Michelle Bolsonaro reage ao desfile que mostrou “neoconservadores em conserva”: “Fé exposta a escárnio”
Ex-primeira dama criticou o desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula e satirizou conservadores. Para Michelle a apresentação expôs a fé cristã ao “escárnio” e ultrapassou os limites da laicidade do Estado
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) criticou, neste domingo (15), o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, na Marquês de Sapucaí, durante o Carnaval do Rio de Janeiro, e afirmou que a fé cristã foi alvo de zombaria. A manifestação ocorreu após a apresentação de uma ala que satirizou grupos conservadores, em um enredo que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e fez críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A ala intitulada “neoconservadores em conserva” retratou famílias dentro de latas, com referências à defesa da chamada “família tradicional” e a segmentos ligados ao agronegócio, à elite econômica, a apoiadores da ditadura militar e a grupos religiosos evangélicos. A representação gerou reação imediata de parlamentares e lideranças da oposição.
Evangélica, Michelle afirmou que o Brasil é um Estado laico, mas ressaltou que o princípio da laicidade não autoriza ataques à religião. “A fé cristã foi exposta ao escárnio em nome da cultura travestida de politicagem. Dizem que nosso país é laico, mas laicidade não autoriza zombaria, nem humilhação”, declarou em publicação nas redes sociais.

A ex-primeira-dama também cobrou um posicionamento da Frente Parlamentar Evangélica e defendeu a adoção de medidas institucionais diante do episódio. Aliados avaliam a possibilidade de ações judiciais contra a escola.
Parlamentares da oposição se somam às críticas
Além de Michelle, outras lideranças políticas se manifestaram contra a apresentação. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e os senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Damares Alves (Republicanos-DF) classificaram a ala como ofensiva e inaceitável.
Em publicações nas redes sociais, Flávio Bolsonaro acusou o governo federal de utilizar recursos públicos para promover uma homenagem ao próprio presidente. Já o senador Sergio Moro (União-PR) ironizou o desfile ao afirmar que “faltou o carro da Odebrecht”, em referência à Operação Lava Jato.
Michelle também usou suas redes para rebater a representação do ex-presidente Jair Bolsonaro como um palhaço atrás das grades. “Só para registrar um fato histórico: quem foi preso por corrupção foi Luiz Inácio Lula da Silva. Isso é registro judicial, não opinião”, escreveu.
Posicionamento da escola de samba
Em nota, a Acadêmicos de Niterói afirmou que a ala teve caráter crítico e simbólico, representando setores que fazem oposição ao atual governo, especialmente grupos identificados com o bolsonarismo. Segundo a agremiação, o objetivo foi retratar o neoconservadorismo no contexto político contemporâneo.
A escola destacou que as fantasias buscavam ilustrar diferentes segmentos sociais e ideológicos, sem intenção de atacar diretamente crenças religiosas.
Homenagem a Lula e críticas a Bolsonaro
O desfile da Acadêmicos de Niterói abriu a noite de apresentações de domingo e teve como eixo central a trajetória política de Lula, desde sua origem como operário até sua atuação como líder político nacional.
Na comissão de frente, um ator representando Jair Bolsonaro apareceu caracterizado como palhaço e, em seguida, foi encenado atrás de grades, em uma representação que ganhou repercussão nas redes sociais e provocou reação de aliados do ex-presidente.
Lula acompanhou o desfile em um camarote da Prefeitura do Rio de Janeiro, ao lado do prefeito Eduardo Paes (PSD) e de ministros do governo.
Repercussão política
A homenagem ao presidente e as críticas a seus adversários transformaram o desfile em um novo foco de disputa política entre governo e oposição. Parlamentares bolsonaristas avaliam intensificar a pressão institucional contra a escola, enquanto aliados do Planalto defendem a liberdade artística e cultural.
O episódio reforça o ambiente de polarização política no país e amplia o debate sobre os limites entre manifestação cultural, crítica política e respeito às crenças religiosas no espaço público.