Campanha nacional de vacinação contra a gripe em Goiás começa dia 4 de abril

Os primeiros grupos começam a receber as doses no dia 4 de abril

Postado em: 31-03-2022 às 08h40
Por: Redação
Os primeiros grupos começam a receber as doses no dia 4 de abril | Foto: Pedro Pinheiro

Por Ítallo Antkiewicz

Goiás dá início no próximo dia 4 de abril à campanha de vacinação contra a gripe, seguindo calendário da Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza. Segundo o Ministério da Saúde (MS), a imunização diminui a carga do vírus e reduz os sintomas e também auxilia no diagnóstico diferencial para a Covid-19. A campanha ocorrerá em duas etapas. A meta do governo é vacinar 90% de todos os grupos que integram o público-alvo da campanha.

Na primeira etapa, entre os dias 4 de abril e 2 de maio, serão vacinados idosos com 60 anos ou mais e trabalhadores da saúde. Na segunda, de 3 de maio a 3 de junho, serão crianças de 6 meses até 4 anos, gestantes e puérperas, indígenas, professores; pessoas com comorbidades, com deficiência, membros de forças de segurança e salvamento e das Forças Armadas; caminhoneiros e trabalhadores de transporte, portuários, funcionários do sistema prisional, adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medida socioeducativa e pessoas privadas de liberdade.

Continua após a publicidade

No caso das crianças de 6 meses a menores de 5 anos que já receberam ao menos uma dose da vacina Influenza ao longo da vida, deve-se considerar o esquema vacinal com apenas uma dose em 2022. Para as crianças que serão vacinadas pela primeira vez, a orientação é agendar a segunda aplicação da vacina contra gripe para 30 dias após a primeira dose.

A Superintendente de Vigilância em Saúde de Goiás, Flúvia Amorim, afirmou que as doses das vacinas devem chegar ao Estado na próxima semana e a campanha deste ano vai acontecer junto com a do sarampo. Serão distribuídas 80 milhões de doses da vacina de influenza, contemplando cerca de 76,5 milhões de pessoas que fazem parte dos grupos considerados prioritários. A campanha deve ser realizada até o dia 3 de junho. O dia D de mobilização nacional está previsto para o dia 30 de abril.

O Ministério da Saúde alerta para a importância da vacinação dos grupos prioritários para evitar surtos da doença, que pode sobrecarregar os serviços de saúde e até levar à morte. Segundo a pasta, os 80 milhões de doses da vacina Influenza trivalente, produzidas pelo Instituto Butantan e eficaz contra as cepas H1N1, H3N2 e tipo B, estarão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).

A vacina contra influenza utilizada pelo SUS é produzida pelo Instituto Butantan. A formulação é atualizada anualmente para que a dose seja efetiva na proteção contra as principais cepas do vírus em circulação. A vacina trivalente inclui a proteção contra as cepas H1N1, H3N2 (incluindo a cepa Darwin, responsável por um surto no final de 2021) e tipo B.

Importância da imunização

Secretário de Saúde de Goiânia, Durval Pedroso alerta para o prazo entre a vacina contra a Covid-19 e a influenza. “A aplicação da H1N1 acontecerá de forma simultânea às doses da vacina contra a Covid-19, por isso, o Ministério da Saúde (MS) orienta que entre uma vacina e outra seja respeitado o prazo de 14 dias, sendo que a vacina contra a Covid-19 deve ser ministrada primeiro e somente depois a pessoa deve tomar a Influenza”, reforça.

O secretário alerta também para a importância da vacinação contra a influenza. “A adesão da campanha pela população continua sendo de suma importância para evitar complicações, internações e a mortalidade decorrentes das infecções pelo vírus H1N1. Ainda mais neste momento de pandemia, em que devemos fazer de tudo para evitar a sobrecarga aos sistemas de saúde e oferecer proteção aos grupos que são mais vulneráveis,” ressalta.

Infectologista e professor do Centro Universitário São Camilo, Sérgio Zanetta ressalta que a vacina contra a gripe faz parte do calendário do Programa Nacional de Imunizações (PNI) desde 1999, quando foi realizada uma campanha direcionada para pessoas com mais de 65 anos. Agora, a vacina está disponível para várias faixas etárias. “A vacina para influenza já existe há algum tempo e é segura. É importante acreditar nas informações científicas e na razão de a vacina existir”, afirma o especialista.

Zanetta lembra que a vacinação contra a gripe deve ser feita anualmente, já que a composição da vacina é produzida de acordo com as cepas (famílias de vírus) circulantes naquele ano, seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O infectologista alerta que as vacinas são de suma importância, pois são sinônimo de liberdade. “Ir e vir está repleto de riscos. Entretanto, um dos mais preocupantes é o de adquirir doenças durante viagens ou no nosso dia a dia. As vacinas nos dão mais qualidade de vida e segurança para seguir adiante com nossos projetos pessoais”, ressalta.

“A imunidade que adquirimos na infância, seja por meio das vacinas ou do contato direto com os microorganismos, pode não ser constante. Assim, podemos ficar expostos na idade adulta às doenças que já tivemos na infância, devido à perda progressiva da capacidade de resposta imunológica, a qual ocorre naturalmente com o passar do tempo”, esclarece Zanetta.

Surto de gripe

Em dezembro de 2021, várias capitais apresentaram uma alta incidência de casos de gripe causada principalmente pela linhagem Darwin, que não fazia parte da composição da vacina utilizada no hemisfério Sul no ano passado.

O fenômeno incomum de aumento de casos também foi associado à baixa cobertura vacinal contra a gripe, à flexibilização das medidas de restrição adotadas como prevenção à Covid-19 e ao relaxamento da etiqueta respiratória, que inclui o uso de máscaras, a higienização das mãos e o distanciamento social.

A vacinação contra a gripe também é uma das estratégias de enfrentamento da pandemia de Covid-19. Como a gripe e a infecção pelo novo coronavírus são duas doenças respiratórias, a proteção contra uma é complementar à outra. A imunização ajuda a prevenir o surgimento de complicações e óbitos e contribui para reduzir o fluxo de atendimento nos serviços de saúde.

No Brasil, a campanha de vacinação de 2021 não atingiu a meta de contemplar pelo menos 90% de todos os indivíduos que integram os públicos-alvo. No geral, apenas 72,8% das pessoas elegíveis para tomar a dose contra a influenza foram aos postos de saúde durante a campanha do ano passado.

Veja Também