Cai número de jovens aptos a votar em Goiânia

Goianienses de 16 e 17 anos mostram desinteresse pela política por conta da corrupção

Postado em: 31-08-2016 às 06h00
Por: Redação
Goianienses de 16 e 17 anos mostram desinteresse pela política por conta da corrupção

João Barbosa / Espcial para O Hoje

Os responsáveis pelos votos que serão depositados nas urnas goianienses para a seleção de novos prefeitos e vereadores mudaram de perfil desde a última eleição, principalmente o eleitorado formado por adolescentes, com idades de 16 e 17 anos, em que o voto não é obrigatório. Nas eleições desse ano teremos um eleitorado muito mais velho saindo de casa para decidir o futuro político-administrativo da capital.
De acordo com os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Goiânia teve um aumento total de eleitores de 12,5%, mas o mesmo crescimento não ocorreu nos votantes juvenis residentes na cidade. O número de votantes com idades de 16 e 17 anos passou de 9.170 em 2012 para 5.456 em 2016, totalizando uma diminuição de 40,5% desse eleitorado. Em comparação ao número total de eleitores, há quatro anos esses jovens representavam 1,1% desse total na capital, já neste ano eles representam somente 0,6%. Nacionalmente o mesmo fenômeno pode ser observado, apresentando uma queda de 20,4% no número de títulos solicitados por adolescentes.
Em contrapartida, o eleitorado da capital que se encontra com 70 anos ou mais apresentou um aumento de 39,8% em comparação com as últimas eleições municipais. Em 2012 essa parcela de eleitores representava 4,8% do total de votantes, já este ano o número subiu para 6%. Esse aumento no eleitorado com idade avançada reflete o envelhecimento demográfico no país. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os idosos de 65 anos ou mais representam hoje 8,2% da população, contra 7,2% em 2012.
Mas além do envelhecimento da população, outro fator pode explicar a diminuição do número de adolescentes que solicitaram seus títulos de eleitor: o desinteresse político. De acordo com o professor de Teoria Política e Especialista em Ciências Políticas, Sílvio Costa, os recentes escândalos políticos que estão sendo investigados estão fazendo com que os jovens enxerguem a política somente pela ótica negativa. “Todo o processo de corrupção que está sendo desmascarado em todo o Brasil leva a uma desvalorização da política como um todo”, explicou.
O professor ainda explica que as redes sociais, que estão sendo utilizadas intensamente pelos principais candidatos a prefeito e vereador para atingir os jovens, podem ser uma faca de dois gumes. “As redes sociais são, sem dúvida, muito importantes. Mas o que percebo é a ausência de debates de opinião com nível elevado nessas plataformas. Existe muito material de divulgação circulando, mas também existe muito lixo. Não adianta usar as redes sociais se não tiver conteúdo de qualidade”, esclarece Costa.
A estudante Lays Vieira de Abreu, 16 anos, alega que não tirou o título por dois motivos, o primeiro foi devido a “falta de tempo”, e em segundo lugar a falta de motivação. “Sempre que me lembrava de que poderia solicitar meu título de eleitora eu me desanimava e pensava que isso não faria a mínima diferença para mim ou para o Brasil”, relatou.
O mesmo sentimento é compartilhado pela também estudante de 16 anos Lara de Castro Rios. “Ninguém sabe o que realmente está acontecendo na política, sendo assim, como eu posso escolher entre os candidatos? O que parece é que cada um é mais corrupto que o outro”, pontuou. A estudante também relata que, em sua percepção, não existe um desinteresse dos jovens pela política. “Todo mundo fala sobre política o tempo todo. O problema é que todos estão desacreditados com toda a corrupção e desonestidade do atual grupo de governistas que comanda o país”, conclui a jovem.
Foto: reprodução

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