A luta de Marighella contra censura continua mesmo após 52 anos de sua morte

Desde o anúncio da produção, o filme já enfrenta ataques e ‘burocratização’ da Ancine | Foto: Reprodução/Divulgação

Postado em: 24-10-2021 às 15h59
Por: Almeida Mariano
Desde o anúncio da produção, o filme já enfrenta ataques e ‘burocratização’ da Ancine | Foto: Reprodução/Divulgação

Depois de ter o lançamento adiado por dois anos, o filme “Marighella” ganhou nova data de estreia.  A nova data, 4 de novembro de 2021, marca os 52 anos do assassinato do guerrilheiro brasileiro.

O filme “Marighella” é o primeiro trabalho de Wagner Moura como diretor. Entre o elenco, estão presentes o Seu Jorge, que interpreta o protagonista e contracena com Bruno Gagliasso, e nomes como Adriana Esteves, Humberto Carrão, Rafael Lozano, Luiz Carlos Vasconcelos, Herson Capri e Bella Camero.

Produzido em 2018, o filme estreou mundialmente em 2019, no Festival de Berlim, onde foi aplaudido de pé. Além da aclamada exibição em Berlim, o filme também foi exibido em outros festivais internacionais em Seattle, Hong Kong, Sydney, Santiago, Havana, Istambul, Atenas, Estocolmo e Cairo.

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O longa conta a história de Carlos Marighella, deputado cassado que se tornou guerrilheiro durante a ditadura militar do Brasil. O período da narrativa vai de 1964 até a violenta morte de Marighella em uma emboscada em 1969. A obra é inspirada na biografia escrita pelo jornalista Mário Magalhães.

Com a história envolvendo a ditadura, e o cenário político atual, o filme não consegue estrear comercialmente no Brasil desde 2019, mesmo tendo sido selecionado em Chamada Pública da Agência Nacional do Cinema (Ancine) . Em 2 de julho deste ano, por meio de uma diligência interna, uma gestora do setor de análise técnica e seleção de projetos da Ancine chegou encaminhar o arquivamento do projeto de lançamento comercial do filme.

Foto: Reprodução/Divulgação

Wagner Moura sempre atribuiu tal dificuldade à uma espécie de censura do governo de Jair Bolsonaro, que tem uma oposição ideológica em relação ao personagem central do filme. Em 2018, Bolsonaro até tentou se incluir entre os “heróis” que fizeram a perseguição à Carlos Marighella. Porém, no período em que percorre a narrativa, Bolsonaro não passava de um adolescente que só tinha 14 anos na época.

O político, escritor e guerrilheiro chegou a ser considerado o grande inimigo do regime militar, o qual o atual presidente Jair Bolsonaro e seus seguidores tanto saúdam. E com isso, antes mesmo da estreia no Brasil, “Marighella” já tem mais de 45 mil avaliações no site agregador de filmes e séries “IMDb”. A nota média devido à essas avaliações atinge a negativa de 3,6, de um total de 10. 

O filme se tornou centro de controvérsias desde o início da produção. De modo que se transformou em um objeto de discussão entre apoiadores e detratores. Sendo assim, o ato de negativar suas avaliações um tipo de protesto público contra o seu lançamento.

‘’A repetição desse ataque desesperado ao filme é significativa do que tenho dito. Ela diz mais sobre o estado das coisas no Brasil, do que sobre o filme que fizemos. Gosto do fato de o filme incomodá-los ao ponto deles organizarem suas milícias digitais para dar notas baixas a uma produção que ainda não estreou. Mas, claro, sobretudo lamento termos que passar por isso. Da última vez o IMDB entendeu o que estava acontecendo e derrubou a ação dos robôs da milícia. Espero que o façam de novo.’’, afirma Wagner Moura.

Clique aqui para assistir o trailer oficial do filme.

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