15º Salão do Artesanato reúne talento de artesãos de todo Brasil

Evento segue até domingo (8) em Brasília.

Postado em: 06-05-2022 às 09h36
Por: Agência Brasil
Evento segue até domingo (8) em Brasília | Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Mais de 3 mil quilômetros separam Roraima de São Paulo. No entanto, bastam 20 passos para ver, de perto, a diversidade entre os dois Estados. Começou na quarta-feira (4), no centro de Brasília o 15º Salão do Artesanato, edição que tem como tema Raízes Brasileiras. O salão reúne, no shopping Pátio Brasil, mais de 40 mil peças artesanais produzidas em todas as 27 unidades federativas. Até o próximo domingo (8), os visitantes poderão ver, também por meio de oficinas e ateliês, a diversidade de materiais, técnicas e cores dos universos que compõem as peças feitas à mão por artesãos de todas as partes do Brasil.

Pajé, parteira e artesã

O estande de Roraima apresenta materiais, trançados, formas e tintas de sete etnias indígenas. Dependendo da fibra utilizada e das tranças feitas, estabelecem-se formas e resistências para itens que ajudam no dia a dia de índios Wapixana, Macuxi, Taurepang, Yanomami, Ingaricó, Ye’kuama e Wai-Wai que vivem naquela região. Pode-se, ainda, conversar com a pajé, parteira e artesã da Aldeia Canauani, Vanda Domingos Macuxi, de 64 anos. Seus conhecimentos sobre artesanato tiveram como origem a mãe, para então serem repassados aos filhos.

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Em meio a colares, cocares, saias, bolsas, cestas de fibras para carregar mantimentos e tipoias para carregar bebês, ela explica como algumas tonalidades de tinta são obtidas: “umas são à base de casca; outras à base de folhas, sementes ou raízes”, disse ela à Agência Brasil. Alguns desses elementos são usados por ela também na função de pajé, papel que, segundo a própria, lhe dá a atribuição de “abrir caminhos para fortalecer a saúde, a partir dos conhecimentos sobre a floresta”, explica a guia espiritual. “A verdade é que tudo está ligado, porque tanto os remédios como as questões espirituais têm relação com a natureza”, completou.

Pedras e joias

A poucos passos dali, os elementos artesanais são completamente diferentes, inspirados nos movimentos, nas dinâmicas e nas formas encontradas na maior metrópole do país: São Paulo. Essas imagens urbanas estão presentes no artesanato do designer de joias, desenhista e pintor José Américo, de 44 anos. “Eu misturo prédios e joias”, resume o artesão que também faz pinturas com o dedo em azulejos, influenciadas por traços que vão desde o grafite até as paisagens pintadas por sua avó. “A isso, eu acrescento vários elementos urbanos”, explica.

Esses elementos urbanos, segundo ele, incluem as aranhas e escorpiões cada vez mais comuns na urbe paulistana e nas joias ali expostas, em busca de compradores. Essa relação comercial é o que dá a ele – em meio às dificuldades de movimentação decorrentes da poliomielite adquirida quando criança – condições de sobreviver ‘razoavelmente bem’. Em 2005, aos 23 anos, José Américo viu suas dificuldades de locomoção ficarem ainda maiores naquele ambiente urbano. “Fui atropelado, nessa cidade que prioriza transporte sobre quatro rodas. Desde então, o artesanato ficou ainda mais relevante para a minha sobrevivência”, disse.

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