Sofrimento emocional: nem sempre quem precisa de ajuda consegue dizer que não está bem
Mudanças no sono, isolamento, irritabilidade e perda de interesse podem revelar um sofrimento que ainda não foi colocado em palavras
Nem sempre uma pessoa que enfrenta sofrimento emocional consegue pedir ajuda. Ela pode continuar cumprindo compromissos, conversando com amigos e mantendo parte da rotina enquanto tenta esconder a ansiedade, a depressão, as crises de pânico ou o esgotamento.
O silêncio pode nascer do medo de receber críticas, de preocupar a família ou de ser tratado como alguém fraco. Há também quem não consiga identificar exatamente o que está sentindo. Outras pessoas acreditam que o problema vai desaparecer sozinho e tentam seguir em frente sem compartilhar o que estão vivendo.
É por isso que prestar atenção às mudanças de comportamento pode ser tão importante. Alterações persistentes no sono, isolamento, irritabilidade, dificuldade de concentração e sensação constante de esgotamento estão entre os sinais que merecem cuidado.
A perda de interesse por atividades antes prazerosas e a ocorrência de crises de ansiedade também podem indicar que algo não está bem. Esses sinais não devem ser usados para fazer diagnósticos, mas podem mostrar que chegou o momento de se aproximar, ouvir e incentivar a busca por apoio profissional.
Como oferecer acolhimento?
Uma conversa pode começar de maneira simples, demonstrando disponibilidade para ouvir. O mais importante é evitar julgamentos e permitir que a pessoa fale sobre seus sentimentos sem ser pressionada.
A neuropsicóloga Anna Flávia Trindade de Freitas explica que compartilhar o sofrimento emocional envolve vulnerabilidade e, por isso, pode despertar medo.
“Muitas pessoas têm medo de ser julgadas, incompreendidas ou vistas como fracas. Por isso, oferecer uma escuta acolhedora e sem julgamentos é tão importante”, afirma.
Incentivar a procura por ajuda profissional também é parte do acolhimento. Segundo Anna Flávia, quando houver sinais de risco, a pessoa não deve ser deixada sozinha, e o apoio especializado precisa ser procurado imediatamente.
A prevenção começa antes de uma situação de crise. Perceber alterações no comportamento, permitir que os sentimentos sejam verbalizados, oferecer escuta sem julgamentos e facilitar o acesso ao cuidado profissional são atitudes que fazem parte desse processo.
Em Goiás, dados da Secretaria de Estado da Saúde mostram que 5.618 mortes por suicídio foram registradas entre 2014 e 2023. O número anual subiu de 454 para 711 no período, uma alta de aproximadamente 56,6%.
Espaços para falar e escutar
Durante o mês de setembro, visitantes do Buriti Shopping poderão encontrar cartões com mensagens de acolhimento na Árvore Raízes do Cuidado. A estrutura está instalada no segundo piso, no corredor em frente à Caixa Econômica Federal, e pode ser visitada gratuitamente.
A programação também inclui o encontro “Falar é Vital: caminhos para cuidar da nossa saúde mental”, no dia 25 de setembro, a partir das 15h, no Terraço do shopping.
O bate-papo abordará saúde mental, reconhecimento dos sentimentos, escuta e busca por apoio. Também haverá uma dinâmica com o público. A participação será aberta, mediante inscrição pelo formulário divulgado pela organização.
Serviço
Árvore Raízes do Cuidado
Quando: durante todo o mês de setembro
Onde: segundo piso do Buriti Shopping, no corredor em frente à Caixa Econômica Federal
Acesso: gratuito
Encontro “Falar é Vital”
Quando: 25 de setembro
Horário: a partir das 15h
Onde: Terraço do Buriti Shopping
Participação: aberta ao público
Inscrições: acesse o formulário
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