Goiás deve realizar duas cirurgias de separação de gêmeos siameses
Referência neste tipo de operação, Estado atende dois casos atualmente: as irmãs Lara e Larissa e as gêmeas Kiraz e Aruna
Thais Teixeira
O Estado de Goiás é referência em separação de gêmeos siameses. Atualmente, as gêmeas Lara e Larissa, que possuem 9 meses e 26 dias de vida, cada uma pesa 3,9 kg, elas têm a síndrome do pé torto congênito e compartilham o tórax, abdômen e genitália.
As irmãs compartilham também o pericárdio, que é a membrana que envolve o coração, mas cada uma tem um coração e um pulmão. Os aparelhos do sistema digestivo, reprodutivo e excretor são compartilhados.
As gêmeas chegaram ao Hecad em 25 de janeiro de 2024, para internação na UTI Pediátrica, as duas se alimentam por sonda, e entre as irmãs, Larissa é dependente de oxigênio.
Durante os meses de internação, as gêmeas tiveram paradas cardiorrespiratórias, diversos episódios de dilatação anal, traqueíte, úlceras de pressão, síndrome do desconforto respiratório, hipertensão pulmonar, distúrbios hidroeletrolíticos, sepse e venceram todas as adversidades.
Larissa e Lara que nasceram no hospital e por lá permaneceram até o momento, vão para casa pela primeira vez. O médico referência na separação de siameses Zacharias Calil, que está cuidando do caso das irmãs explicou que o caso é complexo e que a cardiopatia dificultou bastante a sobrevida nos primeiros dias e meses.
“O caso delas é extremamente complexo. A Larissa nasceu com a cardiopatia, que dificulta muito a sobrevida naqueles primeiros dias dos primeiros meses, depois foi realizado o exame juntamente com o cateterismo intracardíaco,no Hugol, foi feito o fechamento no canal que ela apresentava que misturava o sangue no coração”, pontuou.
O médico explicou também que durante esse período aconteceram várias intercorrências mas esse é o momento adequado para elas irem para casa e que o quadro de saúde das crianças é bom apesar delas necessitarem de oxigênio. “É o momento delas virem pra casa, ter mais conforto, melhor qualidade de vida, com alimentação especial, oxigênio, esses cuidados,juntamente com o que foi preparado pela equipe”, disse.
“Elas estão bem, apesar de precisar de oxigênio que pode ser mantido em casa, com baixo volume, a mãe durante todo esse período que ela passou aqui ela aprendeu também a manipular, ela teve um treinamento para que isso pudesse acontecer”, complementou o especialista pediátrico.
Katia Márcia Cardoso, mãe das gêmeas, contou que a casa está preparada para receber as meninas pela primeira vez. “A casa está preparada só para receber as meninas, a gente preparou tudo que tem lá eu ganhei, foi doações que eu fiz entrevista, o pessoal doou, quem não doou móveis, doou dinheiro e eu fui comprando, adequando conforme elas iriam precisar.Então tudo lá é ganhado, tudo que o pessoal me ajudou a conquistar a casinha pra elas, que apartamento”.
A mãe de Lara e Larissa contou que a preocupação existe já que agora com a liberação das gêmeas para casa ela vai realizar os cuidados sozinha em casa, mas ela afirmou que passou por um treinamento para conseguir realizar as atividades.
“Eu fui ensinada pela equipe da UTI, aqui na enfermaria, todos que ajudaram. Assim, já me treinaram e eu ia fazendo e aí eu aprendi tudo pra fazer com ela. Só que agora eu sozinha em casa, então a gente fica mais apreensivo, preocupado, mas vai dar certo”, falou entusiasmada e ansiosa em ver as filhas em casa.
Calil explicou que a família está localizada próximo ao hospital e que o quadro evolutivo das gêmeas vai ser acompanhado semanalmente. Ele também esclareceu que o acompanhamento feito em casa é melhor pois diminui o risco da contração de infecções hospitalares. Em relação a operação, o médico contou que ainda não é possível pois as irmãs ainda não possuem o peso adequado.
“Nós não temos ainda uma previsão de quando poderá ser feito esse dia. Porque elas têm peso suficiente pra isso. Então precisamos de tempo para que elas ganhem peso e que a gente tenha condições de poder fazer uma separação”, finalizou.

CORRELATA
Gêmeas de São Paulo estão quase prontas para operação
As siamesas Kiraz e Aruna, nascidas no interior de São Paulo, passaram por uma consulta médica em Goiânia, no Hospital da Criança e do Adolescente (Hecad) nesta quarta-feira (7). Esta foi a segunda consulta das meninas, de 9 meses, com o cirurgião pediátrico Dr. Zacharias Calil, que está à frente do caso. Kiraz e Aruna compartilham tórax, abdômen, bacia, genitália, intestino, fígado e um ânus, além de possuírem três pernas. Devido à complexidade das áreas compartilhadas, o caso é considerado um dos mais graves dentro da especialidade do Dr. Zacharias Calil.
O objetivo da consulta é acompanhar o progresso das siamesas, que precisarão ganhar peso e, em aproximadamente quatro meses, receber expansores de pele em preparação para a cirurgia de separação. As meninas são de Igaraçu do Tietê-SP. A mãe delas, Liliane Cristina, se mostra conformada com situação também esperançosa. “Eu nunca esperava que ia acontecer, mas Deus sabe todas as coisas. O amor continua o mesmo. O amor é incondicional”, diz ela. O Dr. Zacharias Calil realizou exames de imagem para acompanhar o desenvolvimento das irmãs e ter uma previsão mais concreta do início da preparação com vistas à cirurgia.
O médico contou que os exames de tomografia realizados são feitos para se saber a situação do órgãos e de como funcionará a divisão e que o exame é importante porque além de imagem é possível fazer a reconstrução já se baseando na cirurgia.
Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.