Após quatro meses em alta, produção industrial cai 0,4% em junho

Já em relação a junho de 2021, o mercado caiu em 0,5%.

Postado em: 04-08-2022 às 09h09
Por: Ana Bárbara Quêtto
Os dados foram divulgados nesta terça-feira (2/8), pelo IIBGE e fazem parte da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) | Foto: Reprodução

Em junho, a produção industrial brasileira apresentou uma queda de 0,4%, após quatro meses consecutivos em alta, já que o último recuo havia sido em janeiro, com 1,9%. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (2/8), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e fazem parte da Pesquisa Industrial Mensal (PIM).

No primeiro semestre, o setor acumulou uma redução de 2,2% e ainda se encontra 1,5% abaixo do número atingido anteriormente à pandemia, registrado em fevereiro de 2020. Em 12 meses, também houve uma retração de 2,8%, pior resultado desde março de 2021 (-3,1%). Já em relação a junho de 2021, as atividades caíram cerca de 0,5%.

O gerente da pesquisa, André Macedo, explica que, mesmo com quatro meses sequenciais de crescimento – período com alta acumulada de 1,8% – a indústria não havia se recuperado da perda de janeiro. “Isso reflete as dificuldades que o setor industrial permanece enfrentando, como o aumento nos custos de produção e a restrição de acesso a insumos e componentes para a produção de bem final”, disse Macedo.

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“Nesse sentido, o comportamento da atividade industrial tem sido marcado por paralisações das plantas industriais, reduções de jornada de trabalho e concessão de férias coletivas”, complementou.

Para André, com o resultado de junho, o saldo negativo de -0,5% visto em 2022 teve uma acentuação ao ser comparado com o valor de dezembro 2021. Ele afirma que, quanto à demanda, os fatores que mais influenciam negativamente a indústria são a taxa de juros elevada e a inflação.

Além disso, há, ainda, um grande número de desempregados no Brasil. Apesar da queda na taxa de desocupação nos últimos meses, o contingente de desempregados no país é de aproximadamente 10 milhões. O gerente também cita a diminuição de renda das famílias brasileiras.

“A característica dos postos de trabalho que estão sendo criados aponta para uma precarização do mercado de trabalho e isso é refletido na massa de rendimento, que não está crescendo. Todos esses aspectos são fatos importantes e ajudam a explicar esse saldo negativo do setor industrial”, observou.

 Atividades econômicas

A queda do mercado industrial em junho, em comparação a maio, foi encontrada na maioria das atividades econômicas analisadas pela pesquisa. O segmento de produtos farmoquímicos e farmacêuticos foi o mais afetado, sofrendo um baque de -14,1%, sendo que nos dois meses anteriores tinha acumulado um crescimento de 5,3%.

Segundo André Macedo, esse tipo de setor possui uma volatidade maior de taxas. “No início do ano, houve queda na produção dos produtos farmoquímicos e farmacêuticos e, em abril e maio, ocorreu essa alta. Com o crescimento acumulado, o segmento tinha uma base de comparação mais elevada, o que justifica essa retração de dois dígitos”, contou.

Atrás dos produtos farmacêuticos, o setor de coque – mercadorias derivadas do petróleo e biocombustíveis – caiu em 1,3%. “Nessa atividade, os itens que mais impactaram negativamente foram o álcool e os derivados do petróleo. Mas, mesmo com a queda, esse segmento opera 4,5% acima do patamar pré-pandemia, ou seja, tem um comportamento distinto da média da indústria”, ressaltou.

Além desses dois setores, outras quatro atividades contribuíram para o resultado negativo. Máquinas e equipamentos caíram em -2% e metalurgia decaiu em -1,8%. Já equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos tiveram um declínio de -2,8% e outros equipamentos de transporte em -5,5%.

A Pesquisa Industrial apontou, ainda, que o mercado de veículos teve um crescimento de 5,9%. Esse indicador está relacionado à expansão na produção de automóveis e caminhão-trator para reboques e semirreboques.

Macedo pontua que, embora o resultado não agradável, há, ainda, uma volta para esse campo negativo. “Apesar do recuo de junho, a intensidade da queda vem se tornando menor: no primeiro trimestre do ano, havia uma perda acumulada de 4,4% e, no primeiro semestre, o recuo é de 2,2%. Essa diminuição da magnitude das perdas é observada também em todas as grandes categorias econômicas”, concluiu.

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