quarta-feira, 9 de setembro de 2026
OPINIÃO

Zema derrete em MG para 1,9%. Por que Daniel esconde Caiado?

Polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro deixou pouco espaço para os concorrentes e os eleitores que rejeitam os dois estão indo para Renan e Cury, sobrando pouco para os ex-governadores. Existe maneira de evitar o fiasco, mas depende de o atual governador querer. Ele quer?

Nilson Gomespor em
Zema derrete em MG para 1,9%. Por que Daniel esconde Caiado?
A novidade é que há um goiano disputando com Lula o Palácio do Planalto e seus aliados aqui inexplicavelmente não entram em sua campanha. Mas ontem surgiu uma explicação técnica: Romeu Zema surgiu na pesquisa AtlasIntel com apenas 1,9% em Minas Gerais - Foto: divulgação

A campanha está nas ruas. Sim, a dos candidatos a deputado. Majoritário, quando surge, é algum Gustavo, o Gayer ou o Mendanha. Para presidente da República, nem nas tradicionais caronas. Por exemplo, o concorrente ao Governo de Goiás pelo PT exaltar Lula, como está fazendo seu companheiro Luis Cesar Bueno. O senão é que o tamanho da estrela vermelha nesta terra de agro nem de perto se assemelha ao do lulismo, tanto que nenhum petista se elegeu governador, vice-governador, senador ou suplente – teve Henrique Santillo no Senado, mas era egresso do MDB, para o qual voltou logo. A novidade é que há um goiano disputando com Lula o Palácio do Planalto e seus aliados aqui inexplicavelmente não entram em sua campanha. Mas ontem surgiu uma explicação técnica: Romeu Zema surgiu na pesquisa AtlasIntel com apenas 1,9% em Minas Gerais.

Esclarecendo: não é 1,9% para Zema no País inteiro. É 1,9% em Minas, o Estado em que furou a bolha dos favoritaços de sempre, venceu os políticos tradicionais em 2018 e reelegeu-se em 2022 sem 2º turno. Em seguidos mandatos elogiados, visitou outras unidades da federação e decidiu ir além do Senado, no qual teria uma das duas cadeiras em disputa. Sua popularidade era sempre altíssima. Deixou no governo o vice, um jovem (45 anos) nascido em Goiás (não existia ainda o Tocantins). Porém, a luta pela chefia do Executivo federal é inglória. Como publicou O HOJE, o último que saiu do governo estadual e se elegeu presidente da República foi Fernando Collor. Vários renunciaram para concorrer, poucos conseguiram ser candidatos, nenhum chegou lá.

Brasil se acha cercado de polarização por todos os lados

Quando chega a vez de eleger alguém com expertise vitoriosa, o Brasil se acha cercado de polarização por todos os lados. Dividida entre Lula e Flávio Bolsonaro, a nação ficou com pouco espaço para os concorrentes e os eleitores que rejeitam os dois estão indo para Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante), sobrando pouco para os ex-governadores. Zema é só a vítima mais prejudicada.

Estaria ocorrendo o mesmo com Ronaldo Caiado? O enredo é muito semelhante: furou a bolha de MDB e PSDB, superou os políticos tradicionais em 2018 e se reelegeu em 2022 novamente sem 2º turno etc. etc.. Sua popularidade oscilava entre 80% e 90%. Deixou no governo o vice, um jovem (42 anos) nascido em Goiás (Jataí). Voltando ao começo do 1º parágrafo, a publicidade de Daniel Vilela (MDB) e Mateus Simões (PSD), os vices que herdaram Goiás e Minas, está distante de ser a esperada com a gratidão aos antecessores. Talvez seja por isso que os dois apadrinhados não tenham a expectativa de imitar seus padrinhos com vitória no 1º turno.

É impossível alcançar Cleitinho, Kalil e Patrus

Saíram também ontem duas pesquisas para o governo de Minas. Em ambas, Mateus Simões vai de mal (8% na Quaest) a pior (4% na AtlasIntel). Está no mato sem cachorro-quente, pois é impossível alcançar Cleitinho Azevedo (Republicanos), Alexandre Kalil (PDT) e Patrus Ananias (PT), que aparecem respectivamente com 32% e 41%, 11% e 9,2%, 11% e 30%. O desempenho de Daniel é melhor que o de Simões, mas passa longe de ser um Cleitinho. Será que por isso o material de rua distribuído por todo o Estado de Goiás pouco exibe o nome e o número de Ronaldo Caiado?

