Marconi e Wilder buscam caminhos para enfrentar base governista forte em Goiás
Aliança ampla em torno de Daniel Vilela aumenta vantagem do grupo no poder e obriga adversários a mudarem estratégia para seguir competitivos
Bruno Goulart
Há cinco meses do início oficial das campanhas eleitorais, as articulações políticas em Goiás já mostram um cenário mais definido para as eleições deste ano. A formação de uma ampla aliança entre MDB, PP, Republicanos e União Brasil — com possível entrada do Podemos e apoio do PSD — fortalece a base governista em torno da pré-candidatura do vice-governador Daniel Vilela (MDB).
Na prática, esse movimento concentra força política, amplia o tempo de televisão e garante presença em praticamente todo o Estado. Com isso, o grupo do governo larga na frente e dificulta o caminho para adversários.
Fora dessa aliança, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e o senador Wilder Morais (PL) enfrentam o desafio de construir candidaturas competitivas com menos apoio político. Diante desse cenário, cada um deve seguir uma estratégia diferente para tentar equilibrar a disputa.
Para o especialista em políticas públicas Tiago Zancopé, o cenário é de clara vantagem para o grupo governista. “Existe uma base formada por MDB, PP, Republicanos, União Brasil, PSD e possivelmente o Podemos. Do outro lado, o PSDB fica praticamente sozinho, mesmo com a federação com o Cidadania, além do PL”, afirma ao O HOJE.
Marconi
No caso de Marconi Perillo, o principal desafio é a falta de alianças. O PSDB perdeu força nos últimos anos, tanto no Brasil quanto em Goiás, o que dificulta a montagem de uma chapa competitiva. Por isso, uma das saídas pode ser buscar apoio fora do campo tradicional.
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Uma possibilidade é se aproximar de partidos de esquerda, como PT, PSB e PDT. “Esse seria um caminho possível, formando uma frente com um perfil mais social, voltado para políticas públicas e desenvolvimento com foco nas pessoas”, explica Zancopé.
No entanto, essa estratégia não é simples. Marconi e o PT foram adversários por muitos anos, o que pode dificultar uma aproximação. Além disso, o ex-governador também aposta em outro fator: possíveis divisões dentro da base do governo. A ideia é aproveitar qualquer racha para atrair novos aliados.
“Ele ainda espera alguma dissidência para anunciar sua chapa e tentar se viabilizar”, afirma o cientista político Lehninger Mota ao O HOJE. Ou seja, Marconi depende não só de seus próprios movimentos, mas também do que pode acontecer no grupo adversário.
Wilder
Já Wilder Morais tem uma situação diferente. Apesar de também enfrentar a força da base governista, ele conta com a estrutura do PL, que tem a maior bancada do país e dinheiro. Isso permite que ele monte uma candidatura mais organizada, mesmo com menos alianças.
Nesse caso, a estratégia deve ser focar no discurso. O PL tende a apostar no eleitorado mais conservador para se diferenciar do grupo governista. “A ideia é mostrar que o conservadorismo mais firme não está representado no MDB”, diz Zancopé.
Com isso, Wilder deve buscar apoio principalmente em grupos sociais, como eleitores conservadores e religiosos, que têm forte presença em Goiás. Ao focar nesse público, ele tenta compensar a desvantagem em estrutura.
Assim, enquanto Marconi busca crescer por meio de alianças e articulação política, Wilder aposta em um discurso mais direto e em um eleitorado mais fiel. Apesar das diferenças, os dois enfrentam o mesmo desafio: competir contra uma base governista forte, organizada e com grande presença no Estado.
Por isso, a eleição deve ser decidida não só pelo tamanho das alianças, mas também pela forma como cada candidato se apresenta. (Especial para O HOJE)