segunda-feira, 17 de agosto de 2026
Reforma eleitoral

Unificar eleições é “absurdo completo”, diz cientista político sobre PEC do fim da reeleição

Proposta prevê mandato único de cinco anos para todos os cargos e unificação das eleições a partir de 2034; para Lehninger Mota, medida pode gerar confusão no eleitor e enfraquecer a representatividade política

Bruno Goulartpor Bruno Goulart em
Unificar eleições é “absurdo completo”, diz cientista político sobre PEC do fim da reeleição
PEC do fim da reeleição é de autoria do senador goiano, Jorge Kajuru (PSB). Foto: Agência Brasil

Bruno Goulart

A PEC 12/2022, de autoria do senador goiano Jorge Kajuru (PSB), que prevê o fim da reeleição para cargos do Executivo, está atualmente travada no Senado Federal após receber uma emenda polêmica. Além de extinguir a possibilidade de um segundo mandato consecutivo para prefeitos, governadores e presidente da República, o texto também amplia o tempo de mandato de quatro para cinco anos e unifica todas as eleições — municipais, estaduais e federais — em um único pleito a cada cinco anos, a partir de 2034.

A proposta é considerada uma das mais amplas reformas político-eleitorais em discussão no Congresso nos últimos anos. No entanto, as mudanças têm gerado críticas de especialistas, especialmente no que diz respeito à unificação das eleições. Ao O HOJE, o cientista político Lehninger Mota classificou como “um absurdo completo” a realização de todas as eleições em uma única data. Segundo ele, a medida pode gerar confusão no eleitorado e comprometer a qualidade do voto.

“Atualmente, o eleitor já encontra dificuldades para distinguir em quem está votando e qual é a função de cada cargo. Imagine em uma eleição onde se vota para vereador, deputado estadual, deputado federal, dois senadores, governador e presidente ao mesmo tempo. Isso é extremamente confuso e tende a sobrecarregar o processo democrático”, afirmou.

Leia mais: Na gestão Mabel, repasses para assistência social têm queda de 77%

Além disso, o cientista político critica o atual modelo de representação proporcional em grandes colégios eleitorais, que segundo ele contribui para o distanciamento entre eleitores e eleitos. Mota defende a adoção de um sistema distrital misto ou puro, que divida estados e cidades em territórios menores com representação direta. “Isso fortaleceria o vínculo entre representante e comunidade, gerando maior identidade e responsabilidade”, defende.

Especialistas também alertam para o risco de que, ao unificar todas as eleições, os debates nacionais sufoquem as pautas locais, tornando o ambiente político ainda mais centralizado. As demandas dos municípios poderiam desaparecer do radar do eleitor e da mídia, dominados por uma narrativa nacional que ofusca as questões específicas das cidades.

A proposta ainda prevê uma transição gradual até 2034 para evitar mudanças bruscas. A ideia é estabelecer uma uniformidade nos mandatos para simplificar o calendário eleitoral, evitando eleições a cada dois anos, como ocorre hoje.

A tramitação da PEC, no entanto, foi interrompida após uma emenda da oposição que reduz o tempo de mandato dos senadores de oito para cinco anos. A versão original previa, ao contrário, a ampliação para dez anos, com renovação de 1/3 e 2/3 a cada cinco anos. A modificação foi criticada por aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que decidiu retirar o projeto da pauta por tempo indeterminado. O senador Eduardo Girão (Novo-CE), defensor da emenda, argumentou que o modelo original traria custo excessivo aos cofres públicos, estimando um gasto de R$ 80 milhões a mais por senador.

Para Lehninger Mota, o debate sobre reeleição e mandatos não deve ser feito com pressa. Ele lembra que a crise de representatividade que atinge democracias no mundo inteiro está mais ligada à fragilidade na relação entre eleitor e eleito do que ao calendário eleitoral em si. “A forma como está desenhado o sistema político, com inúmeros partidos e baixa identificação programática, é o que gera desconfiança. Se for para alterar algo, que seja para tornar mais claras as funções dos cargos e fortalecer os laços com o eleitor”, afirmou.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Veja também

Caiado inicia corrida ao Planalto em Goiás para mostrar força política ao País

Eleições 2026

Caiado inicia corrida ao Planalto em Goiás para mostrar força política ao País

Cientistas políticos avaliam que escolha de reduto eleitoral para iniciar campanha presidencial per...
“O Gama é verde, Arruda é verde”, diz candidato ao GDF em 1º dia de campanha

ELEIÇÕES 2026

“O Gama é verde, Arruda é verde”, diz candidato ao GDF em 1º dia de campanha

Ex-governador começou o dia com missa no SIA e terminou no estádio do Gama, onde relembrou obras d...
Marconi

CORRIDA PELO GOVERNO

“Vamos vencer estas eleições”, afirma Marconi ao lançar campanha em Goianésia (GO)

Ex-governador apresentou propostas e disse que pretende retomar investimentos em saúde, educação,...
daniel vilela

ELEIÇÕES 2026

“O Entorno será a região mais forte de Goiás”, diz Daniel Vilela ao defender continuidade no primeiro dia de campanha

Governador percorreu seis cidades do Entorno do DF ao lado de Ronaldo Caiado e apresentou segurança...
Marconi

CORRIDA PELO GOVERNO

“Haverá segundo turno, com toda certeza”, afirma Marconi em Rio Verde (GO)

Tucano iniciou campanha ao Governo de Goiás neste domingo (16) e apresentou propostas para saúde, ...
Campanha

Eleição

Campanha eleitoral de 2026 começa neste domingo (16)

Início oficial da campanha libera atos de rua e propaganda na internet, enquanto horário eleitoral...
Lula

Eleição

Lula inicia campanha à reeleição em São Bernardo do Campo (SP)

Presidente abriu campanha à reeleição em São Bernardo do Campo com discurso sobre segurança pú...
celina leão

EM BRASÍLIA

Celina Leão inicia campanha ao GDF em Ceilândia ao lado de Michelle Bolsonaro

Governadora escolheu a maior região administrativa do DF para abrir oficialmente a disputa pela ree...