Caiado será vital em Goiás e decisivo na eleição presidencial
Tudo em 2026 vai depender do governador, da vice de Daniel às candidaturas de senador e presidente da República, pois são seus os discursos da segurança pública, do agro e da direita com experiência em realizar
Não se sabe quem serão os candidatos a presidente e a vice representantes da direita e do centro. Não se sabe quem serão os vices de Daniel Vilela (MDB), Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL). Mas de uma coisa a certeza é absoluta e confiável: Ronaldo Caiado será decisivo nas urnas estaduais e federais. No momento, está governador de Goiás, mas daqui a 80 dias passa o cargo para Daniel, seu vice. No momento, está pré-candidato ao Palácio do Planalto, sede do Executivo federal, mas muito pode ocorrer até 5 de agosto, prazo final para as convenções partidárias. Para onde pender, seu exemplo arrastará.
Quem esteve com o governador nos últimos dias de 2025 e se arriscou a entabular conversa acerca de sua volta tomou uma invertida. Caiado simplesmente rejeita o assunto, quer nem saber de Legislativo num cenário em que está favorável chegar ao Palácio do Planalto. Como “favorável” se o presidente Lula pode ser candidato à reeleição e a economia vai bem?
Nenhuma economista está imune ao exterior
Por ele ser o único nome de seu grupo e do espectro ideológico que representa. Qualquer solavanco nas finanças populares vai atingir 100% dos envolvidos, ou seja, 1, o presidente. Por outro lado, que é o da direita, na qual Caiado se insere, há uma profusão de alternativas. Também existe o fato de a exigência suprema do eleitorado, a segurança pública, ser identificada com um único pretendente capaz de resolvê-lá: Caiado.
Alguns elementos amarram a velocidade dos atores alheios à geografia do espetáculo, pois é imprescindível ser do eixo SP-RJ, natural ou adotivo. Outro impeditivo é a ausência de estrutura partidária e política, que Caiado até tem, mas está composta por muitos oportunistas cuja sigla é PR — são fiéis a quem estiver na Presidência da República.
No âmbito regional, o compasso é de espera. Aguardam-se as definições, já que uma coisa é correr o Estado com Caiado na carroceria da caminhonete, outra são as carreatas com eu, eu mesmo e Irene. As chapas majoritárias têm oito vagas, a de governador, a do seu vice e duas de senadores, com dois suplentes para cada.
Quem tem e quem não dispõe de gente
Trabalha-se hoje com a perspectiva de três candidatos fortes ao governo (Daniel, Marconi e Wilder), meia dúzia é citada como companheira do trio na condição de vice e uma dúzia é tida como provável presença para o Senado. Desses, à exceção do deputado federal Gustavo Gayer (PL) como senatoriável junto com Wilder, os demais são falados para compor com Daniel.
Caiado está correto em afastar eventuais discussões sobre desistir, um termo ausente de seu dicionário. A palavra adequada, se fosse o caso, seria praticidade. Ele é um homem prático. Alguém vai a seu gabinete pedir apoio para ser candidato a prefeito. É bem recebido, porém dias depois fica sabendo o resultado: o governador acha que você deve reunir mais condições para querer a ascensão ao posto. Foi o que ocorreu com o próprio após idas e vindas no desejo de cumprir a biografia e ser a 5ª geração da família a alcançar o Senado (leia mais nesta página). No seu caso, o motivo é que ainda existem chances para Caiado ser presidente da República.
Os demais Estados são mais populosos. Seus representantes, no entanto, estão longe da expertise de Caiado. Desde meados dos anos 1980, é ele o maior líder do setor que sustenta o Brasil, a agropecuária. Durante a Assembleia Constituinte, mesmo sem cargo, foram dele as mais incisivas participações na defesa da propriedade, do País como ambiente de negócios.
No Congresso Nacional, como deputado federal e senador, foi de Goiás a voz mais forte e límpida em prol de quem trabalha e produz. Portanto, não apareceu agora tentando um cargo desse vulto, primeiro tornou-se um vulto para então aparecer procurando a chance de equiparar a presidência a seu ocupante. Pode ser vice em alguma chapa de presidenciável, para conseguir apoios dos agropecuaristas e das famílias intranquilas com a segurança. Porém, está há quase meio século se preparando para assumir o que o eleitor lhe proporcionar.
Gracinha pode aumentar bancada do União em 300%
A opção da primeira-dama Gracinha Caiado cintila para senadora. Se já pululam alternativas para suas suplências, imagine se o candidato for seu marido… Na história de Goiás, diversas mulheres tiveram e têm destaque na política, desde a pioneira Berenice Artiaga, deputada estadual de 1951 a 1959, pelo PSD, mãe de Índio do Brasil Artiaga, prefeito de Goiânia (1979/82), dono de cartório no Setor Oeste e do posto de combustível preferido de Jair Bolsonaro na BR-153, o Cacique, entre Terezópolis e Anápolis. Berenice entrou na vaga que seria do marido, Getulino Artiaga, assassinado numa briga política quando pedia voto para a reeleição à Assembleia em Nova Aurora, a 35km de Catalão, no Sudeste goiano.
Quatro ex-primeiras-damas foram deputadas federais: Lúcia Vânia (Irapuan Costa Jr., 1975/79), Maria Valadão (Ary Valadão, 1979/83), Íris de Araújo (Iris Rezende, 1983/86 e 1991/94) e Lídia Quinan (Onofre Quinan, 1986/87). Delas, duas chegaram ao Senado, primeiro como suplente (Íris, de Maguito Vilela), depois como duas vezes eleita (Lúcia). Isso não significa que Gracinha teria de começar pela Câmara dos Deputados ou suplente de alguém para depois ser candidata. Ronaldo Caiado começou a carreira sendo candidato à Presidência da República (em 1989), mas só tentou o Senado um quarto de século depois, em 2014.
Partindo dessa premissa, que não é falada nas hostes governamentais, Gracinha poderia ser suplente de Ronaldo Caiado (sugestão que ela e ele devem abominar), o casal ocupando as duas vagas na chapa de Daniel ou ele de senador e ela de deputada federal. Caiado preside o Diretório Regional do União Brasil e uma de suas missões, como a dos demais dirigentes partidários, é aumentar a bancada na Câmara dos Deputados.
Em 2022, o UB elegeu dois, a campeã Silvye Alves e o médico Zacharias Calil, famoso por separar siameses. Gracinha encabeçando a nominata do partido, esse número seria facilmente multiplicado por 3. Tendo por base a mais recente eleição, foram 3.447.199 votos válidos para deputado federal, divididos pelas 17 vagas, 202.776 para se mandar um para Brasília. A lista do UB está muito mais competitiva, com novidades aprovadas no nível de Pedro Sales (Goinfra) e Fátima Gavioli (Educação). Somando-se Gracinha, não seria difícil prever no mínimo seis eleitos nem inédito. Em 1982, o PMDB fez 11; em 1986, 12; em 1990, 10; em 1994, 7; em 1998, 8.