarou.
A irmã afirmou ainda que pretende reunir parentes e amigos e viajar para Goiânia, caso seja necessário acompanhar os próximos passos do processo. Segundo ela, uma outra irmã de Delson mora em Brasília e também deverá participar da mobilização.
“Caso precisar, eu vou, porque a gente vai organizar uma mobilização, com os parentes, com os amigos”, disse.
A defesa de Renata, por sua vez, sustentou no habeas corpus argumentos como a ausência de condenações criminais anteriores, residência fixa e a possibilidade de substituição da prisão por medidas cautelares. A Justiça acatou o pedido para que a prisão preventiva fosse substituída.
A decisão, no entanto, não encerra o processo nem representa absolvição da acusada. Renata se tornou ré em agosto, depois que a Justiça recebeu a denúncia do Ministério Público de Goiás. A ação penal segue em tramitação.
Irmã afirma que Delson e Renata estavam afastados
Durante a entrevista, Terezinha também contestou informações que circularam sobre a relação entre o irmão e Renata. Segundo ela, os dois tinham sido amigos, mas estavam afastados havia meses.
“Ele estava com seis meses que não falava com ela”, afirmou.
Terezinha contou que conversava diariamente com Delson e que ele teria relatado que pretendia deixar o apartamento onde morava. O imóvel pertencia a Renata, que, segundo investigações divulgadas pela Polícia Civil, havia solicitado que o jornalista desocupasse o local.
“Eu perguntava: ‘E aí, Delson? Quando é que tu vai te mudar?’.[sic]. Ele disse: ‘Breve’. Mas ele estava passando por um momento muito difícil”, relatou Terezinha.
Ainda segundo Terezinha, o irmão teria contado que Renata aparecia de forma inesperada e que os dois tinham uma relação marcada por períodos de afastamento. Ela disse que não conhecia pessoalmente a dentista e que só tinha contato indireto com ela por meio de Delson.
As circunstâncias do encontro no dia do crime, porém, são objeto da investigação e do processo judicial.
Leia também:
Crime aconteceu em julho no Setor Bueno
Delson foi morto na noite de 24 de julho, dentro do apartamento onde morava, no Setor Bueno, em Goiânia. Renata foi presa em flagrante e, posteriormente, teve a prisão convertida em preventiva.
Segundo a investigação da Polícia Civil, o desentendimento que antecedeu a morte teve relação com a permanência do jornalista no imóvel. O delegado responsável pelo caso afirmou que testemunhas relataram que Renata pretendia reaver o apartamento.
A denúncia recebida pela Justiça aponta Renata como acusada de matar Delson e também de ferir Márcia Maria Carolly, que estava no imóvel no momento do crime. Com o recebimento da denúncia, a acusada passou a responder formalmente à ação penal.
No dia do homicídio, Renata permaneceu dentro do apartamento após o ataque. A ocorrência exigiu a atuação de uma equipe do Batalhão de Operações Especiais (Bope), que realizou o gerenciamento da crise antes da prisão.
Para Terezinha, a mudança na situação prisional da acusada aumenta a necessidade de atenção ao andamento do processo.
“Se existir justiça mesmo, ela vai voltar [para a prisão], com a glória de Deus”, afirmou.
Apesar da decisão que revogou a prisão preventiva, Renata continua sendo processada pela Justiça e deverá cumprir as medidas cautelares impostas enquanto o caso segue em tramitação.
Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.