domingo, 13 de setembro de 2026
AMÉRICA LATINA

Lula critica no NYT a intervenção dos EUA na Venezuela: “Capítulo lamentável”

Em artigo no New York Times, Lula critica ação dos EUA na Venezuela e alerta para riscos ao direito internacional

Lalice Fernandespor em
lula
Foto: Marcelo Camargo/ABr

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a ação dos Estados Unidos na Venezuela, que levou à prisão do presidente Nicolás Maduro, como um “capítulo lamentável”, com fator de desestabilização do sistema internacional e de enfraquecimento das bases do multilateralismo. Para o presidente brasileiro, a operação se insere em um padrão de práticas que comprometem o direito internacional e fragilizam a ordem global.

Essa avaliação foi apresentada em artigo publicado no domingo (18) no jornal norte-americano New York Times. No texto, Lula argumenta que o uso recorrente da força por grandes potências reduz a legitimidade das instituições multilaterais e limita o papel de mediação da Organização das Nações Unidas e do Conselho de Segurança.

Segundo o presidente, “quando o uso da força para resolver disputas deixa de ser exceção e passa a ser regra, a paz, a segurança e a estabilidade globais ficam ameaçadas”.

O líder brasileiro sustenta ainda que o respeito seletivo às normas internacionais gera um ambiente de desordem e fragiliza tanto os Estados quanto o próprio sistema multilateral. Na sua avaliação, a ausência de regras construídas de forma coletiva compromete a consolidação de sociedades democráticas. “Sem regras acordadas coletivamente, é impossível construir sociedades livres, inclusivas e democráticas”, declarou.

Lula também associa ações unilaterais a impactos diretos na economia e na segurança internacional. Entre os efeitos citados estão a interrupção de fluxos comerciais, a redução de investimentos, o aumento de deslocamentos forçados de populações e o enfraquecimento da capacidade dos Estados de enfrentar o crime organizado e outros desafios transnacionais.

lula
Foto: Marcelo Camargo/ABr

Lula diz que América Latina não será submissa

Para o presidente, é especialmente grave que esse tipo de prática seja aplicado à América Latina e ao Caribe, regiões que, segundo ele, historicamente defendem a igualdade soberana entre os países, a autodeterminação dos povos e a rejeição ao uso da força como instrumento de política externa.

No artigo, Lula destaca que este seria o primeiro ataque militar direto dos Estados Unidos à América do Sul em mais de 200 anos de história independente. O brasileiro ainda afirmou que “a América Latina e o Caribe abrigam mais de 660 milhões de pessoas”, e que a população sul-americana tem os próprios interesses e “sonhos” a defender. “Não seremos submissos a projetos hegemônicos”, declarou.

Além das críticas, o presidente propôs uma agenda regional voltada a resultados concretos, com foco em investimentos em infraestrutura física e digital, geração de empregos, aumento da renda e ampliação do comércio. Ele também ressaltou a importância da cooperação no combate à fome, à pobreza, ao tráfico de drogas e às mudanças climáticas. Para Lula, “a história mostrou que o uso da força nunca nos aproximará desses objetivos”, além de classificar como ultrapassadas as divisões do mundo em zonas de influência e as incursões neocoloniais em busca de recursos estratégicos.

Ao tratar da situação venezuelana, o presidente afirmou que o futuro do país “deve permanecer nas mãos de seu povo” e que apenas um processo político inclusivo, conduzido por venezuelanos, pode levar a um cenário democrático e sustentável. Segundo ele, essa condição é essencial para que milhões de venezuelanos, incluindo os acolhidos pelo Brasil, possam retornar ao país com segurança.

O líder brasileiro finalizou o artigo reforçando que “somente juntos podemos superar os desafios que afligem um hemisfério que pertence a todos nós”.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
Donald Trump Estados Unidos intervenção Luiz Inácio Lula da Silva Lula narcotráfico Nicolás Maduro Venezuela

Veja também

Aprovação de Trump cai para 33% e maioria dos eleitores diz estar pior financeiramente

Economia

Aprovação de Trump cai para 33% e maioria dos eleitores diz estar pior financeiramente

Trump tem menor aprovação desde início do segundo mandato, com economia no centro das críticas
11 de setembro

MEMÓRIA

25 anos do 11 de Setembro: o dia que mudou o mundo

Uma manhã de céu aberto nos Estados Unidos se transformou em uma sequência de ataques que atingiu...
“Estão apostando com nossas vidas”, diz ex-pesquisador da OpenAI e da Anthropic

REVOLUÇÃO DAS MÁQUINAS?

“Estão apostando com nossas vidas”, diz ex-pesquisador da OpenAI e da Anthropic

Jacob Coxon deixou a indústria de inteligência artificial e acusou as duas empresas de avançarem ...
rússia

Zelensky

Avião de Zelensky quase é atingido por drone durante voo, diz premiê da Noruega

Presidente ucraniano viajava da Moldávia para Oslo, onde participou do funeral do rei Harald
Itália registra verão mais quente desde 1950, aponta instituto de pesquisa

Verão italiano

Itália registra verão mais quente desde 1950, aponta instituto de pesquisa

Temperatura média chegou a 24,6°C em 2026, enquanto agosto bateu recorde histórico com 25,6°C
Austrália quer dar ao usuário controle sobre o algoritmo das redes sociais

MAIS CONTROLE

Austrália quer dar ao usuário controle sobre o algoritmo das redes sociais

Proposta permite escolher entre recomendações personalizadas ou apenas publicações de perfis seg...
Rússia e Coreia do Norte colocam em operação nova ligação rodoviária

APROXIMAÇÃO

Rússia e Coreia do Norte colocam em operação nova ligação rodoviária

Ponte sobre o rio Tumen terá uso inicial para cargas e deve receber passageiros até o fim do ano
Barcos afundados transformaram fundo arenoso em recife artificial próximo a Gibraltar

Recife artificial

Barcos afundados transformaram fundo arenoso em recife artificial próximo a Gibraltar

Iniciativa iniciada pelo mergulhador Eric Shaw, em 1973, resultou em uma rede com mais de 30 embarca...