Todos os caminhos levam a… Minas Gerais!

O ‘Essência’ inicia uma série sobre os caminhos que compõem a Estrada Real de Minas, que remonta ao ciclo do ouro e conta parte da História do Brasil

Postado em: 05-09-2016 às 06h00
Por: Redação
O ‘Essência’ inicia uma série sobre os caminhos que compõem a Estrada Real de Minas, que remonta ao ciclo do ouro e conta parte da História do Brasil

Júnior Bueno

A Estrada Real foi um presente da corte portuguesa da época em que o Brasil ainda era sua colônia. Na verdade, ‘presente’ é mais uma força de expressão. As rotas que saiam de Minas Gerais em direção ao litoral do Rio de Janeiro serviam para escoar ouro, diamante, café, gado e escravos. O tempo passou e hoje a rota é um dos principais roteiros turísticos do Brasil. A estrada compõe ao todo 1.600 km, de Minas Gerais ao Rio de Janeiro, e está dividida em quatro grandes trechos: o Caminho dos Diamantes, o Caminho Velho, o Caminho Novo e o Caminho do Sabarabuçu. 

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Os caminhos levam a cidades históricas, cachoeiras, trechos de Mata Atlântica e Cerrado e sítios arqueológicos, até terminar nas cidades portuárias de Paraty e Rio de Janeiro, pontos finais dos caminhos Velho e Novo respectivamente. Se você ainda não conhece Minas Gerais, uma sugestão é fazer este roteiro, que é recheado de história, cultura, gastronomia e muita aventura. E, para começar, vamos pelo Caminho dos Diamantes (que nome mais bonito!). Em 1729, as pedras preciosas de Diamantina ganharam destaque nas economias brasileira e portuguesa. O Caminho se destaca por suas belezas naturais de tirar o fôlego e seus recantos repletos de histórias, além de possuir uma gastronomia singular.

De maneira completa, ele vai de Ouro Preto a Diamantina – e o próprio fato de unir essas duas incríveis cidades históricas já diz tudo. O Caminho dos Diamantes passou a ter grande importância, a partir de 1729, quando as pedras preciosas de Diamantina ganharam destaque nas economias brasileira e portuguesa. Além da história de seus municípios, da cultura latente e da gastronomia típica, o Caminho dos Diamantes destaca-se pela beleza natural.     

O viajante percorre 395 km divididos em 18 planilhas na companhia da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço e de suas paisagens exuberantes. Para quem percorre o caminho no sentido Diamantina – Ouro Preto, 178,3 km serão entre subidas curtas e longas, sendo que uma das mais longas é a do trecho entre Itapanhoacanga e Santo Antônio do Norte, mas, como um todo, o nível de exigência física é menor.  Em boa parte dos percursos existem poucas opções com áreas sombreadas, principalmente entre Diamantina e Bom Jesus do Amparo.     
Para quem percorre no sentido Ouro Preto – Diamantina, dos 395 km, 173,3 km oscilam entre subidas curtas e longas, sendo que uma das mais longas é entre Santo Antônio do Norte e Itapanhoacanga e entre Serro e Diamantina, mas, como um todo, o nível de exigência física é maior. Normalmente, os viajantes gastam em média oito dias para percorrer de bicicleta e 27 dias a pé, mas isso varia com o tom que o turista quer dar a sua viagem. Dos 395 quilômetros, 26% estão asfaltados (105,9 km) e 0,5% são trilha (2 km). Os outros 73,5% são de estrada de terra (289 km).     

Além das belezas históricas das cidades citadas e de Mariana, há a Mina da Passagem, a única mina de ouro no Brasil ainda aberta a visitação, matas fechadas em alguns pontos e vistas incríveis. E mais: um aqueduto construído pelos escravos, em 1792, chamado Bicame e as ruínas de Congo Soco. O lugar, ocupado pelos ingleses, tem ruínas que guardam lembranças do período da exploração do ouro em Minas Gerais. O conjunto de ruínas é tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha) desde 1995. Uma capela católica, datada de 1780, foi a única construção que pôde ser restaurada. A vila resiste às chuvas e aos ventos para provar que existiu.

Ouro Preto

Impossível visitar Ouro Preto sem se encantar com a riqueza de detalhes das igrejas e casarios feitos em estilo barroco e com as peças de arte que estão expostas a céu aberto e dentro de museus. Vale conhecer ao menos uma das minas onde exploravam ouro na época do Brasil Colônia. Como se isso não bastasse, a cidade ainda é um dos locais mais animados do País quando o assunto é comemorar o Carnaval. 
Dentre os principais pontos turísticos, está a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar, que reúne entalhes das três fases do barroco mineiro e é um dos templos com maior quantidade de ouro do Brasil: 400 quilos. Nos seis altares laterais, estão representadas irmandades e grupos sociais da época. O Museu de Arte Sacra, no subsolo da sacristia, exibe imagens de Nossa Senhora do Pilar, Santa Bárbara e Nossa Senhora da Conceição. 

