Delegado pediu prisão de blogueiros para evitar depoimentos combinados

Na decisão, magistrado negou porque não consta no processo que quais os investigados tenham-se beneficiado com valores fruto da operação ilegal| Foto: Divulgação

Postado em: 23-01-2020 às 12h32
Por: Redação
Na decisão, magistrado negou porque não consta no processo que quais os investigados tenham-se beneficiado com valores fruto da operação ilegal| Foto: Divulgação

Eduardo Marques

O pedido de prisão aos investigados na Operação Sofisma foi negado pelo juiz Luiz Henrique Lins Galvão de Lima porque, segundo a decisão, a solicitação se funda basicamente no impedimento de depoimentos. 

No entanto, para superar tal transtorno bastaria a oitiva simultânea dos investigados. Ainda de acordo com o magistrado, os investigados não são obrigados a colaborar com a autoridade policial, podendo até ficar calados.

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“Embora haja diálogo entre alguns investigados quanto ao alinhamento dos depoimentos a serem prestados, não há provas de que eles embaraçam a investigação, como por exemplo coagindo testemunhas”, afirma a decisão. 

Conforme o juiz, ainda soma-se ao fato de não constar no processo que quais os investigados tenham-se beneficiado com valores fruto da operação ilegal e em quais circunstâncias ainda que pálidas isso teria ocorrido. 

“Uma autorização com tal escopo de indeterminação e sem elementos indiciários subjacentes de transações bancárias e fiscais não satisfaz a proteção constitucional à preservação da intimidade da vida privativa”. 

Com o desenrolar das investigações, contudo, o juiz entende que o panorama poderá ser modificado com o resultado das buscas e apreensões ora deferidas. 

Investigações

A Operação Sofisma investiga fraudes em contratos entre a Agência Brasil Central (ABC), Detran e Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) e sites Canal do Gama, Goiás 24 horas e o blog do Cleuber Carlos. De acordo com o delegado da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (Decarp), Alexandre Otaviano Nogueira, a investigação partiu de uma denúncia do Ministério Público de Goiás (MP-GO), que notou a estranheza na contratação dessas empresas, já que veículos de maior alcance eram preteridos.

“Houve um prejuízo aerário de inicio de 2 milhões e 500 mil reais, porém ainda estamos apurando a quantidade e a extensão do dano” declarou o delegado.

De acordo com Otaviano, os gestores públicos informavam às agência de comunicação intermediadoras quais veículos deveriam ser contratados para veiculação de informações. “Estamos investigando todas as empresas que venceram o certame, bem como as mídias e blogs contratados por essas agências. São 10 agências vencedoras e 3 mídias especificas [contratadas]” completou.

Resposta

Em nota, o radialista e jornalista Luiz Gama, editor do portal de notícias CANAL GAMA, refuta com toda veemência qualquer acusação de pertencer a esquema com objetivo de atacar quem quer que seja através de Fake News ou de outro meio. A reportagem não conseguiu o contato com os demais citados, mas esclarece que o espaço continua aberto, caso haja interesse. 

“Colaboramos 100% com as investigações desde sempre. Somos um portal de notícia com credibilidade e grande audiência. Em agosto de 2019 chegamos a 2.300.000 (dois milhões e trezentos mil) de views. Esta grande audiência do Canal gama está provada em Ata Notarial de cartório público em ação cível que trata do mesmo assunto.

Luiz Gama tem 38 anos de trabalho como radialista e como jornalista nos principais veículos de comunicação do estado de Goiás. Todas as notícias veiculadas no Canal Gama também foram veiculadas nas principais emissoras de TV e jornais de grande circulação em Goiás.

Recebemos mídias de governos nos três níveis. Já anunciamos o Governo federal, o Governo do Estado de Goiás e várias prefeituras. Nossa tabela de preços é a mesma para qualquer tipo de anúncio público.

O nosso estilo crítico e ácido pode até incomodar a muitos, mas é, segundo decisão recente do STF, nosso direito de manifestar, inclusive com deboche.

Temos sofrido sim em Goiás uma enorme perseguição por alguns setores da política goiana, que tem utilizado de todas as formas de intimidação, de assassinato de reputação e de censura. Somos sobreviventes!

Não seremos intimidados por ações injustas e absurdas em qualquer nível, nem por notas maldosas e ou outras ações covardes e igualmente canalhas com intuito de perseguição”.

 

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