Declaração de óbito de mãe de Luciano Hang foi fraudada pela Prevent Senior, diz dossiê

Dossiê elaborado por 15 médicos que afirmam ter trabalhado para a operadora de saúde Prevent Senior, material que foi entregue à CPI.

Postado em: 22-09-2021 às 14h47
Por: Luan Monteiro
Dossiê elaborado por 15 médicos que afirmam ter trabalhado para a operadora de saúde Prevent Senior, material que foi entregue à CPI | Foto: Reprodução

Um dossiê elaborado por 15 médicos que afirmam ter trabalhado para a operadora de saúde Prevent Senior entregue a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, aponta que a declaração de óbito de Regina Hang, mãe do empresário Luciano Hang, “foi fraudada”. As informações são do Jornal Estadão.

Hang é um apoiador do presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) e teve participação no incentivo ao uso de medicamentos sem eficácia comprovada para o tratamento da Covid-19, como Hidroxocloroquina e Azitromicina. Segundo os médicos, a suposta fraude na declaração de óbito de Regina Hang é um dos “inúmeros casos que não foram devidamente noticiados”. O relato sobre a mãe do empresário consta do capítulo “Da suposta fraude nas declarações de óbito”, do dossiê de mais de 60 páginas entregue à CPI.

As supostas irregularidades em procedimentos da operadora de saúde foram denunciadas, a princípio, pela GloboNews.

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O presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), afirmou nesta quarta-feira (22/09), que Luciano Hang “tinha condições de levar a sua genitora para a lua, porque tem dinheiro para isso”. “Mas leva para a Prevent Senior. E lá, segundo as informações, no atestado de óbito não consta que ela veio a óbito por covid”.

Em publicação no Instagram, o empresário disse que a mãe estava assintomática e com “quase 95% do pulmão tomado” quando foi levada ao hospital. Regina Hang foi internada no Hospital Sancta Maggiore, da rede Prevent Senior, em São Paulo.

Os documentos apresentados apontam que ela foi internada em 31 de dezembro e morreu em 3 de fevereiro. No prontuário, segundo os médicos, havia informação sobre o início de sintomas, em 23 de dezembro, e adoção de tratamento precoce, com hidroxicloroquina, azitromicina e colchicina antes da entrada na Prevent Senior. Ela teria recebido ivermectina e tratamentos experimentais após a internação, segundo os médicos.

Ainda na publicação, o empresário disse que “até ser diagnosticada com covid-19, eu nunca dei nenhum medicamento para prevenção a minha mãe”. Luciano Hang disse que a mãe era cardíaca, tinha diabetes, insuficiência renal, sobrepeso e tomava “20 comprimidos/dia”. “Eu me questiono: será que se eu tivesse feito o tratamento preventivo, eu não teria salvado a minha mãe?”, continuou.

Porém, segundo o dossiê, a alegação do empresário “não condiz com as informações do prontuário”. Segundo os médicos, “o prontuário médico da sra. Regina Hang prova que ela utilizou o kit antes de ser internada e que repetiu o tratamento durante a internação, assim como registram que seu filho, sr Luciano Hang, tinha ciência dos fatos”.

“Como outros tantos casos de óbitos na rede Prevent Senior decorrentes da covid-19 que não foram devidamente informadas às autoridades, a declaração de óbito da sra. Regina Hang foi fraudada ao omitir o real motivo do falecimento”, diz o documento.

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