Seguro de veículos cresce 6,3% em 2026 e movimenta R$ 30,7 bilhões
No Brasil, cerca de 44 milhões de veículos circulam sem cobertura
O mercado de seguros de veículos manteve trajetória de crescimento no Brasil em 2025 e continuou avançando no primeiro semestre de 2026. O segmento acompanha a dimensão da frota nacional, os custos de reparação e a busca dos motoristas por proteção financeira diante de acidentes, roubos, furtos e outros imprevistos. Em Goiás, onde a frota ultrapassou 5,2 milhões de veículos em julho de 2026, o setor encontra um mercado expressivo para ampliar a oferta de serviços.
Dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) mostram que o seguro de automóveis arrecadou R$ 30,73 bilhões em prêmios no primeiro semestre de 2026, alta nominal de 6,29% em relação ao mesmo período de 2025. Descontada a inflação, o avanço foi de 1,86%, indicando que o crescimento não ficou restrito à variação dos preços.
O resultado dá continuidade ao desempenho positivo do ano anterior. Em 2025, o ramo de seguro auto registrou crescimento nominal de 6,79% e avanço real de 1,66%, segundo o balanço anual da Susep. Os números mostram que, mesmo em um cenário de custos elevados para manter veículos, a proteção automotiva segue como uma das principais áreas do mercado de seguros patrimoniais.
Seguro auto mantém peso no mercado de proteção patrimonial
O avanço do seguro de automóveis ocorre em um setor que reúne diferentes modalidades de proteção, como seguros residenciais, empresariais e contra riscos diversos. Nos oito primeiros meses de 2025, o seguro auto respondeu por 42% das receitas dos seguros de danos, excluindo produtos de pessoas e o VGBL, de acordo com a Susep. No mesmo intervalo, o segmento automotivo cresceu 5,38% em valores nominais e 0,19% em termos reais.
A expansão da arrecadação, porém, não significa que todos os motoristas tenham seguro ou que o custo seja acessível em todas as situações. O valor da apólice depende de fatores como modelo e ano do veículo, região de circulação, histórico de sinistros, local de estacionamento e coberturas contratadas. Para o consumidor, comparar propostas e conferir franquias, exclusões e limites de indenização continua sendo parte importante da decisão.

Mais de 44 milhões de veículos circulam sem seguro
Apesar do crescimento, a cobertura ainda alcança uma parcela minoritária da frota brasileira. Levantamento divulgado pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) em julho de 2026 aponta que aproximadamente 29% dos veículos em circulação têm seguro. Dos cerca de 63,3 milhões de automóveis considerados no estudo, 18,4 milhões estavam segurados. Isso significa que mais de 44 milhões circulavam sem essa proteção.
O levantamento também identificou mudanças no perfil dos consumidores. A classe C representa 41% dos segurados de automóveis, enquanto pessoas de 36 a 45 anos correspondem a 29% da base analisada e aquelas entre 46 e 55 anos, a 26%. Os dados indicam que a contratação não se restringe aos consumidores de maior renda e que a classe média ocupa posição relevante no mercado.

Goiás combina frota expressiva e espaço para expansão
Em Goiás, o tamanho da frota ajuda a dimensionar o potencial do mercado. Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) indicam que o estado tinha 5.277.684 veículos registrados em julho de 2026, a maior frota do Centro-Oeste. Desse total, 2.294.712 eram automóveis, 1.161.488 motocicletas e 540.260 caminhonetes.
O estado também apresenta participação relevante no mercado segurado regional. Segundo o levantamento da CNseg, o Centro-Oeste reúne cerca de 9% da frota nacional, mas responde por 15% dos veículos segurados considerados no estudo. A diferença sugere uma presença proporcionalmente maior da proteção securitária na região, embora não signifique que todos os estados e municípios tenham o mesmo nível de cobertura.
Outro dado do cenário goiano é a redução dos roubos de veículos. O Mapa da Segurança Pública 2026, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, registrou 483 ocorrências em 2025, contra 725 em 2024, queda de 33,38%. O indicador estadual foi de 9,4 roubos por 100 mil veículos, abaixo da taxa nacional de 80,87. Embora esse cenário seja relevante para a análise de riscos, o preço de um seguro depende de diversos fatores, e a redução dos roubos não implica diminuição automática das apólices.
Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.