“Não são mais uma ameaça”: Maduro e Flores participam de 2° audiência
Segunda audiência do ex-presidente em NY terminou sem decisão sobre uso de recursos para custear a defesa do casal
A segunda audiência do processo criminal contra Nicolás Maduro terminou nesta quinta-feira (26), em Nova York, sem decisão sobre um dos pontos centrais discutidos: o financiamento da defesa do ex-presidente e de sua esposa, Cilia Flores. A sessão, conduzida pelo juiz Alvin Hellerstein, concentrou-se na viabilidade de uso de recursos vinculados ao governo venezuelano, atualmente atingidos por sanções impostas pelos Estados Unidos.
Logo na abertura, o tema dominou os debates. A defesa argumentou que as restrições financeiras impedem o casal de contratar livremente seus advogados. O representante de Maduro, Barry Pollack, afirmou que as sanções criam uma “incapacidade do casal de escolher um advogado” e classificou a situação como um “motivo para arquivar todo o caso”. Com base nesse argumento, os advogados solicitaram que o governo venezuelano assuma os custos da representação legal.
Do outro lado, promotores sustentaram que a solicitação não deve prosperar. Segundo a acusação, como Washington não reconhece Maduro como presidente legítimo desde 2019, não caberia aos Estados Unidos autorizar o uso de recursos estatais venezuelanos para esse fim. Os promotores também indicaram que, caso não haja condições financeiras comprovadas, o casal poderá recorrer a defensores públicos designados pela Justiça norte-americana.
Durante a audiência, Hellerstein questionou a base das restrições impostas. “O réu está aqui, [Cilia] Flores está aqui. Eles não são mais uma ameaça à segurança nacional”, afirmou, ao levantar dúvidas sobre a justificativa para bloquear o uso dos fundos. Ao fim de pouco mais de uma hora de sessão, o magistrado informou que analisará os argumentos e as provas antes de decidir. A definição será tomada por escrito, sem prazo estabelecido.
Manifestante se reúnem fora do tribunal
Além do embate jurídico, o caso também mobilizou manifestações do lado de fora do tribunal federal em Manhattan. Grupos favoráveis e contrários ao venezuelano se reuniram com cartazes e palavras de ordem.
Parte dos manifestantes que defendiam a libertação do ex-líder, levaram cartazes com frases como “Libertem o Presidente Maduro”, enquanto opositores criticavam sua atuação política e chegaram a levar um boneco do venezuelano com correntes e uniforme de presidiário. Houve registros de discussões no local, e a polícia precisou manter os grupos separados.
Trump afirma que maduro terá novas acusações
A audiência ocorreu após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que indicou a possibilidade de novas acusações. “Imagino que novos julgamentos virão, porque até agora ele foi acusado apenas de uma fração do que realmente fez”, disse. “Como vocês provavelmente sabem, ele vai enfrentar novas acusações”, afirmou o norte-americano.

Maduro e Flores foram capturados em 3 de janeiro, em Caracas, durante a operação militar norte-americana “absolute resolve”, e transferidos para Nova York. Ambos se declararam inocentes das acusações, que incluem conspiração por narcoterrorismo, tráfico de drogas e posse ilegal de armamentos. Durante a primeira sessão, Maduro afirmou não ser “culpado de nada do que está sendo mencionado” e a ex-primeira dama seguiu na mesma linha e disse: “não sou culpada, sou completamente inocente”.
Detido no Metropolitan Detention Center, em Manhattan, o ex-presidente afirma que as denúncias são parte de uma tentativa de controle das reservas de petróleo venezuelanas de Washington, e aguarda o andamento do processo. A sessão de caráter processual foi a segunda vez que o casal compareceu à corte desde a operação “absolute resolve”. Até o momento, não há data definida para uma nova audiência.