MERCADO DE TRABALHO

Inclusão de pessoas com deficiência no trabalho ainda enfrenta barreiras no Estado

Apesar dos avanços dos últimos anos, a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho ainda enfrenta entraves sérios

Caroline Gonçalvespor Caroline Gonçalves em 11 de setembro de 2025
Inclusão de pessoas com deficiência no trabalho ainda enfrenta barreiras no Estado
O mercado de trabalho ainda impõe barreiras estruturais, atitudinais e legais para pessoas com deficiência Foto: Freepik

Apesar dos avanços dos últimos anos, a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho ainda enfrenta entraves sérios, especialmente em Goiás. Segundo dados do Fórum de Inclusão no Mercado de Trabalho das Pessoas com Deficiência e dos Reabilitados (Fimtpoder) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o Estado tem 53,49% de inclusão nas atividades corporativas, abaixo da média nacional de 58%. 

 

Para o presidente da entidade, Trajano Figueiredo, o número revela que as barreiras vão além da legislação: “Há preconceito, despreparo de gestores, falta de informação e estrutura. E, em alguns casos, até de vontade das empresas em avançar na inclusão”.

 

A Lei nº 8.213/91, conhecida como Lei de Cotas, exige que empresas com mais de 100 funcionários reservem de 2% a 5% de suas vagas a pessoas com deficiência ou reabilitados do INSS. No entanto, mais de 46% das empresas goianas ainda não cumprem a norma. Figueiredo destaca: “Temos um longo caminho a percorrer, e ninguém vai avançar sozinho. ‘Nada sobre nós, sem nós’: é fundamental ouvir quem vive essa realidade”.

 

A psicóloga Izabela Ganger, que possui displasia diastrófica, relata experiências marcadas por falta de acessibilidade e empatia: “Já na entrevista, tive dificuldades físicas para chegar ao local, enfrentar escadas, sentar. Durante a conversa, me perguntaram se eu conseguiria ir trabalhar sozinha. A sensação era de que minha capacidade profissional não era o foco.” Ela também ressalta que só conseguiu o primeiro emprego por meio da cota: “Minha competência vinha sempre depois da minha condição física”.

 

Casos como o de Izabela mostram que a inclusão ainda é um ideal distante. Para Elizabeth Mendes, ostomizada após tratamento de câncer, a deficiência invisível também traz desafios. “Nunca me senti desrespeitada, mas há muita curiosidade e falta de preparo por parte dos recrutadores. Muitas empresas não sabem nem o que é necessário para receber uma pessoa como eu.” 

 

Conselheira de direitos da pessoa com deficiência, ela alerta para a falta de banheiros adaptados e o despreparo geral para lidar com diferentes tipos de deficiência: “Não basta ter estrutura, é preciso preparo emocional, conhecimento e empatia”. O presidente da Fimtpoder comenta que os obstáculos ainda persistem, enquanto o mercado se adapta. 

 

Lorranny Sousa, especialista em RH, destaca que a inclusão exige planejamento, investimento e cultura organizacional. “É necessário garantir acessibilidade total, tanto física quanto digital, e treinar líderes e equipes para lidar com diversidade sem capacitismo.” 

 

A especialista elenca as ações essenciais como a estrutura acessível: rampas, elevadores, banheiros adaptados, sinalização tátil, tecnologias assistivas e softwares compatíveis com leitores de tela; a cultura de inclusão: letramento em deficiência, treinamentos sobre comunicação inclusiva, manuais práticos e criação de grupos de afinidade que discutam melhorias; oportunidades iguais: planos de carreira acessíveis, avaliação de desempenho justa e possibilidade real de ascensão profissional com base no mérito, além de recrutamento adaptado: vagas com linguagem inclusiva, processo seletivo acessível e parceria com consultorias especializadas para atrair talentos Pessoa com Deficiência (PCD).

 

Mesmo com todos esses pilares identificados, Lorranny afirma que a maior dificuldade ainda é a quebra das barreiras atitudinais: “Preconceito e desconhecimento criam bloqueios invisíveis. A mudança começa pela escuta ativa, educação constante e flexibilização de processos.

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