quinta-feira, 10 de setembro de 2026
SEQUÊNCIA DE ACIDENTES

Colisão deixa quatro feridos na GO-462 em trecho com histórico de tragédias em Goiás

Rodovia recebe cerca de 4 mil veículos por dia e é a única sem duplicação entre as que ligam Goiânia à Região Metropolitana

Gabriel Diaspor em
Carro danificado por acidente na GO-462
Carro danificado por acidente na GO-462. (Foto: Divulgação)

Um Fiat Cronos e uma Ford Territory colidiram na manhã desta terça-feira (8) na GO-462, próximo ao loteamento Shangry-Lá, entre Goiânia e Santo Antônio de Goiás. A batida ocorreu depois que um dos veículos tentou desviar de um ciclista e invadiu a pista contrária. Quatro pessoas ficaram feridas, entre elas uma criança de 7 anos e duas adolescentes de 16. A motorista do Cronos ficou presa às ferragens e precisou ser retirada pelo Corpo de Bombeiros.

Marcos Antônio, de 42 anos, conhecido na região como Markim Líder Comunitário, atua nos bairros ao redor da rodovia, como Shangry-Lá, Orlando de Moraes, Imperial e Chácara Antônio Carlos Pires, e mantém uma página nas redes sociais dedicada a cobrar melhorias na infraestrutura local. Segundo o líder, o acidente de terça não foi um caso isolado. “Antes de ontem, uma camionete capotou neste mesmo trecho. E essa madrugada, entre 4h e 5h, bateram num animal, uma vaca ou um cavalo”, relata.

A GO-462 não tem acostamento pavimentado e tem curvas fechadas, além de receber cerca de quatro mil veículos por dia, segundo levantamento da Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra), fatores que contribuem para os acidentes constantes. Além disso, é a única rodovia de acesso a Goiânia, entre as doze que ligam a capital aos municípios da Região Metropolitana, que ainda opera em pista simples. “A pista, além de não ser duplicada, é muito estreita. Não existe nenhum tipo de acostamento. Pelo contrário, o acostamento é cheio de buracos, mato e toco de pau”, descreve Markim.

A presença de animais na pista

A presença constante de animais às margens da via é um fator de destaque para entender os acidentes na rodovia, segundo o líder comunitário. Colisões desse tipo se tornaram frequentes e costumam ser fatais quando envolvem motociclistas. “Tem uma capivara morta agora mesmo na curva do Bambu. Há cerca de 15 dias, um caminhão bateu numa vaca que atravessou a pista correndo. Tem muito animal solto ali”, afirma.

O Trevo do Alice Barbosa é apontado por Markim como o ponto mais crítico do trecho. “A velocidade da rodovia é 80, no trevo deveria reduzir para 60, mas não existe nenhum sensor que obrigue essa redução. Todo mundo passa dos 80, por isso tem tanto acidente”, diz.

Promessa de quase uma década

A duplicação da GO-462 é discutida desde 29 de dezembro de 2016, quando a Goinfra publicou o Edital 025/2016 para a elaboração do projeto. Desde então, o processo passou por contratos, termos de cooperação entre Goinfra, Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico (Codese) e Assembleia Legislativa, e duas leis estaduais que batizaram trechos da via, mas a obra não foi iniciada até o momento. Em maio deste ano, o governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), anunciou verba de R$ 550 milhões destinada a obras de duplicação em três rodovias estaduais, com prioridade para o trecho entre Goiânia e Santo Antônio de Goiás.

Quatro meses depois, moradores da região dizem não ter percebido nenhuma mudança concreta. “Tem oito anos que essa duplicação é prometida. Os comerciantes locais chegaram a doar dinheiro para um projeto, e esse dinheiro sumiu. Agora dizem que vão usar recursos da Alego. Já estamos vacinados dessa história”, afirma Markim.

O líder comunitário também observa que o cronograma anunciado pelo governo estadual prioriza a duplicação do trecho entre Goiânia e Nova Veneza, que tem menor circulação, em detrimento de trechos de maior risco. “É uma rodovia com mortes, com vítimas, a única no perímetro urbano de Goiânia sem duplicação, e continua assim. Acidentes diários, mortes, fatalidades”, resume.

A Goinfra foi procurada pela reportagem, mas não retornou até o fechamento desta edição.

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Acidente GO-462 Goiânia Goiás rodovia santo antonio

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