domingo, 1 de novembro de 2026
Julgamento

Relator defende pena de 8 anos de reclusão para Marconi Perillo

Ex-governador do estado é acusado de falsidade ideológica eleitoral

Samuel Straiotopor em
Relator defende pena de 8 anos de reclusão para Marconi Perillo
Ex-governador do estado é acusado de falsidade ideológica eleitoral | Foto: Reprodução

Pela segunda vez foi suspenso o julgamento no Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) relativo a recursos criminais de processo do ex-governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB), em que é apurada a possível prática de crime de associação criminosa e fraude processual na campanha eleitoral de 2006. Naquela ocasião, Marconi foi candidato ao Senado. O julgamento do ex-governador foi suspenso após pedido de vista do juiz Márcio Moraes. A defesa alega inocência e que não há irregularidades nos fatos.

Marconi Perillo já havia sido condenado pelo juiz Wilson da Silva Dias, da 133ª zona eleitoral. A pena foi de um ano e oito meses, mas houve reversão na prestação de serviços comunitários e pagamento de R$ 18 mil por uso de caixa 2. Dias ainda absolveu o ex-governador por três outros crimes denunciados pelo Ministério Público. O julgamento atual ocorre após recursos apresentados pela defesa do ex-governador e pelo Ministério Público Eleitoral (MPE). O relator propôs aumento de pena em relação ao que foi analisado em primeira instância.

O julgamento foi iniciado ainda na última terça-feira (27). Houve leitura do relatório, sustentação oral do advogado de Marconi Perillo, Antônio Carlos de Almeida Castro e do Ministério Público e voto do desembargador relator Luís Eduardo de Sousa que negou os argumentos apresentados pela defesa e votou pelo aumento da pena do tucano. Sousa votou pela prisão de Marconi por fraude processual eleitoral, falsidade ideológica e formação de quadrilha. A pena é de oito anos de reclusão e multa no valor de R$ 70.350. Marconi ainda pode perder os direitos políticos. Ele é cotado para disputar cargo de deputado federal nas eleições do ano que vem.

O relator do processo acabou acatando manifestação do procurador do Ministério Público Eleitoral, Célio Vieira da Silva, que acusou Marconi de ser o mentor e principal beneficiário do esquema de captação ilícita de recursos. Tenho, para mim, que restou comprovado que, a partir do núcleo político do grupo, Marconi Perillo exercia a chefia dos seus associados”, e acrescentou: “está caracterizado o vínculo estável e permanente, com divisão de tarefas e papeis definidos, não sendo desprezível o tempo que permaneceram associados durante toda campanha eleitoral de 2006”, destacou Sousa em voto.

O juiz Átila Naves havia pedido vistas do processo na última terça-feira e devolveu o voto nesta quarta. Porém, a posição dele foi distinta do relator, se posicionando pela manutenção da condenação em primeira instância. Na sequência, os desembargadores Alderico Rocha e José Proto acompanharam o voto de Átila Naves. Proto defendeu no julgamento a redução de pena para um ano. Continuando o julgamento, o juiz Márcio Moraes pediu vistas do processo. Moraes já havia pedido vistas em outro processo, no que julga o ex-governador e deputado federal Alcides Rodrigues (Patriota). O parlamentar foi condenado por peculato, associação criminosa e falsidade ideológica. A base da investigação é a mesma. A pena dele foi de 10 anos e 10 meses em regime fechado.

Defesa

Em nota, a defesa do ex-governador Marconi Perillo disse que “tem absoluta confiança no Poder Judiciário’. O julgamento hoje foi interrompido com 3 votos favoráveis à absolvição do ex-governador em relação às acusações de fraude processual e associação criminosa. A defesa aguarda confiante e serenamente a manifestação dos demais desembargadores eleitorais. Em respeito ao Tribunal aguarda o final do julgamento para uma manifestação sobre o processo como um todo e reitera a absoluta convicção na inocência do ex governador”, afirmou.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
Julgamento Marconi Perillo Prisão

Veja também

Senado deve votar PEC da Segurança Pública na próxima terça (3)

Congresso Nacional

Senado deve votar PEC da Segurança Pública na próxima terça (3)

A votação foi marcada pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP)
Justiça manda Meta remover posts que incentivam assédio eleitoral

Redes Sociais

Justiça manda Meta remover posts que incentivam assédio eleitoral

Empresa tem 24 horas para retirar 14 publicações e deverá alertar usuários sobre discriminação...
Articulações começam a movimentar disputa da Prefeitura de Goiânia em 2028 

Próximo pleito à vista

Articulações começam a movimentar disputa da Prefeitura de Goiânia em 2028 

Com fim do pleito de 2026, partidos e personagens políticos da Capital já visam projetos que miram...
Alcolumbre marca votação da PEC da Segurança e reabre debate sobre maioridade penal

Senado

Alcolumbre marca votação da PEC da Segurança e reabre debate sobre maioridade penal

Senado vota PEC da Segurança na terça e pode discutir punição a menores de idade
Caiado

Risco de debandada

Caiado pode levar para o PSD a força política que construiu no União Brasil

Saída do ex-governador abre disputa por prefeitos e lideranças municipais; enquanto PSD tenta ampl...
Reeleição de Lula dificulta negociação do DF para salvar o BRB

CRISE NO BANCO

Reeleição de Lula dificulta negociação do DF para salvar o BRB

Governo de Celina Leão mantém estratégia para obter garantia da União em empréstimo bilionário...
Palácio do Itamaraty

Relações exteriores

Itamaraty convoca diplomata argentina para cobrar explicações sobre fuga de Flávio Bolsonaro

Governo brasileiro quer esclarecimentos sobre possível participação da Argentina na saída do sen...
Indígenas cobram de Lula demarcação de todas as terras até 2030

Carta Aberta

Indígenas cobram de Lula demarcação de todas as terras até 2030

Em carta ao presidente, organizações pedem avanço na regularização de 73 territórios e cobram ...