Estudo da Fieg estima US$208 milhões a mais por ano em exportações de Goiás
Estudo estima que acordo Mercosul-União Europeia elevará em US$208 milhões por ano as exportações de Goiás, com carnes à frente do ganho
A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG) apresentou nesta quinta-feira (29) na Expoind, em Goiânia, um estudo que estima em US$208 milhões por ano o aumento das exportações goianas para a União Europeia depois da retirada total das barreiras comerciais do acordo com o Mercosul. A Gerência de Desenvolvimento Industrial da entidade calculou o efeito da redução de tarifas sobre 40 produtos da pauta do estado.
O estudo prevê US$51 milhões a mais por ano na carne bovina desossada e US$15 milhões na carne de frango, o que soma cerca de US$66 milhões dos US$72,1 milhões calculados para os 40 produtos. Açúcar e etanol somam cerca de US$2,5 milhões. O restante vem de produtos industriais fora da amostra e de commodities. A União Europeia comprou US$1,68 bilhão de Goiás em 2025, o equivalente a 12,5% das exportações do estado.
As carnes bovina e de frango estão suspensas no mercado europeu desde 3 de setembro. A Comissão Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal porque considerou insuficientes as garantias sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. A União Europeia não identificou contaminação nem irregularidades sanitárias em lotes do país. Goiás exportou US$190 milhões em produtos de origem animal ao bloco em 2025, segundo análise da federação.
A Comissão Europeia informou em 21 de outubro que pretende propor a reinclusão do Brasil nas categorias de carne de frango e mel, e os Estados-membros devem votar a proposta em novembro. A Comissão afirmou que o Brasil ainda não consegue certificar o cumprimento das regras durante toda a vida dos animais e que não pretende propor, neste momento, a volta da carne bovina. A comprovação para bovinos exige acompanhar o animal do nascimento ao abate e pode levar até dois anos.
O analista de desenvolvimento industrial da federação Saulo Nogueira afirmou que o ganho vem principalmente da agroindústria, com destaque para as carnes de frango e bovina, o açúcar, o etanol e os couros. Segundo o analista, itens com potencial inferior a US$1 milhão por ano incluem ingredientes de alimentos, milho, peças para tratores e automóveis e máquinas. Saulo explicou que o cálculo parte do que Goiás já exporta e que o acordo pode abrir mercado para produtos ainda não vendidos ao bloco, e citou o combustível sustentável de aviação como exemplo.
Saulo disse que Anápolis tem um polo industrial com potencial exportador, mas fica exposta à concorrência porque a União Europeia já vende muitos medicamentos a Goiás. O estudo prevê desgravação de oito a dez anos para os principais medicamentos importados, e o analista recomendou que a indústria farmacêutica se prepare.
Segundo o analista, as empresas europeias dependem da exportação porque o mercado de cada país é pequeno. Aos industriais Saulo recomendou analisar o mercado e as exigências de acesso para avaliar se o investimento compensa, buscar importadores e distribuidores, participar de feiras e usar programas de apoio à exportação. Saulo acrescentou que empresas sem registro de patente, marca ou direito autoral podem ter o conhecimento copiado na Europa.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços divulgou nesta quinta-feira (29) que as exportações brasileiras de produtos beneficiados pelo acordo cresceram 21% entre maio e setembro, na comparação com o mesmo período de 2025. O ministério registrou alta de 421% no abacate fresco, de 367% no mel e de 95,2% no etanol.
O acordo vigora de forma provisória desde 1º de maio apenas na parte comercial. O Tribunal de Justiça da União Europeia analisa a legalidade do texto completo, e o Senado Federal informou que a análise pode levar até dois anos. O regulamento europeu contra o desmatamento passa a valer em 30 de dezembro para médias e grandes empresas e exige geolocalização das áreas de produção de soja, carne bovina, café, cacau, óleo de palma, borracha e madeira. (Especial para O HOJE)
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