Síndico acusado de matar corretora é indiciado por supostos desvios de R$ 106 mil em Caldas Novas
Polícia indicia síndico por apropriação indébita após investigação sobre R$ 106 mil
O síndico Cléber Rosa de Oliveira foi indiciado novamente pela Polícia Civil, desta vez em uma investigação sobre supostas irregularidades envolvendo recursos de uma associação de proprietários de um condomínio em Caldas Novas, no sul de Goiás. O filho dele, Maicon Douglas de Oliveira, também foi indiciado.
Segundo o relatório final do inquérito, a investigação apurou seis condutas atribuídas a Cléber. A Polícia Civil apontou um prejuízo de R$ 106.481,51 para a Associação dos Proprietários de Unidades Autônomas do Golden Thermas Residence – Amethysta Tower.
O inquérito, conduzido pelo Grupo Especial de Investigações Criminais (GEIC) da 19ª Delegacia Regional de Polícia de Caldas Novas, apura possíveis crimes de apropriação indébita. Os fatos investigados teriam ocorrido entre 2021 e 2026.
R$ 18 mil foram parar na conta do filho
Entre os valores analisados pela Polícia Civil está um Pix de R$ 18 mil realizado em 18 de janeiro de 2026. O dinheiro saiu da conta da associação e foi transferido para Maicon Douglas.
Segundo a investigação, o valor teria sido utilizado para pagar honorários advocatícios relacionados à defesa de Cléber no processo que apura a morte da corretora Daiane Alves.

Durante o interrogatório, Maicon confirmou que recebeu o dinheiro. Ele afirmou que repassou o valor aos advogados depois de Cléber pedir que utilizasse sua conta para realizar a operação.
A Polícia Civil, entretanto, concluiu que Maicon tinha conhecimento da finalidade da transferência e teria auxiliado o pai na operação investigada.
Investigação também encontrou imóveis e pagamentos
O inquérito analisou ainda documentos relacionados a imóveis do condomínio. Um deles é um contrato de locação do apartamento 304 do Amethyst, firmado em dezembro de 2025 por Cléber. O aluguel estabelecido era de R$ 1.300.
A Polícia Civil também encontrou uma procuração concedida por Willian Pereira a Cléber, com poderes sobre sete apartamentos do empreendimento. Segundo o atual presidente da associação, os imóveis deveriam ser transferidos para a entidade após um acordo.
O relatório aponta que Cléber não teria registrado os imóveis em nome da associação e teria vendido cinco deles sem repassar os valores à entidade. A investigação, contudo, registra que não conseguiu localizar Willian para esclarecer essa questão. Por isso, o próprio relatório indica que esse ponto pode envolver uma discussão na esfera cível antes de uma conclusão penal.

Outro documento analisado foi um contrato de comodato. Conforme o inquérito, a associação teria cedido um imóvel para Cléber por dez anos, até dezembro de 2035. O acordo previa que a entidade arcaria com as despesas do imóvel enquanto ele moraria no local com a família.
Ainda segundo a investigação, Cléber assinou o documento tanto em nome da associação quanto como beneficiário do comodato. O atual presidente afirmou que os associados não autorizaram o contrato.
Polícia aponta seis condutas e envia caso à Justiça
A investigação também identificou uma confissão de dívida no valor de R$ 84 mil envolvendo Rizolene Santos e a associação. O documento previa uma entrada de R$ 25 mil.
De acordo com o depoimento do atual presidente da entidade, quatro pagamentos que totalizaram R$ 25 mil foram realizados na conta pessoal de Cléber. Os valores foram de R$ 14,7 mil, R$ 4,5 mil, R$ 2,8 mil e R$ 3 mil.

Ao concluir o inquérito, a Polícia Civil apontou seis ações atribuídas a Cléber e classificadas como apropriação indébita majorada em razão da condição de presidente ou administrador da associação.
O prejuízo calculado pela investigação chegou a R$ 106.481,51. Ao final, o delegado indiciou Cléber Rosa por seis vezes e Maicon Douglas pelo mesmo artigo do Código Penal. Os autos foram encaminhados ao Poder Judiciário.
O novo indiciamento não trata diretamente da morte de Daiane Alves. Conforme o relatório, este inquérito investigou exclusivamente os supostos desvios de recursos da associação.
Cléber também responde à investigação relacionada à morte da corretora. Segundo o material, Daiane foi atacada em 17 de dezembro do ano passado, em um condomínio de Caldas Novas, e o corpo foi localizado mais de um mês depois em uma área de mata.
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