Dia Mundial da Visão: especialista explica a regra 20-20-20 e os riscos do uso prolongado de telas
Optometrista orienta que a cada 20 minutos de tela, o olhar deve descansar por 20 segundos em um ponto a seis metros de distância; trocar o computador pelo celular não conta como pausa
Quando o expediente termina, o computador é fechado, mas a exposição às telas continua: o celular ocupa o lugar da tela maior. Para os olhos, porém, pouco muda: a visão continua concentrada a curta distância. Nesta quinta-feira (8), no Dia Mundial da Visão, a optometrista Adeliana Freire chama atenção para um hábito simples que pode ser incorporado à rotina de quem passa horas diante de dispositivos eletrônicos: a regra 20-20-20.
“A orientação é, a cada 20 minutos de uso, fazer uma pausa e olhar por cerca de 20 segundos para um ponto distante, a aproximadamente seis metros. Esse hábito ajuda a reduzir a fadiga ocular, as dores de cabeça e o esforço provocado pelo uso prolongado da visão de perto”, destaca Adeliana.
A medida ganha relevância em uma rotina atravessada por celular, computador e tablet. O problema, explica a especialista, está principalmente no excesso de exposição e na falta de intervalos. “Os principais cuidados envolvem a diminuição do excesso de tempo de exposição a telas”, orienta.
Um dos efeitos mais comuns aparece em um gesto quase automático. Quando a atenção fica presa à tela, a pessoa tende a piscar menos. Com isso, a lubrificação natural dos olhos diminui e podem surgir ardência, vermelhidão, ressecamento e sensação de areia.
O esforço contínuo para enxergar de perto também pode provocar fadiga visual, visão embaçada e dor de cabeça. Por isso, deixar o computador para conferir mensagens no celular não significa, necessariamente, dar descanso aos olhos. O intervalo só cumpre esse papel quando a visão deixa de permanecer fixada a curta distância.
Os desconfortos ligados às telas, no entanto, não devem ser confundidos com alterações visuais que exigem avaliação específica. Miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia têm características próprias. A presbiopia, conhecida como “vista cansada”, costuma aparecer depois dos 40 anos e dificulta a focalização de objetos próximos.
Há ainda doenças que podem avançar sem sinais evidentes nas fases iniciais. Adeliana cita catarata, pterígio e glaucoma entre as condições que exigem atenção. No caso do glaucoma, o histórico familiar reforça a necessidade de acompanhamento regular. O pterígio pode provocar ardência e desconforto, enquanto a catarata pode comprometer a visão de forma progressiva.
A ausência de sintomas, portanto, não deve ser tomada como garantia de que não há alterações. É nesse ponto que o acompanhamento periódico ganha importância, especialmente diante de doenças que podem evoluir sem manifestações perceptíveis no início.
“Mesmo sem sintomas, a avaliação periódica é importante para identificar alterações que ainda não foram percebidas pelo paciente. Recomenda-se a avaliação oftalmológica ou optométrica anual para detecção precoce de anomalias”, explica a especialista.
A regra 20-20-20 não elimina o uso de telas nem substitui avaliações periódicas da visão. A proposta é criar pausas ao longo do dia para interromper o esforço contínuo da visão de perto, comum em uma rotina em que computador e celular ocupam boa parte do tempo.
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