Pacientes relatam longa espera e dificuldades no atendimento do Hugo, em Goiânia
Denúncias recebidas pelo O HOJE envolvem demora, falta de profissionais no balcão e condições enfrentadas por acompanhantes
Com colaboração Renata Lima
A saúde de Goiás e Goiânia ganhou um novo capítulo de reclamações. Desta vez, relatos encaminhados ao O HOJE apontam dificuldades enfrentadas por pacientes e acompanhantes no Hospital de Urgências de Goiás (Hugo), em Goiânia. Entre as denúncias estão demora no atendimento, espera prolongada, falta de profissionais no balcão durante a madrugada e condições consideradas inadequadas para familiares que permanecem ao lado de pacientes internados.
A reportagem recebeu relatos de pessoas que estiveram na unidade e descreveram situações vivenciadas durante a busca por atendimento. Os casos envolvem desde pacientes que chegaram ao hospital após acidentes até pessoas que permaneceram por horas aguardando avaliação médica. As denúncias também levantam questionamentos sobre a estrutura oferecida aos acompanhantes durante os períodos de internação.
Paciente teria aguardado horas após acidente
Entre os relatos recebidos está o caso de uma jovem que teria chegado ao Hugo após sofrer um acidente. Segundo familiares, a mulher permaneceu por horas aguardando atendimento. Diante da demora, a família chegou a considerar a possibilidade de levá-la para o Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol).
A transferência, no entanto, não teria sido uma opção naquele momento porque, conforme o relato dos familiares, a jovem não apresentava condições para ser transportada. A situação aumentou a preocupação da família, que aguardava uma avaliação médica enquanto a paciente permanecia na unidade.
O caso foi encaminhado à reportagem como uma denúncia sobre o tempo de espera enfrentado por quem chega ao hospital em busca de atendimento de urgência. A reportagem não teve acesso ao prontuário da paciente e, por isso, não é possível afirmar quais foram os procedimentos adotados pela equipe ou as razões específicas para a demora.
Relatos apontam espera durante a madrugada
Outro relato recebido pelo O HOJE se refere ao atendimento durante a madrugada. Segundo a denúncia, havia apenas uma pessoa no balcão de atendimento enquanto diversos pacientes aguardavam na unidade. Entre as pessoas que esperavam estariam pacientes com fraturas e vítimas de acidentes.
Vídeos enviados à reportagem mostram um acompanhante questionando a ausência de médicos e profissionais de enfermagem no local. As imagens foram encaminhadas ao jornal por pessoas que estavam na unidade e fazem parte dos materiais usados para a apuração.
Também foi relatado que pacientes e acompanhantes teriam enfrentado uma espera prolongada e que, em determinado momento, havia pessoas com dores aguardando atendimento. A situação, segundo os relatos, teria provocado indignação entre familiares que acompanhavam pacientes.
Superlotação aparece entre as reclamações
As queixas recebidas também envolvem a superlotação e a demora para atendimento. Familiares relatam momentos em que pacientes precisam aguardar em meio à alta demanda da unidade, situação que pode aumentar a tensão entre pessoas que procuram atendimento de urgência e emergência.
Em manifestações anteriores, o Hugo já apontou que a alta demanda pode provocar momentos de superlotação. A unidade também informa que adota um plano de contingência para priorizar os casos considerados mais graves e que os pacientes recebem assistência mesmo quando os espaços do hospital estão lotados.
Acompanhantes também relatam dificuldades
As reclamações não se restringem aos pacientes. A reportagem recebeu o relato de uma acompanhante de um idoso que permaneceu internado no Hugo durante quatro dias.
Segundo a acompanhante, durante todo o período de internação recebeu apenas uma cadeira de plástico para permanecer ao lado do paciente e tentar descansar. A situação, conforme a acompanhante, tornou ainda mais difícil a permanência no hospital durante os dias em que precisou acompanhar o familiar.
O relato chama atenção para as condições oferecidas aos acompanhantes, que podem permanecer por longos períodos dentro das unidades hospitalares. Além da preocupação com o estado de saúde do paciente, familiares precisam lidar com as condições da estrutura disponível para acompanhar a internação.
Além da demora, os relatos colocam em debate a estrutura disponível para pacientes e acompanhantes e a atuação das equipes durante os plantões. Por se tratar de uma unidade de referência para atendimentos de urgência e emergência, a regularidade do serviço e a capacidade de resposta diante da demanda são pontos que precisam ser esclarecidos.
SES-GO foi questionada
A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO) para esclarecer as reclamações recebidas e entender os motivos da demora para que os pacientes sejam atendidos no Hugo.
Também foram encaminhados questionamentos sobre a situação dos acompanhantes, incluindo as condições oferecidas às pessoas que permanecem na unidade durante os períodos de internação.
A SES-GO também foi questionada sobre a quantidade de profissionais escalados nos plantões, os relatos envolvendo a espera durante a madrugada e a denúncia de que médicos estariam dormindo durante o expediente. Até o fechamento desta reportagem não obtivemos retorno.
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