quarta-feira, 24 de junho de 2026
volta da taxa do lixo

Prestação de contas de Mabel é marcada por embates políticos com vereadores

A taxa do Lixo voltou ao debate da Casa com uma nova suposta pesquisa feita pela gestão municipal

João Reynolpor João Reynol em 25 de março de 2025
Prestação de contas de Mabel é marcada por embates políticos com vereadores
Apesar de resistência inicial, prefeito presta contas à Câmara Municipal. | Foto: Alex Malheiros - Secom Goiânia

Após uma resistência inicial, o prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil), se reuniu com vereadores da Câmara Municipal com intuito de prestar contas sobre o último quadrimestre de 2024 do ex-mandatário Rogério Cruz (Solidariedade). Contudo, a sessão extraordinária da Comissão Mista da prestação de contas, exigida segundo a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), se tornou um mais um palco de embate político entre os vereadores e a gestão que obstruiu o debate aprofundado dos dados financeiros do município. 

Além disso, algumas das poucas informações apresentados já tinha sido ventilados pelo Mabel a sua gestão como uma suposta dívida no valor total de R$ 3.647.285.401,62 que são centradas em duas áreas da gestão, a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) e a Instituto Municipal de Assistência a Saúde dos Servidores Públicos (IMAS) em dívidas não contabilizados. Por outro lado, revelou também que a gestão de Cruz nos dois últimos anos de 2023 e 2024 gastou mais que arrecadou, o que é em discordância da LRF e passível de uma ação de improbidade administrativa. 

Debate sobre a “Taxa do Lixo” volta a Câmara

A partir desse embate, a polêmica da criação de uma Taxa de Limpeza Pública (TLP), popularmente conhecida como “Taxa do Lixo”, voltou ao debate com o prefeito após parecer favorável à inconstitucionalidade do tributo pela procuradora Fabiana Lemes Zamalloa do Ministério Público de Goiás (MPGO) após ação do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) pela vereadora Aava Santiago, e com assinatura conjunta do Partido dos Trabalhadores (PT). 

De início, Mabel agradeceu a situação pelo apoio com o texto da lei foi concebido seguindo o custeio da limpeza pública pela TLP. Do mesmo modo, afirmou que o desconto feito por subsídio do tributo, entendido como inconstitucional da forma como foi postulado pelo MPGO, seria uma “justiça social” para a população, uma vez que o tributo poderia superar o valor de R$ 2000 para custear cerca de R$ 750 milhões a R$ 1 bilhão, maior que a arrecadação do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU). Este valor se baseia no custo total da limpeza pública que foi repassada para o contribuinte. Com o desconto, a expectativa de retorno da gestão é de apenas R$ 278 milhões. 

Com isso, Santiago reafirmou a defesa da suspensão do tributo para que a taxa seja feita sem as irregularidades e inconstitucionalidades apontadas pelo MPGO. “O que eu peço é a suspensão da Taxa do Lixo para que a prefeitura coloque os estudos técnicos que justifiquem uma discrepância tão grande de um goianiense poderia pagar R$ 250 e o outro vai pode pagar até R$ 1600.”  

Além da vereadora, a parlamentar Kátia Maria (PT) também defendeu a suspensão do tributo pela tramitação apressada do projeto de lei que foi aprovado em pouco menos de um mês. “Como que cria [o tributo]? O Marco Regulatório [do Saneamento] diz que [a taxa pode ser criada] caso necessário [custear a limpeza pública], mas a prefeitura não sabe se é necessário, a Câmara não sabe nem o TCM-GO.”

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Em contrapartida, Mabel afirmou pela primeira vez desde o sancionamento que há um estudo técnico de impacto sobre como a prefeitura encontrou os valores da taxa pontuados pelo relator da matéria, Léo José (Solidariedade). Porém, quando questionado sobre o compartilhamento da pesquisa pela parlamentar Santiago, Mabel respondeu que mostraria para a vereadora, contudo, não entrou em detalhes. 

Em seguida, o vereador e líder de governo de Mabel na Câmara, Igor Franco (União Brasil), falou a favor da taxa como mecanismo para o custeio da limpeza pública. Em uma leitura de um documento não intitulado, Franco afirmou que a taxa é legítima e está dentro da lei, bem como foi extensivamente debatida dentro do parlamento municipal. “Quero que alguém me ensine como pagar conta sem dinheiro.”

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