segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Polícia de Goiás

Operação apura fraude para furar fila de cirurgias do SUS em Goiás

Investigação aponta que pacientes de Caiapônia tiveram procedimentos eletivos registrados como casos de urgência em outros municípios

Renata Ferrazpor em
Operação apura fraude para furar fila de cirurgias do SUS em Goiás
Divulgação/PCGO

A Polícia Civil de Goiás deflagrou, nesta sexta-feira (17), a Operação Paciente VIP para investigar um suposto esquema de fraude no sistema de regulação do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo as investigações, pacientes de Caiapônia, no oeste goiano, teriam conseguido prioridade na realização de cirurgias após serem inseridos irregularmente em pedidos registrados por secretarias municipais de saúde de outras cidades.

A ação foi coordenada pelo Grupo Especial de Investigações Criminais (Geic) da 20ª Delegacia Regional de Polícia. Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em Caiapônia, Goiânia e Brazabrantes. Durante a operação, policiais recolheram documentos, celulares e equipamentos eletrônicos que serão periciados para identificar a participação dos investigados e esclarecer como o esquema funcionava.

Ao todo, nove pessoas são investigadas: cinco pacientes que teriam sido beneficiados e quatro suspeitos de inserir informações falsas no sistema de regulação, entre eles um médico. A Polícia Civil também apura a possível participação de outras pessoas no esquema.

Cirurgias eletivas eram registradas como casos de urgência

De acordo com a investigação, os pacientes solicitaram inicialmente cirurgias pelo fluxo regular do SUS e foram classificados para procedimentos eletivos. Posteriormente, porém, passaram a constar em novos pedidos cadastrados por municípios diferentes daquele onde residiam, desta vez como casos de urgência ou emergência, o que teria permitido que fossem atendidos antes de outros usuários da fila.

O delegado Ramon Queiroz afirmou que, até o momento, não há indícios de pagamento para obtenção da prioridade. Segundo Queiroz, a principal linha de investigação aponta para a existência de influência política.

“Possivelmente, até agora, a polícia entende que eles conseguiam isso simplesmente através de um apoio político. Procuravam algum político que conseguia, então, burlar esse sistema”, afirmou.

Os supostos agentes políticos citados pelo delegado ainda não foram identificados. A investigação busca esclarecer quem autorizou ou facilitou a alteração dos registros e se outros servidores ou profissionais da saúde participaram das irregularidades.

Segundo a Polícia Civil, os investigados localizados em Goiânia e Brazabrantes teriam participado, direta ou indiretamente, do processo de regulação dos pacientes de Caiapônia. A análise do material apreendido deverá apontar a origem das alterações e verificar se outras pessoas também foram beneficiadas.

Estado e municípios negam participação

Após a operação, os órgãos públicos envolvidos divulgaram notas afirmando que colaboram com as investigações e negaram participação nas supostas fraudes.

A Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO) informou que a investigação envolve apenas sistemas municipais de regulação e ressaltou que não há servidores estaduais nem plataformas administradas pelo Estado entre os investigados. A pasta acrescentou que a Gerência de Ações Estratégicas da Polícia Civil, instalada na sede da secretaria, prestou apoio às investigações e reafirmou o compromisso com o combate a irregularidades.

A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia informou que acompanha a operação e colocou-se à disposição para fornecer as informações solicitadas, destacando que adotará medidas administrativas caso seja constatada irregularidade envolvendo servidores.

A Prefeitura de Caiapônia afirmou que também é vítima da suposta fraude, alegando que a regulação dos procedimentos investigados era realizada por outro município. Já a Secretaria de Saúde de Brazabrantes informou que não tinha conhecimento prévio das supostas irregularidades, está colaborando com a Polícia Civil e realizará apuração interna. Segundo o município, ainda não é possível afirmar se outros pacientes foram prejudicados.

As investigações seguem sob sigilo e a Polícia Civil pretende identificar todos os envolvidos, além de verificar se o esquema comprometeu a ordem de acesso às cirurgias do Sistema Único de Saúde em outros municípios goianos.

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