Goiânia se prepara para El Niño, mas estrutura da cidade será colocada à prova
Plano reúne ações de diferentes secretarias, mas detalhamento dos recursos e capacidade de investimento para prevenção ainda são pontos de atenção
O avanço de um El Niño de forte intensidade coloca Goiânia diante de uma combinação de riscos que pode pressionar a infraestrutura urbana e os serviços públicos nos próximos meses. Diante da previsão de calor intenso, baixa umidade, incêndios e episódios de chuvas fortes, a Prefeitura de Goiânia apresentou nesta sexta-feira (2) um plano municipal de prevenção e resposta a eventos climáticos extremos.
A proposta reúne órgãos como Defesa Civil, Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), Comurg, Guarda Civil Metropolitana (GCM), trânsito, Saúde, Educação, Amma e assistência social. Entre as medidas anunciadas estão a ampliação do monitoramento meteorológico, instalação de pontos de hidratação, preparação de equipes, limpeza de estruturas de drenagem, posicionamento de máquinas em áreas de risco e criação de uma brigada municipal de incêndio.
O desafio, porém, vai além da capacidade de resposta depois que os problemas aparecem. A previsão de eventos extremos coloca à prova uma cidade que já convive com pontos recorrentes de alagamento, dificuldades de drenagem e exposição da população a períodos de calor intenso. O próprio material apresentado pela Prefeitura aponta 135 pontos críticos de alagamento na Capital, o que torna a prevenção e a manutenção da estrutura urbana uma das principais preocupações para o período chuvoso.
Na área de drenagem, a prefeitura prevê ações como limpeza de bocas de lobo, desobstrução de galerias, reparos emergenciais e intervenções em vias. Também está prevista a instalação de novos pluviômetros, além da utilização de dados meteorológicos para antecipar ocorrências. Segundo informações apresentadas no plano, a rede existente permite acompanhar o volume de chuva em intervalos de dez minutos, enquanto a ampliação do monitoramento deve melhorar a identificação das áreas que podem ser atingidas por tempestades e alagamentos.
Outro recurso anunciado é a integração com o Waze para alertar motoristas sobre áreas de risco e indicar rotas alternativas durante ocorrências. A estratégia busca reduzir o tempo de resposta e evitar que veículos e moradores permaneçam em locais atingidos por enxurradas. A Prefeitura também pretende manter máquinas e caminhões próximos a áreas consideradas vulneráveis para permitir intervenções mais rápidas durante as chuvas.
Apesar das medidas emergenciais, um dos principais pontos da apuração está nos recursos destinados ao enfrentamento dos problemas. O plano reúne ações de diferentes secretarias, mas ainda é necessário detalhar quanto será gasto em cada frente, de onde virão os recursos e se haverá dinheiro novo para prevenção ou utilização de verbas já previstas no orçamento municipal.
A diferença entre resposta emergencial e prevenção estrutural também deverá ser analisada. A limpeza de bocas de lobo, o bloqueio de vias e o deslocamento de máquinas podem reduzir o impacto imediato de uma ocorrência, mas não substituem obras capazes de ampliar a capacidade de drenagem da cidade. O adiamento de intervenções de maior porte para os próximos anos mantém esse desafio no radar do município.
O cenário também preocupa pela possibilidade de temperaturas superiores a 40°C e períodos de baixa umidade. Para reduzir os efeitos do calor, a Prefeitura anunciou pontos de hidratação em locais de grande circulação, além de medidas voltadas à rede municipal de ensino e à população em situação de rua. Escolas passam por manutenção e adequações para melhorar a climatização das salas, enquanto a assistência social prevê abrigos temporários climatizados para pessoas vulneráveis.
Doenças relacionadas ao clima
Na Saúde, o monitoramento de doenças relacionadas ao clima deverá ser reforçado. O calor extremo pode aumentar a procura por atendimento, especialmente entre idosos, crianças, pessoas com doenças crônicas e moradores em situação de vulnerabilidade. Por isso, além da oferta de água, a estrutura das unidades de saúde e a capacidade de absorver uma eventual elevação da demanda também entram na avaliação do plano.
Outro eixo é o combate às queimadas. A Prefeitura anunciou a criação de uma Brigada de Incêndio Municipal formada por 50 servidores capacitados para atuar em focos iniciais. A medida deverá ser avaliada junto à estrutura já existente, especialmente em relação a efetivo, equipamentos e capacidade de resposta em áreas de maior risco.
Para o especialista em gestão ambiental Juliano Cardoso, a avaliação deve considerar tanto a capacidade de antecipar uma tempestade ou onda de calor quanto as condições estruturais da cidade para suportar esses eventos. A análise também poderá apontar quais medidas precisam ser priorizadas para reduzir os impactos sobre a população.
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