São milhares os carros de passeio com o sitru (adesivo perfurado que cabos eleitorais colam no vidro traseiro dos veículos) dos governistas. O mais visto deles é o que tem Gracinha Caiado, candidata a senadora pelo União Brasil, no meio o governador Daniel e do outro lado um senhor de cabelos brancos. Qual o nome dele? Não está lá. Qual o partido dele? Nada sobre a legenda. Qual o número dele? Só consta o de Daniel, bem grandão. Que cargo ele disputa? O cartaz colante também não informa. Trata-se da espécie de material mais acolhedora para Caiado, pois ao menos tem o seu retrato. No geral, é nada vezes nada.

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Se Daniel quiser, a campanha de Caiado em Goiás será soerguida

Um governante da estatura de Caiado teria de contar agora com ao menos metade do que dispunha quando estava na gestão, porém, não chegou aos 40% ou 45% – Foto: Divulgação

Em seus dois mandatos no governo, o presidenciável goiano investiu basicamente em blogs e outdoors. Como se vê, o efeito foi imediato, mas pararam por aí. Agora, estão rendendo coisa nenhuma. Um governante da estatura de Caiado teria de contar agora com ao menos metade do que dispunha quando estava na gestão, porém, não chegou aos 40% ou 45%. Caberia ao mar de gente que ajudou retribuir. Não é o que está ocorrendo. Se Daniel quiser fazer pelo antecessor o que dele recebeu, a campanha presidencial do 55 em Goiás será soerguida.

Os ex-componentes de seus mandatos foram ejetados dos principais cargos: seu primo Adriano Rocha Lima, que teve os mais importantes postos nos dois governos, foi rejeitado para vice de Daniel; o responsável pelas obras, Pedro Sales, não teve fôlego financeiro para disputar de igual para igual com os 100 que exibem cofres cheios para chegar à Câmara dos Deputados; o responsável pela articulação política na maior parte do tempo, Ernesto Roller, é senatoriável de Marconi Perillo (PSDB); Wilder Morais, seu 1º secretário de Indústria e Comércio, que trouxe centenas de empresas de porte médio e grande, inclusive a que descobriu terras raras em Minaçu, é governadoriável pelo PL. E assim por diante.

O MDB de Daniel nada ofereceu em troca do muito que Caiado fez

As articulações funcionaram em tempo algum. O vereador em Goiânia Vitor Hugo e o deputado federal Gustavo Gayer, que o governo tanto quis como senadores na chapa de Daniel e chegaram a sonhar com o PL apoiando Caiado para presidente, estão na campanha de Flávio Bolsonaro. O MDB de Daniel, também, nada ofereceu em troca do muito que Caiado fez pelo partido em Goiás, já que nenhum diretório regional, nem os de Tocantins e Distrito Federal, está com ele para presidente, mesmo não tendo lançado nome ao Planalto. Deu a vice de Daniel para a Assembleia de Deus Madureira na esperança de que a igreja ficasse com Caiado em pelo menos alguns de seus milhares de templos por todo o País e nada conseguiu com essa turma, que está em sua maioria também com Flávio.

É possível evitar que aconteça com Caiado o que está ocorrendo com Zema. Se não dá conta de acudir no restante do Brasil, ao menos em Goiás o seu grupo tem condição de socorrer. O mínimo que se aguardava eram 2 milhões de votos dos goianos e pelo menos 1 milhão no vizinho DF, graças às conurbação entre as cidades. Talvez alguns milhões dos vários milhões de São Paulo, terra de seu vice, Gilberto Kassab. Aliás, o discurso, a biografia e as práticas de Caiado são admirados no interior paulista, assim como no mineiro e nos três Estados do Sul. Para eles, é um herói do campo, por sua luta desde os tempos em que estava sendo escrita a Constituição, que só não é inteiramente petista graças a esforços como o seu. (Especial para O HOJE)

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