sexta-feira, 21 de agosto de 2026
Política

Sem o governo federal, Estados se reúnem para discutir tarifaço

Após cancelamento de encontro com Alckmin, governadores buscam articulações estaduais

Marina Moreirapor Marina Moreira em
Sem o governo federal, Estados se reúnem para discutir tarifaço
Créditos: Lucas Diener

Governadores da oposição se reuniram para discutir sobre as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos ao Brasil. Isso gerou especulações sobre como os políticos poderiam superar os problemas ocasionados pelas sanções sem estabelecer um bom diálogo com o governo federal. Muito se fala sobre a falta de iniciativa de Lula (PT) em tentar contato direto com Donald Trump, presidente dos EUA, como um possível meio de resolver a situação e amenizar a fúria do líder político norte-americano. Rancor esse que se fundamenta, segundo o governo americano, nas medidas restritivas que o Supremo Tribunal Federal (STF) tem determinado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). 

De acordo com a equipe do governador, Ronaldo Caiado (UB) já participou de duas conferências com o Gabriel Escobar, embaixador dos Estados Unidos em Brasília. Os outros chefes de Estado relataram que vão fazer a mesma coisa, pois estão em busca de contato com empresários que possuem algum tipo de articulação nos EUA. Isso estabelece meios para resolver os problemas em relação às sanções, descreveu a gestão Caiado. 

“Ao final da reunião, os governadores ressaltaram o que acham que o governo federal deveria fazer, que é tentar um diálogo com os EUA  e não se reunir com o governo estadunidense para, apenas, impor as vontades do governo brasileiro. É preciso ter esse tipo de relacionamento, de estratégia e de troca. Isso deve ser feito até nas reuniões dos governadores, para que eles não precisem esperar a presença do governo federal nessas ocasiões para conseguirem tomar ações acertadas”, descreve a assessoria do governo estadual.

Acesse também: Lula sanciona com vetos novo projeto de Licenciamento Ambiental

Gestores de nove Estados se reuniram para conversar sobre as sanções e o atual relacionamento entre os três Poderes diante da conjuntura nacional. Na reunião, estiveram presentes governantes de Goiás, São Paulo [Tarcísio de Freitas, do Republicanos], Rio de Janeiro [Cláudio Castro, PL], Santa Catarina [Jorginho Mello, do PL], Paraná [Ratinho Júnior, do PSD] e Amazonas [Wilson Lima, do União Brasil]. 

Alinhamento do discurso

O encontro ocorreu na residência do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e gerou curiosidades sobre o real interesse dos políticos em se reunir, para além da pauta destacada pelo grupo. Um exemplo seria o direcionamento de holofotes para aqueles que desejam participar do processo eleitoral do próximo ano. É o caso do chefe do Executivo mineiro, Romeu Zema (Novo), que não só sinalizou o seu interesse pela presidência do País, assim como confirmou isso dez dias antes do lançamento oficial de sua pré-candidatura presidencial. 

Zema chegou a adotar um discurso mais alinhado ao bolsonarismo, mas foi avisado que não será o nome escolhido por Bolsonaro para ser o candidato do grupo. Isso foi o suficiente para que o governador mineiro tivesse dificuldades em garantir apoio da direita bolsonarista. O radicalismo do grupo, como nos embates com o STF, tem sido um dos motivos para a não aderência de Zema junto à extrema direita. 

Foi questionado à assessoria de Caiado se há a possibilidade que mais reuniões com presença exclusiva de governadores dos Estados ocorram. “Algo hipotético, mas que pode acontecer, é a possibilidade de Caiado se reunir com algum representante dos EUA para discutir os efeitos das tarifas no setor produtivo de carnes. Talvez essa iniciativa possa ser feita juntamente com o Mauro Mendes, porque ele é governador de um Estado que possui êxito na produção de carne.” 

“Ainda não há previsão para esse tipo de reunião acontecer, até porque isso depende de muita coisa, inclusive da situação em que as empresas americanas se encontram, porque a tarifação afeta não só os países exportadores mas, também, os que importam”, conclui a assessoria. 

Não faz sentido

Para o sociólogo Jones Matos, não faz sentido a ação dos governadores em culpar o governo federal pelas tarifas aplicadas pelo país norte-americano. “Os governadores que apoiam Bolsonaro estão perdidos. Estão jogando a culpa pelo tarifaço no governo federal. Isso não faz sentido. Quem trabalhou para que isso acontecesse tem nome e sobrenome: a família Bolsonaro. É isso que os governadores não tiveram coragem de falar. O momento é de unidade nacional contra as medidas e a chantagem do governo americano”, ressalta Matos. (Especial para O HOJE)

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