sábado, 10 de outubro de 2026
CONSTRUÇÃO ABANDONADA

Prefeitura de Goiânia avalia destino de prédio abandonado há 25 anos no Centro

Seis pessoas que usavam o prédio da Avenida Araguaia como abrigo foram abordadas pela Guarda Civil Metropolitana, que não constatou irregularidade

Gabriel Diaspor em
Prefeitura de Goiânia avalia destino de prédio abandonado há 25 anos no Centro
Polícia Militar (PM) fez um levantamento na região e registrou ocorrências de tráfico de drogas. (Foto: Divulgação)

A Prefeitura de Goiânia autuou o proprietário de uma edificação inacabada e sem uso há cerca de 25 anos na esquina da Avenida Araguaia com a Rua 2, no Centro, e marcou reunião com o dono para esta sexta-feira (9). A administração municipal ainda não informou a solução que pretende adotar nem o prazo para a recuperação da estrutura.

A Polícia Militar (PM) fez um levantamento na região e registrou ocorrências de tráfico de drogas, furtos a pedestres e a comércios e lesão corporal nas proximidades do imóvel. A corporação avalia que as condições da edificação favorecem o uso do local como apoio a atividades ilícitas e aponta riscos à saúde pública pelo acúmulo de resíduos e pela proliferação de vetores de doenças.

Seis pessoas que usavam a estrutura como abrigo foram abordadas e nenhuma irregularidade foi constatada em ação da Guarda Civil Metropolitana (GCM) no prédio. A operação incluiu buscas por drogas e armas com apoio do Grupo de Operações com Cães.

O Serviço de Abordagem Social também esteve no local e ofereceu às pessoas encaminhamentos para programas, serviços e benefícios da rede socioassistencial. A Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos informou que continuará as abordagens na região.

Segundo o arquiteto e ambientalista Fred Le Blue, a desapropriação poderia ser usada para integrar à cidade imóveis abandonados no Centro, como o da Avenida Araguaia. Segundo o urbanista, o instrumento atende à função social da propriedade, prevista no artigo 5º da Constituição Federal, e permitiria transformar esses prédios em áreas de utilidade para a sociedade por meio de projetos de “retrofit”, modernização de edificações antigas com preservação das características originais, para habitação social.

O prefeito Sandro Mabel vetou parcialmente em 30 de setembro o Programa Morar no Centro, aprovado pela Câmara Municipal em 8 de setembro. O veto retira a isenção de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) por dez anos para novas construções residenciais ou de uso misto. Também retira a isenção de Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) na primeira compra de unidades novas ou requalificadas e de terrenos para novos empreendimentos, e a redução do Imposto Sobre Serviços (ISS) para 2% nas obras.

Imóveis tombados perdem isenções de IPTU para manutenção e requalificação, e empresas de serviços transferidas para o perímetro do programa perdem a isenção de 50%.

Segundo o urbanista, imóveis tombados que recebem manutenção conforme as diretrizes técnicas de preservação têm direito a 50% de isenção do IPTU. Em casos de restauração ou retrofit completos, a isenção pode chegar a 100% por cinco anos após a emissão da Certidão de Conclusão de Obra. O arquiteto cita também a Transferência do Direito de Construir (TDC), com a qual o município concede créditos de potencial construtivo como incentivo à preservação dos imóveis.

Permanece no programa o subsídio de aluguel por 24 meses, prorrogável por mais 12, com prioridade para mulheres responsáveis pela família, pessoas idosas, pessoas com deficiência e famílias com crianças e adolescentes. Também permanece a isenção de IPTU durante a locação para imóveis do Setor Central desocupados há mais de 12 meses, novas construções e edificações que mudem de uso, com o benefício repassado ao proprietário. A Câmara tem 30 dias para mantê-lo ou derrubá-lo, contados da publicação do veto. A derrubada exige 18 dos 27 votos.

Sefic demoliu imóvel na Rua 74 e Prefeitura protocola projeto para fachadas da Rua 3

As demolições fazem parte de plano da Secretaria Municipal de Eficiência (Sefic) iniciado em setembro de 2025. Em 18 de setembro, a Prefeitura demoliu na Rua 74, no Setor Central, um imóvel abandonado havia mais de 10 anos e com estrutura condenada pela Defesa Civil. A Sefic informou que as ações continuarão em outras regiões conforme forem identificados imóveis em situação de abandono, risco estrutural ou uso irregular.

Fred Le Blue avalia que a demolição de imóveis no Setor Central só se justifica em caso de risco estrutural de desmoronamento e que a gestão deveria reformar os prédios e, no caso de bens particulares, incorporá-los ao patrimônio público para uso em habitação social e em equipamentos de lazer, saúde, educação e cultura. O arquiteto afirma que a prioridade deveria ser a fiscalização da Lei das Fachadas, que obriga a retirada de tapumes e letreiros dos prédios históricos art déco do Centro Histórico e de Campinas. Segundo Fred, a lei foi sancionada em janeiro de 2020 e segue sem aplicação efetiva na região central, e aplicá-la “teria um resultado muito mais amplo” e dispensaria gastos públicos.

A Prefeitura protocolou no dia 15 de setembro projeto para recuperar fachadas históricas na Rua 3, com levantamento técnico de 34 edificações. O plano prevê pintura até a altura da marquise, reparos no reboco e retirada de placas e letreiros. Depende de aprovação do prefeito e de decreto de regulamentação, e se apoia na Lei Complementar nº 326, de 2020.

Em nota, a Secretaria Municipal de Eficiência (Sefic) informou que demoliu 66 imóveis abandonados e usados como mocó entre setembro de 2025 e outubro de 2026. A pasta afirmou que as demolições integram as ações para eliminar estruturas que oferecem risco à população e seguem um planejamento baseado nas condições de cada imóvel, no risco de desabamento e na urgência de cada caso.

Sobre a edificação inacabada e abandonada na esquina da Avenida Araguaia com a Rua 2, no Centro, a Sefic informou que a reunião de 9 de outubro com os proprietários definiu medidas urgentes para garantir a segurança do local. Os responsáveis começarão a fechar toda a área em 13 de outubro, com reforço dos muros, instalação de portões reforçados e colocação de concertinas para impedir novas invasões. A previsão da Sefic é que os serviços terminem até o fim de outubro.

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