“A velha política pensa mais em cimento do que em pessoas”, diz Adriana Accorsi

Em entrevista ao jornal O Hoje, a delegada apresentou suas propostas sobre educação, segurança e transporte

Postado em: 14-09-2016 às 06h00
Por: Redação
Em entrevista ao jornal O Hoje, a delegada apresentou suas propostas sobre educação, segurança e transporte

 Mardem Costa Jr., Venceslau Pimentel, Rubens Salomão e João Barbosa

Apesar da queda apresentada nas últimas pesquisas de intenção de voto, a candidata à Prefeitura de Goiânia, deputada estadual Adriana Accorsi (PT), afirma que já esperava dificuldades na campanha devido a crise política no país. Mas apesar das dificuldades, a petista relata que, nas ruas, o sentimento é de reconhecimento. Em entrevista ao jornal O Hoje, a delegada relembrou a carreira política de seu pai, o ex-prefeito Darci Accorsi, discutiu sobre os impactos do impeachment em sua campanha, apresentou suas propostas sobre educação, segurança e transporte, e revelou como será sua relação com os governos estadual e federal, caso seja eleita. Veja trechos da entrevista.

Qual avaliação para essa reta final, apesar dos números mostrarem que a senhora não está numa posição confortável na disputa?
Nossa campanha foi sempre muito dinâmica e com muitas atividades de rua, de contato direto com a população. Gradativamente a campanha vem se intensificando dentro dessa estratégia, com muito contato com os eleitores, por meio de caminhadas, conversando  olho no olho com os cidadãos. Eu não pensava que iria ser fácil, devido ao contexto político, e em especial ao momento em que o PT está passando. Estou preparada para todos os desafios e dificuldades, e quanto a pesquisas, apesar de mostrarem que não estamos numa posição confortável, percebo que temos crescido, e o que sinto nas ruas é o reconhecimento do povo.

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A senhora era muito nova quando seu pai foi prefeito de Goiânia, em 1992. O que te estimulou a entrar na disputa atual?
A administração do meu pai, e a vida política dele, são as minhas grandes inspirações. Mas a verdade é que eu já era uma liderança no PT quando meu pai foi eleito. Apesar de ser muito jovem, eu já era presidente da Juventude do PT, e fui líder estudantil desde os 13 anos de idades. Eu tinha uma participação política muito grande, e por isso acompanhei de perto a administração pública do meu pai; também trabalhei em todas as campanhas dele, tanto para prefeito quanto para governador. Então, essa campanha é como se eu estivesse continuando os sonhos que ele começou quando foi prefeito.

Qual o impacto do impeachment na sua campanha?
Gostaria de dizer que a política, de uma forma geral, assim como todos os partidos, está sendo atingida por esse momento que atravessamos. Quero que todos que praticaram corrupção sejam investigados e punidos, sendo do meu partido ou de outro, o que não é o caso da presidenta Dilma, mas é o caso do Eduardo Cunha, que caiu essa semana, é o caso do Aécio Neves, é o caso do presidente golpista Michel Temer, que possui várias acusações. A política precisa readquirir a credibilidade com a população, e isso só se dá com uma verdadeira renovação nas práticas políticas. Agora, sem dúvida, até por estar na posição mais alta das esferas políticas e administrativas do país por tantos anos, o PT é atingido por essa crise política, e o impeachment da presidenta Dilma é prova disso. Mas já passamos por outros momentos difíceis, e acredito que esse é mais um que iremos superar. Eu me coloco na obrigação de contribuir para uma renovação, tanto para o meu partido, quanto na política de uma forma geral.

Uma pesquisa do Ibope revelou que Paulo Garcia é o prefeito com a pior avaliação dentre as capitais. Isso pode impactar negativamente sua campanha?
Primeiro gostaria de dizer que o prefeito Paulo Garcia é uma pessoa honesta, é um prefeito que deixa uma gestão de seis anos com a reputação ilibada, tendo tomado medidas impopulares para que tivéssemos uma prefeitura com as contas organizadas para que o próximo prefeito ou prefeita tenha possibilidade de investir em políticas públicas que a cidade precisa. Acredito também que o prefeito realizou ações e projetos que ficarão na história de Goiânia, mas ele optou por não divulgá-las.

Faltou um bom investimento na comunicação?
Eu percebo que foi uma opção de não gastar com isso. Muitos prefeitos, neste período de crise, passaram a atrasar o pagamento dos servidores, o que não acontece com os servidores da prefeitura de Goiânia. O Estado de Goiás, por exemplo, tomou várias medidas de contenção de despesas que estão colocando todo o peso a ser pago pelo servidor e pelo povo. Se essa baixa avaliação irá impactar na nossa eleição só as urnas poderão dizer.

O que a prefeitura pode fazer para a segurança?
A administração pode contribuir muito para a segurança pública. Quem discorda disso é quem entende que segurança é só cadeia, viatura e bala. E na verdade não é. O trabalho policial é, na verdade, o final de um processo. O município deve investir na prevenção, referente a inclusão social da criança e do adolescente. Já existiram ações concretas na cidade, mas infelizmente foram descontinuadas na gestão de Iris Rezende, como o programa Cidadão 2000, que era um projeto de política de primeiro emprego. Outro projeto também fechado foram as Escolinhas Esportivas, que atendiam crianças com mais de dez modalidades esportivas. Infelizmente a velha política pensa mais em cimento do que em pessoas. Então, como uma das primeiras providências, irei reabrir as Escolinhas Esportivas e o Cidadão 2000, que terá o nome de Cidadão do Amanhã, além da criação de um programa chamado Mães Pela Paz, que ajudará mães que têm filhos envolvidos com drogas. Também iremos dobrar o número de servidores na Guarda Civil Metropolitana, e quero também ampliar o videomonitoramento na cidade, implantando mil câmeras.

O que a senhora pensa sobre as propostas de transformar a Guarda Civil em uma guarda policial?
Isso é equivocado, porque já temos a Polícia Militar, e cada força tem que cumprir o seu papel. A Guarda Civil tem que atuar na segurança comunitária, percorrendo as ruas, os parques, conversando com as crianças, visitando os comércios.

Quais suas propostas de modo a melhorar o ensino e diminuir a evasão escolar?
Primeiro de tudo, temos que avançar na valorização do servidor educacional, que tem que ter capacitação, salário digno e uma relação de muito diálogo com o gestor. Em segundo lugar, precisamos zerar o déficit de vagas. Esse é um clamor da nossa cidade. E a educação infantil, hoje, não se dá mais nas creches e sim nos Cmeis, que têm um projeto pedagógico muito mais completo do que as creches. Também temos que pensar a educação como um grande meio de transformação social, precisamos de uma cidade mais pacífica e tolerante com as diferenças, pois Goiânia ainda é uma cidade onde existe muito crime de ódio, e a educação é um meio para combater esse problema.

O prefeito Paulo Garcia implantou políticas de transporte diferentes de outras administrações, com ciclovias e corredores exclusivos para o transporte público, causando embates políticos em cima disso. Qual sua opinião sobre a falta de ciclovias ligando as periferias com os terminais?
Além do que você pontuou, uma grande contribuição da gestão do prefeito Paulo Garcia é o BRT. Precisamos concluí-lo, pois é uma solução moderna no Brasil e no mundo. O administrador que assumir, independente do partido, tem que continuar as ações que são importantes para a cidade. Já o corredor exclusivo é um dos caminhos encontrados pelo mundo todo para que o transporte público seja beneficiado. As ciclovias também são outro caminho que vários gestores estão seguindo.

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