A conexão de uma nação

Postado em: 09-06-2022 às 09h18
Por: Lanna Oliveira
O espetáculo conta com DJ Nyack, Carlos Café do Pandeiro, Mônica Agena, Rodrigo,Digão e Jhow Produz, na composição da banda | Foto: Reprodução

Baseados no afeto, no respeito e no amor grandes nomes da música preparam apresentação para o festival João Rock. Céu, Criolo e Emicida aproveitam a ocasião para estrearem o espetáculo ‘Amor, Ordem e progresso’, projeto que revela um cunho social. Três nomes relevantes da música se juntam para construir com o público um propósito, um conceito de nação. O show-manifesto ocorre no sábado, 11 de junho, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, no palco de um dos mais enérgicos festivais do Brasil.

“O amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim”. Esta afirmação do positivista
francês Auguste Comte foi a inspiração para a frase que, hoje, protagoniza o centro da
bandeira do Brasil. Em alguns períodos da história, pensadores e artistas sugeriram, em vão,
que a palavra ‘amor’ fosse acrescentada à sentença. Agora, em um momento de retomada das
atividades e da agenda de shows, Céu, Criolo e Emicida reforçam a importância do afeto, do
respeito e do amor serem incluídos na bandeira.

Por meio do encontro ‘Amor, Ordem e progresso’, os artistas têm o intuito de contaminar a
sociedade com o desejo de construir uma identidade nacional que abarque a diversidade e a
pluralidade do povo brasileiro. O espetáculo inédito será dividido em três atos: ‘Sankofa’, ‘A
Nave’ e ‘Ainda há tempo?’. Cada um destes blocos é responsável por conduzir a linha narrativa
e o sentimento desejados pelo trio. Além de músicas dos três cantores, o repertório é
costurado ainda por canções que são pilares da cultura brasileira.

Na primeira parte, as músicas ‘Boa Esperança’, ‘Convoque Seu Buda’, de Emicida e Criolo,
respectivamente, e ‘Vapor Barato’, sucesso na voz de Gal Costa, são as escolhidas para
representar a ‘Sankofa’. Nome da filosofia africana que diz que é importante retornar ao
passado para ressignificar o presente e construir o futuro. O segundo ato tem como objetivo
capturar o público pelo sentimento. Céu apresenta ‘A nave vai’ e ‘Malemolência’; Criolo entoa
‘Não Existe Amor em SP’ e ‘Duas de Cinco’; enquanto Emicida surge com ‘AmarElo’ e ‘Hoje
Cedo’.

Para encerrar a apresentação, no último bloco aparecem músicas que questionam o atual
estado de espírito do povo brasileiro, mas deixam uma mensagem de fé e esperança para a
sociedade. ‘Nada Será como Antes’, do Clube da Esquina; e ‘Carinhoso’, de Pixinguinha, são
pérolas resgatadas para este final, junto de ‘Varanda Suspensa’ (Céu), ‘Menino Mimado’
(Criolo) e ‘Principia’ (Emicida). A construção das duas horas de apresentação é feita para que
as pessoas saiam do show de forma diferente e se sintam preparadas para impactar a sua
comunidade.

Repleto de achados e conexões com quem já gritou a mesma causa, o espetáculo diz além da
mudança da frase da bandeira nacional. Os artistas querem que a mensagem seja ouvida,
absorvida e colocada em prática, sabendo que há um caminho. “‘Amor’ precisa entrar na

bandeira do Brasil para que, lá no futuro, nos lembremos que essa palavra está ali por um
motivo: a ausência do amor como política pública custou a vida de mais de 650 mil pessoas.
Qual é a magnitude dessa destruição?”, afirmou Emicida em entrevista.

O show será uma verdadeira viagem no tempo, ressaltando como a cultura popular brasileira
sempre esteve à frente do seu tempo. Fazendo-se necessário que as novas gerações sigam se
expressando de forma contundente, denunciando a desigualdade social e reivindicando um
contexto mais inclusivo e humano. Assim como os movimentos abolicionistas, o modernismo e
o tropicalismo foram contra a censura e o retrocesso, esse espetáculo quer resgatar a essência
e a força de resistência presente na música e na cultura brasileira.

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