Raio-X volta a ser problema na rede de saúde de Goiânia
Mesmo após contrato de R$ 7,8 milhões ao ano para regularizar o serviço, unidades ainda têm exames suspensos ou restritos
Após a Prefeitura de Goiânia anunciar a regularização do serviço de raio-X e contratar uma empresa por cerca de R$ 7,8 milhões anuais em junho deste ano, unidades da rede municipal ainda registram exames suspensos ou restritos. Nesta terça-feira (8), o atendimento foi retomado na UPA Noroeste, mas o Cais Cândida de Morais permanece sem o serviço devido a reformas, enquanto a UPA Itaipu está temporariamente sem atendimento por causa da licença médica do profissional escalado para o plantão.
A SMS informou que o contrato vigente para o serviço de raio-X prevê a manutenção e o reparo dos equipamentos existentes, além da substituição dos aparelhos quando houver constatação técnica de que não é possível recuperá-los. Segundo a secretraria, a reestruturação também inclui reformas e adequações nas salas, com intervenções na rede elétrica, pintura e outros ajustes necessários ao funcionamento dos equipamentos.
As reformas ocorrem de forma gradual e começaram pela UPA Chácara do Governador. Segundo a SMS, as intervenções já foram realizadas na UPA Novo Mundo e avançaram para o Cais Cândida de Morais, com previsão de conclusão ainda nesta semana, e a UPA Noroeste, onde o serviço foi restabelecido na manhã desta terça-feira.
Com a retomada na UPA Noroeste, o raio-X funciona nesta terça-feira na UPA Novo Mundo, UPA Chácara do Governador, UPA Jardim América, UPA Noroeste, Cais Vila Nova, Cais Finsocial, Cais Campinas e Ciams Urias Magalhães. No Cais Cândida de Morais, o serviço permanece temporariamente suspenso devido às reformas.
Na UPA Itaipu, a interrupção ocorre devido à licença médica do profissional escalado para o plantão. Pacientes relataram ao O HOJE dificuldades para obter esclarecimentos sobre a situação do atendimento, além de demora no serviço e da necessidade de deslocamento para outras unidades para realizar os exames. Segundo a SMS, o atendimento será retomado normalmente nesta quarta-feira (9).
No Cais Bairro Goiá, a secretaria informou que são realizadas adequações na rede elétrica para possibilitar a instalação e o funcionamento de um aparelho de raio-X. As intervenções estão em fase final.
A situação do serviço já havia sido questionada em maio de 2026. Naquele período, sete das 11 salas de radiologia do município funcionavam regularmente, enquanto pacientes relataram dificuldades para realizar exames e obter laudos. Na ocasião, o secretário de Saúde, Luiz Pellizzer, anunciou um novo contrato com previsão de agilizar a manutenção dos equipamentos e ampliar a oferta de raio-X para até 17 unidades.
Em junho, a SMS contratou uma empresa especializada em radiologia digital por cerca de R$ 7,8 milhões ao ano. O contrato estabeleceu prazo de 30 dias para a adequação dos serviços. Após o período previsto, unidades da rede municipal ainda apresentaram suspensão ou restrição na oferta de exames.
A SMS informou que o contrato atual não se restringe à substituição de aparelhos. A manutenção, os reparos e as adequações estruturais fazem parte das medidas previstas para a reestruturação do serviço.
Além das condições dos equipamentos e das salas, a disponibilidade de profissionais interfere na organização das escalas de radiologia. Segundo a secretaria, a rede municipal conta atualmente com 103 técnicos em radiologia, entre servidores efetivos e credenciados. Um novo processo de credenciamento está em andamento e prevê a contratação de mais 40 profissionais. A medida, segundo a pasta, permitirá ampliar e recompor as escalas do serviço nas unidades municipais.
As condições do serviço de raio-X ocorrem em meio a outros problemas identificados na rede municipal de urgência. Em 31 de agosto de 2026, uma inspeção do Ministério Público de Goiás (MP-GO) apontou a permanência de irregularidades identificadas em uma vistoria realizada em maio.
Problemas constatados
Entre os problemas registrados pelo MP-GO estão a permanência de pacientes por mais de 24 horas nas unidades de pronto atendimento, a falta de medicamentos, incluindo insulina glargina, a insuficiência de insumos e equipamentos e a ausência de fluxo estruturado para pacientes psiquiátricos. A Resolução CFM nº 2.077/2014 estabelece normas relacionadas à permanência de pacientes em unidades de pronto atendimento.
As condições de higiene também foram registradas na UPA Noroeste durante inspeções e reportagens realizadas anteriormente. Foram encontrados aves, ninhos e grande quantidade de fezes de pombos no teto da recepção. As condições foram relacionadas, nas informações citadas, a riscos de exposição a doenças como criptococose e histoplasmose. A prefeitura não respondeu aos questionamentos sobre as condições de higiene da unidade.
Em relação ao abastecimento, o assessor técnico da SMS, Frank Cardoso, informou que 90,5% dos insumos estão garantidos. Segundo a pasta da saúde, fornecedores responsáveis por materiais licitados não entregaram 9,5% dos itens previstos, e multas foram aplicadas.
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