Usuários do Twitter temem deturpação do debate público após aquisição por Elon Musk; entenda

Postado em: 26-04-2022 às 11h57
Por: Ícaro Gonçalves
Com a aquisição do Twitter por Musk, críticos avaliam que isso pode dar espaço à proliferação de discursos de ódio e a conteúdo extremista hoje barrado pelas regras da rede social | Foto: Reprodução

O multibilionário Elon Musk, dono das empresas Tesla e SpaceX, confirmou a compra do Twitter por US$ 44 bilhões nesta segunda-feira (25/4). A expectativa é de que a operação seja concluída ainda esse ano, após passar pela aprovação dos acionistas e de órgãos reguladores. O anúncio, porém, tem preocupado especialistas, que receiam que sob a direção Musk, o Twitter possa se tornar um antro de discursos de ódio sem moderação.

A preocupação não é por acaso. Elon Musk já se posicionou em diferentes momentos como um “absoluto [defensor] da liberdade de expressão”, defesa corriqueiramente usada por grupos libertários e de extrema-direita ao redor do mundo para tentar legitimar discursos de ódio. No Brasil, por exemplo, grupos bolsonaristas se respaldam num teórico “direito” de liberdade de expressão absoluta para fazerem ataques a movimentos de oposição e a instituições democráticas, como ao pedir o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF)

“A liberdade de expressão é a base de uma democracia em funcionamento e o Twitter é a praça da cidade digital onde assuntos vitais para o futuro da humanidade são debatidos”, afirmou Musk, em comunicado, após a confirmação da aquisição.

Entre as alterações esperadas no Twitter, estão mudanças na forma de moderação de conteúdo; avanço da monetização — como é a chamada a geração de receitas a partir de publicações e o impulsionamento de conteúdo mediante pagamento; restrições a bots (perfis automatizados); avanço da verificação de perfis; além de maior transparência ao algoritmo da plataforma, a tecnologia usada para personalizar o conteúdo exibido para cada usuário.

Opinião pública

Com a aquisição do Twitter por Musk, críticos avaliam que isso pode dar espaço à proliferação de discursos de ódio e a conteúdo extremista hoje barrado pelas regras da rede social. “A lógica de Musk é que os discursos precisam ser livres para serem moderados no mercado de ideias”, observa Christian Perrone, coordenador de direito e tecnologia do ITS (Instituto de Tecnologia e Sociedade) do Rio em entrevista à BBC Brasil.

“No ano passado, o Twitter divulgou no seu blog uma pesquisa que mostra, por exemplo, que em sete países, com milhões de tuítes avaliados, os discursos de direita eram mais distribuídos ou impulsionados do que os discursos de esquerda. Então sabemos que essas plataformas não são neutras, elas interferem na atenção que as pessoas têm sobre conteúdos e, portanto, na democracia e na formação da opinião pública”, disse o professor Sergio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) e pesquisador de redes digitais ao portal.

Em meio à rede social, os usuários já avaliam os riscos futuros, e se podem ou não deixar de usar a plataforma:

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