Prefeitura de Goiânia muda trânsito em frente ao HUGOL, mas motoristas questionam solução
Intervenção da Prefeitura prevê fim da rotatória, novos acessos e retornos mais longos; motoristas questionam se a mudança será suficiente para evitar congestionamentos na região
Quem enfrenta diariamente o trânsito de Goiânia conhece uma realidade marcada por congestionamentos, acidentes, retenções e mudanças constantes na circulação. Em uma capital que concentra grande fluxo de veículos em importantes corredores, qualquer ocorrência ou intervenção viária pode provocar reflexos em diferentes regiões da cidade.
Nesta quarta-feira (26), um engavetamento envolvendo seis veículos na Marginal Botafogo provocou lentidão e interdição parcial durante a manhã. Um dos carros pegou fogo e ficou completamente destruído. Apesar da proporção da ocorrência, ninguém ficou ferido.
O acidente ocorreu no sentido Centro/Avenida Goiás Norte, na região do Setor Universitário. Durante o atendimento, o trânsito foi interrompido antes da Rua 10, e o congestionamento chegou à altura do Cepal do Setor Sul. O episódio mostra como acidentes e interdições podem impactar rapidamente a circulação da cidade.
Mudanças no trânsito do Hugol
Em outra frente, a Prefeitura de Goiânia iniciou uma intervenção em um dos pontos considerados críticos para a mobilidade na Região Noroeste. A rotatória no cruzamento da GO-070 com a Avenida Coronel Joaquim Lúcio e a Avenida Anhanguera, em frente ao Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), será reconfigurada.
A Seinfra informou, cerca de 24 mil veículos passam diariamente pelo local. A previsão é de conclusão em até 45 dias. O projeto prevê o fim da rotatória, novos acessos, cruzamentos semaforizados e um sistema binário para reorganizar a circulação.
A Avenida Coronel Joaquim Lúcio passará a funcionar em sentido único para os veículos que entram no Jardim Nova Esperança. Quem seguir em direção à GO-070 será direcionado para uma nova pista construída ao lado do Parque Nova Esperança.
Como serão feitos os novos retornos
A mudança altera principalmente o caminho de quem precisa voltar para o sentido contrário. O motorista que desce pela Avenida Anhanguera e precisa retornar não fará mais a manobra diretamente na antiga rotatória. Ele deverá entrar na Avenida Coronel Joaquim Lúcio, seguir pela Rua 42 e acessar a nova via próxima ao Parque Nova Esperança. Nesse trecho, um cruzamento com semáforo permitirá seguir para a GO-070 ou retornar à Avenida Anhanguera.
Na prática, alguns motoristas terão de percorrer um caminho maior, mas a proposta é retirar da antiga rotatória os cruzamentos que fazem os veículos disputarem espaço. A mudança também vale para os caminhões que deixam a fábrica da Nestlé. Eles deverão seguir pela Avenida Anhanguera até o Viaduto José Alves Fernandes Filho para fazer o retorno e acessar a GO-070.
Motoristas questionam impacto das mudanças
As alterações já despertam dúvidas entre quem utiliza a região diariamente. Uma das preocupações é que a retirada da rotatória melhore a saída da cidade, mas não resolva os congestionamentos no sentido de entrada durante os horários de pico.
“Vai melhorar só a saída da cidade. A entrada, no horário de pico, o engarrafamento começa lá na barreira policial da GO-070”, avaliou um motorista.
Outro condutor teme que o fluxo se acumule caso não haja mudanças em outros pontos. “Se não colocar um semáforo no viaduto do Portal Shopping, não vai resolver. Vai acumular veículos”, apontou.
A Prefeitura afirma que a nova configuração busca dar mais fluidez aos veículos que seguem pela GO-070 e pela Avenida Anhanguera e facilitar o deslocamento de ambulâncias que precisam acessar o Hugol.
Especialista aponta limites das rotatórias
Para o especialista em mobilidade urbana Marcos Rothen, as rotatórias funcionam melhor em locais com baixo ou médio volume de veículos. Com o aumento do fluxo, porém, podem perder eficiência e se transformar em pontos de congestionamento.
“À medida que aumenta o tráfego, a rotatória satura e os congestionamentos surgem”, explica. De acordo com ele, em cruzamentos de grande porte, determinados movimentos podem interferir na circulação dos demais.
Rothen afirma que a intervenção procura beneficiar a maior parte dos usuários, mesmo que alguns motoristas precisem percorrer trajetos maiores para fazer retornos. “Nas mudanças como essa, a intenção é melhorar para a maioria, podendo causar algum prejuízo para uma parte menor”, afirma.
O especialista também destaca a importância da sinalização para orientar os condutores e evitar acidentes.
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