sexta-feira, 30 de outubro de 2026
ECONOMIA

Estudo da Fieg estima US$208 milhões a mais por ano em exportações de Goiás

Estudo estima que acordo Mercosul-União Europeia elevará em US$208 milhões por ano as exportações de Goiás, com carnes à frente do ganho

Gabriel Diaspor em
Estudo da Fieg estima US$208 milhões a mais por ano em exportações de Goiás
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG) apresentou nesta quinta-feira (29) na Expoind, em Goiânia, um estudo que estima em US$208 milhões por ano o aumento das exportações goianas para a União Europeia depois da retirada total das barreiras comerciais do acordo com o Mercosul. A Gerência de Desenvolvimento Industrial da entidade calculou o efeito da redução de tarifas sobre 40 produtos da pauta do estado.

O estudo prevê US$51 milhões a mais por ano na carne bovina desossada e US$15 milhões na carne de frango, o que soma cerca de US$66 milhões dos US$72,1 milhões calculados para os 40 produtos. Açúcar e etanol somam cerca de US$2,5 milhões. O restante vem de produtos industriais fora da amostra e de commodities. A União Europeia comprou US$1,68 bilhão de Goiás em 2025, o equivalente a 12,5% das exportações do estado.

As carnes bovina e de frango estão suspensas no mercado europeu desde 3 de setembro. A Comissão Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal porque considerou insuficientes as garantias sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. A União Europeia não identificou contaminação nem irregularidades sanitárias em lotes do país. Goiás exportou US$190 milhões em produtos de origem animal ao bloco em 2025, segundo análise da federação.

A Comissão Europeia informou em 21 de outubro que pretende propor a reinclusão do Brasil nas categorias de carne de frango e mel, e os Estados-membros devem votar a proposta em novembro. A Comissão afirmou que o Brasil ainda não consegue certificar o cumprimento das regras durante toda a vida dos animais e que não pretende propor, neste momento, a volta da carne bovina. A comprovação para bovinos exige acompanhar o animal do nascimento ao abate e pode levar até dois anos.

O analista de desenvolvimento industrial da federação Saulo Nogueira afirmou que o ganho vem principalmente da agroindústria, com destaque para as carnes de frango e bovina, o açúcar, o etanol e os couros. Segundo o analista, itens com potencial inferior a US$1 milhão por ano incluem ingredientes de alimentos, milho, peças para tratores e automóveis e máquinas. Saulo explicou que o cálculo parte do que Goiás já exporta e que o acordo pode abrir mercado para produtos ainda não vendidos ao bloco, e citou o combustível sustentável de aviação como exemplo.

Saulo disse que Anápolis tem um polo industrial com potencial exportador, mas fica exposta à concorrência porque a União Europeia já vende muitos medicamentos a Goiás. O estudo prevê desgravação de oito a dez anos para os principais medicamentos importados, e o analista recomendou que a indústria farmacêutica se prepare.

Segundo o analista, as empresas europeias dependem da exportação porque o mercado de cada país é pequeno. Aos industriais Saulo recomendou analisar o mercado e as exigências de acesso para avaliar se o investimento compensa, buscar importadores e distribuidores, participar de feiras e usar programas de apoio à exportação. Saulo acrescentou que empresas sem registro de patente, marca ou direito autoral podem ter o conhecimento copiado na Europa.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços divulgou nesta quinta-feira (29) que as exportações brasileiras de produtos beneficiados pelo acordo cresceram 21% entre maio e setembro, na comparação com o mesmo período de 2025. O ministério registrou alta de 421% no abacate fresco, de 367% no mel e de 95,2% no etanol.

O acordo vigora de forma provisória desde 1º de maio apenas na parte comercial. O Tribunal de Justiça da União Europeia analisa a legalidade do texto completo, e o Senado Federal informou que a análise pode levar até dois anos. O regulamento europeu contra o desmatamento passa a valer em 30 de dezembro para médias e grandes empresas e exige geolocalização das áreas de produção de soja, carne bovina, café, cacau, óleo de palma, borracha e madeira. (Especial para O HOJE)

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
carne exportações Fieg

Veja também

PIB

SAQUE-ANIVERSÁRIO

FGTS: trabalhadores poderão antecipar até cinco saques até março de 2027

Conselho Curador adiou a redução do limite para três saques futuros. Publicação da resolução ...
Ataque à Binance provoca rombo de US$ 6,3 bilhões e abala mercado de criptomoedas

CIBERCRIME

Ataque à Binance provoca rombo de US$ 6,3 bilhões e abala mercado de criptomoedas

Invasão à maior corretora de moedas digitais do mundo é considerada a maior da história do setor...
É MEI e recebeu aviso de perdão de dívida? Veja como conferir a mensagem e evitar golpes

O GOLPE TÁ AÍ!

É MEI e recebeu aviso de perdão de dívida? Veja como conferir a mensagem e evitar golpes

Ministério informa que notificações são enviadas pelo WhatsApp oficial do Gov.br. Benefício nã...
Empresas adotam IA, mas preparo das equipes preocupa o mercado

NEGÓCIOS

Empresas adotam IA, mas preparo das equipes preocupa o mercado

Avanço da inteligência artificial aumenta demanda por profissionais de segurança
Dívida bruta do governo fica em 82,9% do PIB em setembro

ENDIVIDAMENTO

Dívida bruta do governo fica em 82,9% do PIB em setembro

Endividamento fica estável em relação a agosto e permanece no maior nível desde 2021, segundo o ...
Aparecida muda emissão de notas fiscais de serviços a partir de novembro

NOTA FISCAL

Aparecida muda emissão de notas fiscais de serviços a partir de novembro

Prestadores de serviços deverão utilizar exclusivamente o Portal Nacional da NFS-e a partir de 1º...
ICMS sobre combustíveis e gás de cozinha vai aumentar em fevereiro de 2027

IMPOSTO ESTADUAL

ICMS sobre combustíveis e gás de cozinha vai aumentar em fevereiro de 2027

Reajuste aprovado pelo Confaz eleva imposto sobre gasolina, diesel e gás; impacto nos preços depen...
Endividamento de risco salta 75% e atinge 20,3 milhões de brasileiros

Dívida

Endividamento de risco salta 75% e atinge 20,3 milhões de brasileiros

Necessidade de cobrir despesas básicas e o assédio de ofertas digitais empurram as famílias para ...