Um terço das crianças em idade escolar sofre com problemas de visão

Postado em: 27-03-2017 às 06h00
Por: Sheyla Sousa
Para especialista, cuidado é importante para evitar sequelas ainda maiores

Wilton Morais

Dados do ministério da Saúde apontam que 30% das crianças em idade escolar apresentam algum problema de visão. O problema também é confirmado pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), que registra que de 3% a 10% das crianças com idade entre 7 a 10 anos precisam usar óculos. A Oftalmologista do Instituto Panamericano da Visão com foco em estrabismo e oftalmopediatria Cinthia Mendonça de Melo Almeida explica que a visão humana é formada ainda nos primeiros cinco anos de vida. 

O fator justifica os dados, porém, é preciso cuidado com a visão. “É muito comum os vários problemas visuais não serem percebidos na infância. Essas crianças apresentam sequelas visuais – baixa de visão – que poderiam não existir pelo tratamento nos primeiros 5 a 7 anos de vida”, considera a médica.

A aluna Gabriela Vitória, é estudante de uma escola pública em Aparecida de Goiânia. Ela já utiliza óculos e possui Glaucoma – grupo de doenças oculares que provocam danos irreparáveis no nervo óptico. “Às vezes eu tenho que ler mais de duas vezes porque vejo muita escuridão. Meu médico disse que eu tenho que usar óculos todos os dias. Em outros momentos já tenho que retirar os óculos para melhorar minha visão”, relata a estudante. 

Já Mateus Andre Ferreira Soares, 4 anos, está usando o seu primeiro óculos. Para sua mãe, Simone Ferreira Soares os efeitos são perceptíveis e apontam a melhoria da visão. “Ele se sentiu bem melhor. Está fazendo a diferença, quando está sem os óculos o Mateus aproxima os livros dos olhos”, conta. Ao fazer os exames médicos de visão, seis meses após ter colocado os óculos, o menino aproveita os resultados positivos. “A professora comentou, agora não tenho mais reclamações”, disse.

Tecnologias 

De acordo com médica Cinthia, alguns sinais podem dizer se uma criança está com problemas de visão. São dificuldades para enxergar de longe e/ ou de perto, dor de cabeça e necessidade de aproximar os objetos do rosto. O mesmo acontece com a televisão. “As dificuldades para enxergar podem aparecer logo após um esforço visual”, explica a médica. 

A estudante Gabriela também possui miopia e a médica alerta para o aumento de casos. “As pesquisas científicas revelam um aumento importante do número de casos de miopia em crianças e adolescentes, atribuídos ao uso excessivo das tecnologias de perto, a exemplo, tabletes, computadores e celulares. O que temos feito é orientado os pais e responsáveis pelas crianças sobre a importância de limitar o tempo de uso dessas tecnologias”, sugere a médica.

Perigo

É importante que os pais, avós, professores e responsáveis por alunos na fase escolar, fiquem atentos a tomar as providências, quando a criança apresenta algum dos problemas. “A escola deve encaminhar os mesmos para uma avaliação oftalmológica. Lembrando que é muito importante que todos os recém-nascidos façam o teste do olhinho ao nascimento e que sejam avaliadas pelo oftalmologista, anualmente até os sete anos de vida”, ressalta a médica.

Ao estipular que as escolas encaminhem alunos que apresentam dificuldades visuais nesse período de vida, o professor ou coordenador colabora para a correção ainda em tempo hábil. As consequências de um problema ocular não tratado podem ser sérias e afetam diretamente o desempenho escolar. “A prevalência dos erros refracionais ou ametropias ainda na infância podem causar prejuízos na formação e desenvolvimento escolar e psicossocial da criança se não diagnosticado e corrigido”, explica Cinthia. Além disso, a oftalmologista alerta que o não tratamento pode gerar sequelas oculares pela formação inadequada da visão. 

Principais alterações de visão na fase escolar: 

– Ambliopia (baixa de visão produzida por um desenvolvimento anormal da visão nos primeiros 5 anos de vida): o tratamento é feito no máximo até os 7 anos de vida com oclusão , óculos e correção da causa 

– Ametropias (miopia, astigmatismo e hipermetropia): a correção é feita com óculos ou lentes de contato 

– Alergias oculares: o tratamento é feito com o uso de medicação 

– Estrabismo: o tratamento é feito com o uso de oclusão, óculos e cirurgia 

Compartilhe: