quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Operação Penalidade Máxima

Justiça de Goiás condena três réus em quase 23 anos de prisão por manipulação de resultados no futebol

Investigações seguem com outras ações penais e denúncias contra mais de 20 acusados

Otavio Augustopor em
Justiça de Goiás condena três réus em quase 23 anos de prisão por manipulação de resultados no futebol
Esquema envolvia manipulação de cartões, pênaltis e placares para lucrar em apostas esportivas. Foto: MPGO

A Justiça de Goiás condenou três denunciados pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) por participação em um esquema de manipulação de resultados de partidas de futebol profissional. A decisão é a primeira sentença proferida no âmbito da Operação Penalidade Máxima, investigação iniciada em fevereiro de 2023. O caso foi conduzido pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), pela Coordenadoria de Segurança Institucional e Inteligência (CSI) e pelo Grupo de Atuação Especial em Grandes Eventos do Futebol (GFUT).

Foram condenados Romário Hugo dos Santos, conhecido como Romarinho, Thiago Chambó Andrade e Bruno Lopez de Moura. As penas variam de 5 a quase 23 anos de reclusão, além de multas. De acordo com a sentença, proferida pelo juiz Alessandro Pereira Pacheco, da 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro, os três atuaram em diferentes funções dentro da organização criminosa.

Segundo o processo, Romarinho foi identificado como financiador, responsável por cooptar jogadores e realizar transações financeiras. Ele recebeu pena de 22 anos e 10 meses de prisão. Bruno Lopez de Moura, apontado como intermediário no esquema e responsável por pagamentos, foi condenado a 19 anos de prisão. Já Thiago Chambó Andrade, considerado um dos principais operadores financeiros, foi sentenciado a 5 anos e 9 meses em regime semiaberto.

O MPGO demonstrou que o grupo manipulava ocorrências específicas, como aplicação de cartões, marcação de pênaltis e resultados finais, em jogos dos campeonatos estaduais e das Séries A e B do Campeonato Brasileiro, entre 2022 e 2023. A finalidade era gerar lucro em apostas realizadas em plataformas especializadas.

futebol
Escândalo no futebol com primeiras condenações da Operação Penalidade Máxima. Foto: MPGO

A investigação reuniu interceptações telefônicas, quebras de sigilos bancários e telemáticos, mensagens obtidas de celulares, relatórios financeiros e depoimentos. Segundo a sentença, a estrutura do grupo era estável e contava com núcleos de liderança, intermediação e execução, configurando organização criminosa conforme a Lei 12.850/2013.

Além das penas de prisão, os três condenados deverão pagar, solidariamente, R$ 2 milhões a título de danos morais coletivos. A Justiça permitiu que eles recorram em liberdade, mas impôs medidas cautelares, como a proibição de contato com outros denunciados e de deixar o país.

A quarta fase da operação segue em andamento e já resultou em cinco denúncias contra 23 investigados. Eles respondem por crimes como corrupção ativa e passiva no esporte, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. As denúncias abrangem doze partidas, incluindo jogos da Série A do Brasileirão 2022 e do Campeonato Gaúcho 2023.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
Apostas Esportivas Bruno Lopez de Moura Campeonato Gaúcho condenação futebol brasileiro Gaeco Justiça de Goiás manipulação de resultados MPGO Operação Penalidade Máxima organização criminosa Romário Hugo dos Santos Série A Série B Thiago Chambó Andrade

Veja também