O economista americano Joseph Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel de Economia, afirmou que as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros possuem motivação política e não estão relacionadas a questões comerciais ou ao combate ao trabalho forçado. As declarações foram feitas em entrevista à BBC News Brasil.
Segundo Stiglitz, o governo do presidente Donald Trump utiliza as tarifas como instrumento de pressão política contra países que adotam posições independentes em relação aos interesses americanos. Além disso, o economista afirmou que o Brasil não cedeu às pressões e elogiou essa postura.
“Eu preciso parabenizar o Brasil por não ter capitulado”, afirmou o Nobel de Economia.
Foto: Divulgação
Por que Stiglitz critica as tarifas?
No fim de julho, os Estados Unidos anunciaram duas novas tarifas sobre produtos brasileiros. A primeira, de 25%, foi aplicada após uma investigação comercial conduzida pelo governo americano. Em seguida, uma segunda tarifa, de 12,5%, foi anunciada sob a justificativa de supostas falhas do Brasil no combate ao trabalho forçado.
Somadas, as duas medidas podem elevar a carga tarifária sobre determinados produtos brasileiros para até 37,5%.
Para Stiglitz, porém, as justificativas apresentadas pela administração americana não correspondem aos motivos reais das medidas. O economista classificou as explicações como uma “farsa desonesta” e afirmou que as decisões refletem interesses políticos e corporativos dos Estados Unidos.
O que está por trás das críticas?
Durante a entrevista, Stiglitz afirmou que Donald Trump demonstra insatisfação com países que resistem às pressões americanas. Na avaliação do economista, o Brasil passou a ser alvo dessa estratégia por defender sua democracia, preservar sua autonomia nas decisões internas e desenvolver sistemas próprios de pagamentos digitais, como o Pix.
Segundo ele, a criação de um sistema de pagamentos independente das grandes operadoras internacionais também integra esse contexto de disputa econômica e tecnológica.
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Além disso, Stiglitz afirmou que Trump espera que governos estrangeiros aceitem suas condições para obter benefícios comerciais, mas destacou que o Brasil optou por manter sua posição.
Quais podem ser os efeitos das medidas?
Embora tenha criticado as tarifas, Stiglitz avaliou que o impacto econômico sobre o Brasil tende a ser limitado. Segundo o economista, parte das exportações brasileiras poderá ser redirecionada para outros mercados, reduzindo os efeitos das barreiras impostas pelos Estados Unidos.
Ainda assim, ele destacou que as medidas representam uma mudança na política comercial americana e podem influenciar as relações econômicas internacionais nos próximos anos.
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