sexta-feira, 17 de julho de 2026
NEGOCIOS

Com exportações em alta, Goiás amplia aposta na produção de frutas

Vendas internacionais da fruticultura brasileira crescem em volume e receita, enquanto produtores goianos apostam em frutas exóticas e de maior valor agregado

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 17 de julho de 2026 às 22:05
Com exportações em alta, Goiás amplia aposta na produção de frutas
Divulgação/ Emater

As exportações brasileiras de frutas vivem um dos melhores momentos da última década e reforçam o potencial de crescimento de uma cadeia que movimenta bilhões de reais, gera empregos intensivos no campo e amplia a presença do agronegócio nacional em mercados de alto valor agregado. No primeiro semestre de 2026, o setor embarcou cerca de 330 milhões de quilos de frutas, um crescimento de 13% em volume na comparação com o mesmo período do ano passado. A receita foi ainda mais expressiva: ultrapassou US$ 351 milhões, avanço de 25% em dólares, impulsionado principalmente pela valorização de frutas premium e pela abertura de novos mercados.

Embora os principais polos exportadores continuem concentrados no Nordeste, especialmente no Vale do São Francisco, Goiás acompanha esse movimento de expansão apostando na diversificação da produção e no cultivo de frutas de maior valor agregado. A combinação entre clima favorável, disponibilidade de áreas agrícolas, irrigação, tecnologia e proximidade dos grandes centros consumidores cria um ambiente favorável para que o estado amplie sua participação na fruticultura nacional.

fruta
Divulgação/ Faeg e Senar

Demanda internacional impulsiona novos investimentos

A expansão das exportações ocorre em um cenário de aumento do consumo global de alimentos frescos e saudáveis. Mercados da União Europeia, Estados Unidos, Canadá e Oriente Médio seguem entre os principais compradores das frutas brasileiras, atraídos pela qualidade, regularidade do abastecimento e capacidade produtiva do país.

Entre os produtos que mais cresceram nas vendas externas estão manga, maçã, melancia, melão, banana e abacate. A manga registrou um dos desempenhos mais expressivos, com alta de 69% no valor exportado e crescimento de 40% no volume embarcado. As maçãs também surpreenderam, com expansão superior a 200% nas exportações, demonstrando como a diversificação dos mercados internacionais tem fortalecido a fruticultura brasileira.

Goiás aposta em frutas de maior valor agregado

Enquanto o Brasil amplia sua participação nas exportações, produtores goianos têm encontrado nas frutas exóticas uma alternativa para aumentar a rentabilidade das propriedades.

Culturas como pitaya, baunilha, graviola e achachairu ganham espaço no estado por apresentarem maior valor de mercado quando comparadas às culturas tradicionais. Em muitos casos, essas espécies exigem áreas menores de cultivo, permitindo maior retorno financeiro por hectare e tornando-se uma alternativa especialmente atrativa para pequenos e médios produtores.

A pitaya desponta como uma das principais apostas da fruticultura goiana. Adaptada ao clima do Cerrado, apresenta elevada produtividade e encontra demanda crescente em supermercados, hortifrutis especializados, restaurantes e na indústria de alimentos saudáveis.

A baunilha representa um mercado ainda mais sofisticado. Apesar do ciclo de produção mais longo e do manejo mais complexo, o produto figura entre as especiarias de maior valor comercial no mundo, despertando interesse crescente de produtores que buscam nichos de mercado.

Já a graviola e o achachairu ampliam sua presença tanto no consumo in natura quanto na fabricação de polpas, sucos, sorvetes e alimentos processados, agregando valor à produção agrícola.

Divulgação/ Faeg e Senar

Diversificação reduz riscos e amplia renda

O crescimento da fruticultura também representa uma estratégia para reduzir a dependência das commodities tradicionais, como soja e milho. Ao diversificar a produção, produtores conseguem diluir riscos de mercado, ampliar fontes de receita e aproveitar nichos que apresentam menor concorrência e preços mais elevados.

Além da comercialização da fruta fresca, cresce a industrialização da produção, com fabricação de polpas congeladas, geleias, doces, sucos, frutas desidratadas e ingredientes destinados às indústrias alimentícia, cosmética e farmacêutica. Essa verticalização aumenta o valor agregado da cadeia e fortalece pequenos empreendimentos rurais, cooperativas e agroindústrias locais.

Outro diferencial é a geração de empregos. Diferentemente de culturas mecanizadas, a fruticultura demanda mão de obra intensiva durante plantio, manejo, colheita, classificação, embalagem e processamento, tornando-se importante instrumento de desenvolvimento regional.

A modernização da produção tem sido decisiva para ampliar a competitividade do setor. Sistemas de irrigação, agricultura de precisão, monitoramento climático, rastreabilidade, certificações fitossanitárias e boas práticas agrícolas passaram a fazer parte da rotina de produtores que desejam acessar mercados mais exigentes.

Embora ainda participe de forma modesta das exportações nacionais de frutas frescas, Goiás reúne características que podem favorecer sua expansão nos próximos anos. A combinação entre tecnologia agrícola, disponibilidade de áreas irrigadas, clima favorável e crescente interesse por frutas de alto valor agregado coloca o estado em posição estratégica para aproveitar o bom momento vivido pela fruticultura brasileira.

 

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
Veja também