A igreja São Francisco de Assis foi projetada por Aleijadinho, responsável pelo medalhão da fachada e o lavabo da sacristia. O forro da nave foi pintado por Mestre Athaíde, que levou mais de dez anos para terminar a obra. No altar-mor, os painéis e quadros laterais também são de sua autoria. A Igreja Nossa Senhora do Carmo foi um dos últimos projetos do arquiteto Manuel Francisco Lisboa, pai de Aleijadinho, construída em estilo rococó – a última fase do barroco, menos carregada de ouro. É a única do estado com painéis de azulejos portugueses, na capela-mor. Reúne peças de Aleijadinho e pinturas de Mestre Athaíde.
São muitos os museus que estão à disposição em Ouro Preto. Destaque para o Museu da Inconfidência, instalado no prédio da antiga Casa de Câmara e Cadeia: lá, estão restos mortais de 16 inconfidentes; o Museu do Oratório, com mais de 160 oratórios dos séculos 17 ao 20, e o Museu de Arte Sacra, com vestimentas de fios de ouro, livros e até um mausoléu construído para o funeral simbólico de D. João V, Rei de Portugal, morto em 1750.

Mariana

Não se assuste com a repentina fama internacional de Mariana, após o rompimento da barragem da mineradora Samarco, no ano passado. O acidente dizimou os subsdistritos de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, distantes entre 30 e 40 km da área urbana do município e dos principais pontos turísticos e históricos do local. Dos males, o menor: é possível visitar a cidade e desfrutar de seus pontos turísticos. Muitas pessoas que percorrem o Circuito do Ouro de Minas Gerais preferem se hospedar em Mariana por ser uma cidade bem mais tranquila e com menos ladeiras do que Ouro Preto.

Para quem vai de Belo Horizonte, a Rua Direita fica logo na entrada do Centro Histórico e recebe este nome, pois nela moravam as pessoas direitas, ou seja, pessoas com prestígio na cidade, o que conferia a elas virtudes como “moral e bons costumes”. Um pouco mais à frente está a antiga Catedral Basílica da Sé, um dos mais antigos templos da cidade. É uma das mais ricas do Brasil e foi construída no século 18. Vista por fora, parece bem simples, mas por dentro impressiona pela riqueza. A igreja fica na Praça Cláudio Manoel. O escultor Aleijadinho deixou a sua contribuição para esta igreja com algumas obras.

Um pouco mais acima da Basílica da Sé, no coração do Centro Histórico de Mariana, estão as Igrejas de São Francisco de Assis e de Nossa
Senhora do Carmo, uma de frente para outra. Dentre elas, há um pelourinho que, junto às igrejas, formam um belo conjunto arquitetônico. Do outro lado da rua,  está a Casa da Câmara e Cadeia, importante construção da cidade, pois foi construída para abrigar a Câmara e, mais tarde, o prédio serviu como senzala, local de fundição de ouro e sede do governo estadual. Hoje, o prédio é sede Câmara Municipal de Mariana. Os quatro pontos turísticos, juntos,  formam a Praça Minas Gerais e o local é um dos mais famosos da cidade.

Diamantina

Mesmo depois que os diamantes que seguiam para Portugal escassearam, a região continuou em evidência – primeiro, por conta de suas personalidades, como Xica da Silva, a escrava que teve vida de rainha ao se casar com um contratador português, e o ex-presidente Juscelino Kubsticheck, o filho mais ilustre. Depois, em função do título de Patrimônio Cultural da Humanidade, concedido pela Unesco, em 1999, e que revelou ao mundo um cenário intocado formado por igrejas barrocas e casario colonial espalhados por ruas calçadas em pedra e iluminadas por lampião.

As construções históricas do século 18 enchem de charme o Centro de Diamantina. São belas igrejas, sobrados e casarões suntuosos que remetem ao período colonial, quando a vida no arraial girava em torno da extração de pedras preciosas. Destaque para as casas do Muxarabiê – com influência arquitetônica árabe ; da Glória, com passadiço aéreo, e de Xica da Silva. Também merecem visita o Museu do Diamante, a igreja de Nossa Senhora do Carmo, a Casa de Juscelino Kubitschek e o Mercado Municipal.

Diamantina, porém, descortinou ainda muitos outros encantos. Exibiu a moldura exuberante formada pela Serra do Espinhaço, salpicada por grutas e cachoeiras. Uma estradinha de terra e muita poeira leva às graciosas vilas de Milho Verde, Biribiri e São Gonçalo do Rio das Pedras. Cercadas por trilhas, cachoeiras, caminhos de pedra e recantos perfeitos para saborear quitutes da culinária mineira, revelam um pedaço da história onde o tempo parou.

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