Pisa 2025 mostra avanço na educação brasileira; Goiás tem 2º melhor ensino médio do país no Ideb
SINTEGO avalia resultados do Pisa e do Ideb e destaca papel dos professores na melhoria da educação
O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), responsável por avaliar estudantes de 15 anos a cada três anos em leitura, matemática e ciências, foi divulgado nesta terça-feira (8) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
A educação brasileira mostrou melhora quando comparada aos anos anteriores, mas ainda está abaixo das médias internacionais. O Brasil obteve 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. Os três resultados ficaram abaixo da média da OCDE, que foi de 466, 469 e 486, respectivamente. Por outro lado, historicamente o país vem aumentando os índices: a diferença caiu 44 pontos em leitura, 39 em matemática e 36 em ciências, em comparação aos dados de 2006.
A vereadora Ludmylla Morais (PT), presidenta em exercício do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), destaca que os parâmetros internacionais usados pelo Pisa devem ser vistos com uma leitura ampla, comparando dados do próprio estado para reconhecer avanços. “De repente, eu pego um parâmetro de um país que está muito distante de nós na prioridade da educação. É claro que nós vamos estar distantes. Saber se nós avançamos em relação a nós mesmos é muito mais significativo numa avaliação. E isso é deixar de pensar numa perspectiva igualitária para pensar numa perspectiva de equidade”, afirma.
O Pisa não divulga resultados por estado, ficando restrito aos dados nacionais. Um dos dados mostra a desigualdade entre rede pública e privada no Brasil. Na edição de 2019, o desempenho isolado das escolas particulares de elite colocaria o país na 5ª posição do ranking mundial de leitura, ao lado da Estônia. Já o resultado das escolas públicas ficaria 60 posições abaixo, na 65ª colocação entre 79 países, segundo levantamento do Instituto de Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede). Os dados referentes às escolas particulares e públicas da edição de 2025 ainda não foram divulgados.
Ideb aponta Goiás entre os melhores em ensino médio
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025 no dia 5 de agosto deste ano. Goiás alcançou nota 5,0 de 10,0 no ensino médio da rede estadual, a segunda melhor do país, atrás apenas do Paraná, que teve resultado de 5,1. O estado também obteve 6,5 nos anos iniciais e 5,7 nos anos finais do ensino fundamental.
Ao falar sobre o Ideb, Ludmylla destaca a importância dos professores no processo de melhora da qualidade da educação. “Nós temos um número alto de professores e professoras, sobretudo nessas áreas de conhecimento avaliadas pelo Pisa, que são mestres e doutores. Isso, incontestavelmente, é fruto do trabalho desses profissionais junto aos nossos estudantes. Eu vejo que é uma somatória da gestão da educação a nível nacional e do trabalho docente na rede estadual do nosso estado”, afirma.
Mundo digital e uso de celular em sala de aula
O Pisa 2025 foi a primeira edição a avaliar a “Aprendizagem no Mundo Digital”, domínio responsável por medir a capacidade dos estudantes de resolver problemas com auxílio de programas de computador. O Brasil pontuou 406 pontos, contra uma média de 500 da OCDE. A tecnologia também é analisada nos dados sobre uso do celular em sala de aula.
Segundo a última edição, 81% dos estudantes brasileiros avaliados frequentavam escolas que restringem o uso do aparelho, um crescimento expressivo em relação a 2022, quando apenas 37% dos alunos frequentavam escolas com esse tipo de restrição. A mudança é consequência da Lei nº 15.100/2025, responsável por regular o uso de eletrônicos na educação básica em todo o país.
Goiás foi um dos pioneiros na lei
A regulamentação em Goiás foi aprovada pelo Conselho Estadual de Educação (CEE) no dia 4 de fevereiro de 2025, menos de um mês depois da sanção da lei federal, em 13 de janeiro do mesmo ano. A norma deu 180 dias para as escolas públicas e privadas ajustarem os regimentos. Já a regra prática valia desde o início: os celulares deveriam permanecer desligados e dentro da mochila durante as aulas, sendo usados apenas para fins pedagógicos e de acessibilidade.
No dia 7 de fevereiro, a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) publicou a Portaria nº 128/2025, com orientações específicas para as 2.320 escolas da rede estadual, que entraram em vigor no início do ano letivo, em 10 de fevereiro. Goiás já tinha, inclusive, a Lei Estadual nº 16.993, sancionada em 10 de maio de 2010, que restringia o uso de celular em salas de aula na rede pública estadual.
Ludmylla Morais destaca os impactos positivos dessa política pública na educação, que estimula a interação entre aluno e professor. “A ação de retirar o celular desse período escolar, na minha avaliação, é extremamente positiva. Ainda é muito cedo para avaliarmos todos os impactos, mas só o fato de o estudante se desconectar desse movimento instantâneo por um período ao longo do dia já é saudável. O fato de agora eu ter que interagir com o professor, com a professora, interagir com os meus colegas reais que estão aqui do meu lado, isso por si só já é um avanço muito grande e necessário”, afirma.
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