Operação mira grupo suspeito de vender maconha medicinal de forma ilegal em Goiás
Investigação aponta uso de empresas e associação para dar aparência legal à distribuição interestadual de cannabis com alto teor de THC
Uma operação deflagrada nesta terça-feira (15/9) investiga uma associação suspeita de distribuir maconha com alto teor de THC para diferentes estados brasileiros. A ação, batizada de Cannabis Faria Lima, é conduzida pela Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (Denarc) de Goiás, com apoio das polícias civis da Bahia, São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Segundo a investigação, empresas e uma associação ligada à cannabis medicinal teriam sido utilizadas para encobrir a atividade ilegal.
As apurações começaram depois que os Correios interceptaram uma encomenda enviada para Catalão (GO) contendo produtos anunciados como “OG Kush” e “Strawberry Kush”. Exames periciais apontaram que as flores eram maconha. O destinatário disse ter comprado o material por meio de uma plataforma após passar por consulta médica on-line e realizar o pagamento diretamente à empresa. Outras remessas foram posteriormente apreendidas, incluindo uma carga com cerca de 2,245 kg de skunk e outra destinada a Goiânia com skunk e derivados.
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De acordo com a Denarc, a plataforma investigada captava consumidores, encaminhava pacientes para consultas, apresentava um catálogo de produtos e recebia os pagamentos. Já uma associação seria responsável principalmente pelo envio das encomendas. Dados fornecidos pelos Correios indicam que 2.870 remessas foram realizadas pela entidade em aproximadamente um ano, alcançando diferentes regiões do país. Em Goiás, os investigadores identificaram 137 encomendas destinadas a 18 municípios, entre eles Goiânia, Aparecida de Goiânia, Catalão, Anápolis, Trindade e Senador Canedo.
A polícia afirma ainda que consumidores eram direcionados a profissionais previamente indicados para obter prescrições utilizadas nas compras e que alguns documentos e decisões judiciais acompanhavam as encomendas para aparentar regularidade. Segundo a apuração, a empresa e o sócio não tinham autorização da Anvisa para realizar as atividades relacionadas aos produtos. A Justiça autorizou cinco prisões temporárias, 14 buscas, acesso a dados de celulares, sequestro de bens no valor de R$ 4 milhões e bloqueio de perfis e sites. A investigação apura, em tese, tráfico interestadual de drogas e associação para o tráfico.
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