quarta-feira, 24 de junho de 2026
INVESTIGAÇÃO

Justiça bloqueia R$ 46 mil de aluguel de hospital usado em filme sobre Bolsonaro

Parte do valor pago por produtora de Dark Horse a hospital em São Paulo foi penhorada durante execução de dívida milionária; longa também é alvo de investigações

Luma Silveirapor Luma Silveira em 24 de junho de 2026
Bolsonaro
Dark Horse, filme inspirado na trajetória de Jair Bolsonaro, segue cercado por controvérsias e investigações sobre financiamento | Foto: Divulgação

A produção de Dark Horse, filme inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, esbarrou em uma disputa judicial envolvendo um dos locais usados nas gravações. A Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de R$ 46,1 mil referentes a parte do pagamento da locação do Hospital Indianópolis, unidade na zona sul da capital paulista utilizada como cenário para cenas de internação do ex-mandatário.

O valor retido corresponde à segunda parcela de um contrato firmado entre a produtora Go Up Entertainment e o hospital, alugado para gravações realizadas no fim de 2025. O espaço foi adaptado para reproduzir ambientes hospitalares ligados ao atentado sofrido por Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018, em Juiz de Fora (MG).

A penhora, porém, não tem relação direta com o longa. O bloqueio ocorreu por causa de uma ação de cobrança movida contra o hospital, que acumula uma dívida judicial de aproximadamente R$ 895 milhões em honorários advocatícios. Durante o cumprimento da ordem judicial, um oficial de Justiça identificou a presença da equipe de filmagem no local e localizou o contrato de locação firmado com a produtora.

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Com base nesse contrato, a Justiça determinou que a parcela ainda pendente fosse depositada em conta judicial vinculada ao processo, impedindo que o valor fosse repassado diretamente à unidade de saúde.

O acordo entre a produtora e o hospital previa pagamento total de R$ 92,2 mil por 46 dias de utilização do espaço. O imóvel serviu não apenas para filmagens, mas também para montagem de equipamentos, ensaios, maquiagem, figurino e adaptações cenográficas. Entre as mudanças realizadas, parte do hospital chegou a ser transformada para simular outros ambientes, incluindo áreas que reproduziam estruturas médicas de Minas Gerais.

Filme segue no centro de apurações

Além da disputa judicial envolvendo a locação, Dark Horse continua no centro de investigações sobre seu financiamento. O projeto passou a ser analisado por autoridades após suspeitas de repasses ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, associado ao Banco Master.

Outra frente de investigação envolve a produtora Karina Ferreira da Gama, responsável pela Go Up. A Polícia Civil de São Paulo apura suspeitas de possível desvio de recursos públicos que teriam sido destinados, de forma indireta, à produção cinematográfica.

Segundo as investigações, o caso envolve contratos da Prefeitura de São Paulo com uma organização social ligada à empresária. Tanto a produtora quanto a administração municipal negam irregularidades.

Com orçamento milionário e cercado por controvérsias, o filme sobre Bolsonaro segue acumulando questionamentos judiciais e políticos antes mesmo de sua estreia oficial.

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