Pilha de ossos humanos e animais é descoberta em caverna na Arábia Saudita

Postado em: 15-10-2021 às 16h44
Por: Maria Paula Borges
Milhares de ossos foram encontrados e pertencem a pelo menos 14 tipos de animais, incluindo humanos | Foto: Archeological and anthropological sciences/Via BBC

Uma enorme pilha de ossos de animais foi descoberta por arqueólogos no Noroeste da Arábia Saudita, provavelmente acumulados por hienas nos últimos 7 mil anos. Foram centenas de ossos encontrados e pertencem a pelo menos 14 tipos de animais, incluindo gado, caprídeos, cavalos, camelos, roedores e até mesmo humanos. A ossaria foi encontrada em Umm Jirsan, uma extensa rede de túneis formados por atividades vulcânicas.

As descobertas foram publicadas na revista científica Archaeological and Anthropological Sciences. De acordo com Mathew Stewart, autor principal do estudo e zooarqueólogo do Instituto Max Plank para a Ciência da História Humana, na Alemanha, o envolvimento de hienas foi contatado pela análise de cortes, mordidas e marcas de digestão de ossos. “A hiena-riscada (Hyaena hyaena, também conhecida como hiena-raiada ou hiena-listrada) é um acumulador de ossos muito ávido”, afirmou Stewart ao site Gizmodo.

Desde 2007 os pesquisadores investigam a área, no campo de lava Harrat Khaybar, mas apenas há alguns meses foram às profundezas da caverna. Foram analisados 1.917 ossos e dentes recuperados do local e chegaram à conclusão que tinham entre 439 e 6.839 anos.

Segundo estudos, ao mesmo tempo que as hienas são caçadoras também são carniceiras, portanto, matam alguns animais e acumulam restos mortais de outros. A presença de fragmentos de crânio humano constatou o sinal de que hienas estavam por trás da pilha de ossos. “(As hienas) parecem não estar realmente interessadas em calotas cranianas. Encontramos talvez cinco ou seis calotas cranianas com marcas de mordidas, mas apenas as calotas. Nada mais”, acrescentou.

Além disso, a caverna Srbsko Chlum-Komin, na República Tcheca, tem mais de 3,5 mil ossos bem preservados de grandes mamíferos coletados pelas hienas.

O novo estudo é parte do Projeto Paleodesertos, que consiste em rastrear a migração humana e animal pela Península Arábica. O clima severo árabe dificulta a tarefa, uma vez que altas temperaturas podem quebrar ossos e desintegrar quando tocados. “O mais surpreendente é quão bem preservado está o material, e quanto material existe, visto que na Arábia Saudita não temos restos de animais, na verdade”, disse Stewart.

Compartilhe: