segunda-feira, 20 de abril de 2026
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Goiás deve registrar quase 30 mil novos casos de câncer em 2026, segundo Inca

Estimativa reforça impacto do envelhecimento e dos hábitos de vida, especialista destaca que diagnóstico precoce pode garantir até 95% de chance de cura

Renata Ferrazpor Renata Ferraz em 20 de abril de 2026
Câncer
Foto: Freepik

Goiás deve registrar aproximadamente 29,5 mil novos casos de câncer em 2026, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Os números colocam o Estado em alerta e reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao acesso rápido ao tratamento.

Apesar de assustadores, especialistas afirmam que uma parcela significativa desses casos pode ser evitada com mudanças no estilo de vida e com a realização periódica de exames preventivos.

Entre os tipos mais incidentes no Estado estão o câncer de pele não melanoma, o de próstata e o de mama. Também chama a atenção o crescimento do câncer colorretal, que vem avançando em ritmo acelerado, inclusive entre pacientes mais jovens. 

Segundo médicos, fatores como envelhecimento populacional, sedentarismo, obesidade, consumo de alimentos ultraprocessados, álcool e tabagismo explicam parte desse avanço.

O oncologista Francisco Borges Filho destaca que o envelhecimento da população é o principal fator para o aumento no número absoluto de casos, mas reforça que os hábitos modernos têm elevado o risco evitável da doença. 

“O estilo de vida atual contribui significativamente para o surgimento precoce de tumores, inclusive em adultos jovens. Hoje, o câncer colorretal é um dos que mais crescem, especialmente em pessoas com menos de 50 anos”, afirma. Mesmo diante do aumento dos casos, a medicina reforça uma mensagem clara: prevenir ainda é a melhor forma de salvar vidas.

Histórias reais reforçam a importância dos exames

Por trás das estatísticas estão histórias que ajudam a traduzir a gravidade do problema. A aposentada Ivonete Batista, hoje com 75 anos, descobriu um câncer de mama aos 72. Antes do diagnóstico, ela já sentia dores, mas evitava procurar ajuda médica. 

Segundo ela, o medo da demora no atendimento pelo sistema público e a crença de que ir ao médico era sinal de fragilidade fizeram com que adiasse a investigação.

Quando finalmente procurou atendimento, a doença já estava em estágio 2 e o tumor era maligno. Apesar do susto, o tratamento iniciado a tempo trouxe resultados positivos e reforçou a importância do diagnóstico precoce.

Casos como o de Ivonete são mais comuns do que se imagina. Segundo especialistas, muitos pacientes ainda negligenciam sinais iniciais, como perda de peso sem explicação, fadiga constante, dores persistentes, alterações intestinais, pequenos sangramentos e nódulos indolores.

Outra paciente que serve de alerta é Márcia, de 53 anos, que descobriu um câncer de mama após sentir um caroço durante o banho. Por ter histórico familiar, ela mantinha exames preventivos em dia e buscou ajuda rapidamente, o que fez diferença no início do tratamento.

De acordo com Francisco, quando o câncer é identificado ainda em estágio inicial, as chances de cura podem chegar a 80% a 95%, dependendo do tipo do tumor. “Quanto mais cedo o diagnóstico, menos agressivo tende a ser o tratamento e maior a probabilidade de cura”, explica.

Leia mais: Alta de síndromes respiratórias faz Anápolis lançar mutirão de vacinação em praças

Nova lei fortalece prevenção dentro das empresas

Além dos avanços na área da saúde pública, uma nova legislação sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforça a cultura da prevenção no ambiente de trabalho. 

A partir de agora, empresas de todo oPaís são obrigadas a divulgar aos funcionários informações sobre campanhas oficiais de vacinação contra o HPV e de prevenção dos cânceres de mama, colo do útero e próstata.

A medida está prevista na Lei 15.377, publicada no Diário Oficial da União, e altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A norma também garante ao trabalhador o direito de se ausentar do trabalho por até três dias, a cada 12 meses, para a realização de exames preventivos, sem qualquer prejuízo à remuneração.

Na prática, a nova legislação busca enfrentar uma das principais barreiras à prevenção: a falta de tempo e o receio de faltar ao trabalho. Muitos trabalhadores deixam de realizar mamografias, exames de próstata, papanicolau e até colonoscopias por medo de descontos salariais ou de sofrer algum tipo de penalização.

O texto foi sancionado sem vetos e teve origem no Projeto de Lei 4.968/2020, de autoria da ex-senadora Rose de Freitas, com relatoria da senadora Leila Barros. Para a parlamentar, a medida representa um avanço importante na proteção à saúde do trabalhador. “A aprovação presenteia o trabalhador com um pacote completo para a preservação de sua saúde, que combina conscientização com medidas que possibilitam a prevenção”, destacou Leila no relatório.

Para especialistas, a nova lei tem potencial para aumentar a adesão aos exames e reduzir diagnósticos tardios. Borges Filho avalia que a medida é relevante, mas precisa ser acompanhada de campanhas educativas e facilidade no agendamento dos exames, especialmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Goiás se destaca em prevenção e tecnologia

Em Goiás, programas como o Goiás Todo Rosa têm colocado o Estado em posição de destaque nacional na prevenção ao câncer, especialmente o de mama e ovário. A iniciativa foi reconhecida como modelo durante reunião da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, ao ampliar o acesso a exames genéticos capazes de identificar mutações nos genes BRCA1 e BRCA2.

O programa permite monitoramento intensificado, aconselhamento genético e, em alguns casos, cirurgias preventivas, ampliando as chances de diagnóstico precoce e tratamento adequado.

Diante do avanço da doença, especialistas reforçam que a combinação entre políticas públicas, leis de incentivo à prevenção e conscientização da população é fundamental para frear o crescimento dos casos.

Com quase 30 mil diagnósticos previstos apenas neste ano, o alerta está dado: informação, prevenção e acesso rápido aos exames podem fazer toda a diferença entre a cura e a progressão da doença.

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