Cena cultural goiana: perspectivas de Carlos Brandão no ‘Papo Xadrez’

Postado em: 01-06-2022 às 10h54
Por: Redação
A trajetória profissional do produtor posta em paralelo com o desenvolvimento da cidade | Foto: Pedro Pinheiro

Por Guilherme de Andrade

Foi transmitido na última segunda-feira (30) o décimo quinto episódio do podcast ‘Papo Xadrez’. Os apresentadores Felipe Cardoso e Yago Sales receberam o produtor cultural, músico, escritor, jornalista e compositor Carlos Brandão, 71 anos, para falar mais sobre a cena artística da capital goiana. Da história de homossexualidade de Brandão, passando pelos erros e acertos de sua vida profissional até finalizar a transmissão com um pouco de música ao vivo: esse encontro segue disponível na íntegra no canal Youtube ‘Papo Xadrez’.

Com mais de cinco décadas trabalhando com a vida cultural de Goiânia, Carlos é certeiro ao afirmar: “Para mim é a melhor cidade que tem no mundo”. O vilanovense declarado fala de suas primeiras experiências com produção nos bares do centro da cidade, e conta também dos trabalhos que já realizou junto ao governo. Brandão continua sua atuação com a produção cultural ainda hoje, com um foco maior em lançar nomes da nova geração. “Tenho me surpreendido com a qualidade do trabalho que vi e ouvi”, finaliza sorrindo.

“Meu plano B sempre foi a música”, afirma Brandão, que hoje tem centenas de trabalhos seus gravados por dezenas de artistas ao redor do mundo. Carlos fala que a música sempre esteve em segundo plano porque sempre precisou trabalhar em outros empregos para se sustentar. “Quem é artista de fato periférico, não pode se dar ao luxo de viver de música, de arte em geral, a maioria não vive…”, a crítica resume a frustração inicial enquanto músico.

Ao longo da transmissão, que ultrapassou a marca das uma hora e meia, o produtor cultural frequentemente fala de seus ‘filhos’, que não os biológicos. Carlos conta que são pessoas que a vida trouxe e que, por uma razão ou outra, ele acabou as ajudando e as ‘adotou’ com o tempo. Ele se torna referência paternal para muitos que passavam por momentos difíceis. “Brandão é para–raio de doido”, ironiza. O produtor reforça o valor que dá aos filhos que a vida lhe deu, e conclui dizendo que a eles “eu ensinei o máximo de humanidade possível”.

Carlos fala brevemente de sua atuação na política: desde a adolescência, “na época do Lyceu”, já se envolvia com os protestos de partidos e engajamento político, durante o auge da ditadura militar. O compromisso político com aquilo que acredita não sumiu. Com o passar do tempo, com seu trabalho já reconhecido, ele já chegou a integrar o governo de Henrique Santillo, mas hoje afirma orgulhoso que “recuso convites para política”.

Na voz dos apresentadores

“Receber Brandão, que já é uma referência pessoal na minha vida há tantos anos, para o podcast é uma enorme honra e prazer”, o apresentador Yago Sales sintetiza os sentimentos gerais no pós-encontro com Brandão. Ele continua dizendo que a atuação profissional de Carlos “se confunde com a própria vida cultural da cidade”. Concluindo, o apresentador brinca: “Só não tinha certeza se ele vinha com a camisa do Vila Nova ou não”.

Felipe Cardoso, também apresentador do ‘Papo’, não poupou elogios ao descrever o encontro. “A forma como ele encara a vida, se compromete com as causas em que acredita e ainda mantém um espírito tão leve é o que o torna uma referência para tantos ”, Felipe destaca os melhores momentos da conversa. “Fiquei feliz que, apesar da humildade, ele conseguiu tocar o violão e mostrar um pouco de seu trabalho para nós”, finaliza o apresentador.

Nos últimos episódios

O produtor cultural e compositor Carlos Brandão foi o décimo quinto convidado do ‘Papo Xadrez’. Desde as primeiras conversas, com Matheus Ribeiro e Zé Capeta, até os últimos encontros, com Sarah Frota e Carlos Brandão: o podcast consolida a qualidade e variedade de sua produção a cada episódio. As quinze transmissões que já aconteceram até aqui estão disponíveis no canal Youtube ‘Papo Xadrez’.

Na décima quarta transmissão, os apresentadores Felipe Cardoso e Yago Sales bateram um papo com a lutadora de MMA e professora de artes marciais Sarah Frota Lima, conhecida como ‘A Treta’. Durante a conversa, Sarah falou de sua história pessoal, dos bastidores do MMA e também de seu trabalho voluntário em bairros periféricos como professora de artes marciais e de defesa pessoal. A Treta resume sua inspiração: ““Eu vejo o esporte como instrumento de transformação social”.

Às vésperas do dia internacional do combate a homofobia, transfobia e bifobia, o ‘Papo Xadrez’ recebeu as ativistas trans Amanda Souto e Beth Fernandes. Elas contam, no 13° episódio do podcast, sobre suas trajetórias profissionais enquanto advogada e psicóloga, respectivamente, e também, de suas práticas cotidianas com a militância. Amanda alerta para um longo caminho de desconstrução e reconstrução: “eu sou muito adepta de que a gente só vai mudar pela educação”.

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