“Vocês são profissionais em distorcer?”, diz Anitta a senador Luiz do Carmo após manifestações no Lollapalooza

Postado em: 28-03-2022 às 08h56
Por: Ícaro Gonçalves
No decorrer dos três dias do festival, diversos cantores e cantoras expressaram ao público críticas, e por vezes ofensas ao presidente Jair Bolsonaro | Foto: Reprodução

Na noite do último domingo (27/3), o senador goiano Luiz do Carmo (MDB-GO) teceu críticas à cantora Anitta, após ela incentivar manifestações políticas em meio ao festival Lollapalooza Brasil. As críticas vieram em resposta a um vídeo publicado pela cantora, no qual repudiava a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de proibir artistas que cantavam no Lollapalooza Brasil de expressarem apoio a pré-candidatos nas eleições deste ano.

“Proibir a gente de manifestar nossa insatisfação com o governo atual é censura. (…) Eu vou lutar com todas as minhas armas. Briguem aí meus amigos, quem quiser se manifestar, eu pago a multa de vocês”, afirmou Anitta em suas redes sociais. Em resposta, o Luiz do Carmo (MDB), aliado de Bolsonaro (PL) e que foi alvo de inúmeras críticas durante o festival, pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) que agissem contra a cantora.

“Agora veremos se o TSE e STF usam dois pesos e duas medidas. Anitta incentiva que artistas difamem Jair Bolsonaro durante seus shows, que ela pagará a multa. O STF e o Min. Alexandre de Moraes tem a oportunidade de demonstrarem que não fazem perseguição ao Presidente”, publicou em resposta.

A troca de farpas não ficou por aí. Ao ser mencionada no tweet do senador, Anitta respondeu afirmando que Luiz estava distorcendo suas falas. “Vocês são profissionais em distorcer a palavra alheia? Eu não to incentivando ninguém a difamar ninguém. Estou defendo o direito de todos de expor sua insatisfação com o governo. Beijos”, respondeu.

Decisão do TSE

No decorrer dos três dias do festival, diversos cantores e cantoras expressaram ao público críticas, e por vezes ofensas ao presidente Jair Bolsonaro, além de apoiarem o pré-candidato do PT, Lula da Silva. Em reposta, o partido de Bolsonaro entrou em ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pedindo a proibição das manifestações.

O TSE acatou parcialmente o pedido e determinou que novas manifestações favoráveis a pré-candidatos no festival Lollapalooza Brasil estariam sujeitas a multa de R$ 50 mil. Segundo o PL, houve crime de propaganda eleitoral antecipada durante os shows de Pabllo Vittar e Marina, que declararam apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo a Lei Eleitoral, as campanhas começam oficialmente em 15 de agosto. Na decisão, o ministro Raul Araújo, relator do processo, ressalta que a Constituição Federal assegura a livre manifestação do pensamento, “a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”. No entanto, os artistas mencionados no processo “fazem clara propaganda eleitoral em benefício de possível candidato ao cargo de Presidente da República”.

“Os artistas e cantores referidos que se apresentaram no evento musical, além de destilar comentários elogiosos ao possível candidato, pediram expressamente que a plateia presente exercesse o sufrágio em seu nome, vocalizando palavras de apoio e empunhando bandeira e adereço em referência ao pré-candidato de sua preferência”, diz o ministro no documento.

Colaborou Alexandre Paes

Compartilhe: