Empresas transformam brindes em estratégia de negócios para reter funcionários
Mercado de agrados corporativos ganha força com produtos personalizados, benefícios flexíveis e experiências que reforçam o vínculo entre empresas e colaboradores
Durante muito tempo, os brindes corporativos eram praticamente sinônimo de canetas, agendas, calendários e chaveiros distribuídos em datas comemorativas. Hoje, esse mercado passou por uma transformação profunda. Em um cenário de disputa por talentos, mudanças nas relações de trabalho e maior preocupação com a experiência do colaborador, empresas vêm ampliando os investimentos em presentes, kits personalizados, refeições especiais, vouchers, eventos internos e ações de reconhecimento como estratégia de engajamento e retenção de profissionais.
A mudança também movimenta uma cadeia econômica robusta. Levantamento do setor aponta que o mercado formal brasileiro de brindes corporativos movimentou aproximadamente R$ 3,1 bilhões em 2024, considerando apenas empresas formalizadas. Globalmente, o segmento de produtos promocionais ultrapassou US$ 21 bilhões, impulsionado principalmente pela demanda empresarial.

Reconhecimento deixa de ser sazonal
O tradicional presente de fim de ano continua existindo, mas já não concentra sozinho os investimentos das empresas. Datas como aniversário, tempo de casa, conclusão de projetos, metas atingidas, nascimento de filhos, retorno da licença-maternidade e campanhas internas passaram a gerar ações específicas de valorização dos colaboradores.
Além dos brindes físicos, empresas passaram a investir em cafés da manhã especiais, happy hours, almoços comemorativos, experiências gastronômicas, dias temáticos, caixas de presentes, flores, chocolates artesanais, assinaturas digitais, cursos, massagens, ingressos para eventos culturais e cartões-presente.
A lógica é simples: criar momentos positivos dentro da jornada de trabalho e fortalecer o vínculo emocional entre empresa e colaborador.
Benefícios flexíveis ampliam o mercado
Levantamento da Serasa Experian mostra que 93% das empresas consideram os benefícios decisivos para a satisfação dos profissionais. Plano de saúde, vale-alimentação e vale-refeição seguem entre os mais valorizados, mas cresce o investimento em benefícios personalizados, capazes de atender diferentes perfis de trabalhadores.
Na mesma direção, o Panorama do RH 2026 aponta que 82% das transações realizadas em plataformas de benefícios concentram-se em alimentação, enquanto 63% das empresas já adotam modelos flexíveis que unificam vale-refeição e vale-alimentação, oferecendo maior autonomia ao colaborador.
Essa flexibilização abriu espaço para um mercado cada vez maior de vouchers, gift cards, clubes de assinatura e experiências personalizadas.
Personalização substitui brindes padronizados
Outro movimento observado é a substituição dos antigos brindes genéricos por produtos úteis e alinhados ao perfil dos colaboradores.
Itens voltados ao bem-estar ganharam espaço, como garrafas térmicas, mochilas, fones de ouvido, carregadores portáteis, acessórios para home office, caixas de café especial, kits gourmet, produtos sustentáveis, ecobags e materiais personalizados.
A personalização também passou a ser utilizada como ferramenta de fortalecimento da cultura organizacional. Empresas investem em kits de boas-vindas para novos funcionários, presentes de aniversário personalizados e caixas comemorativas que refletem valores da marca.

Fim de ano continua liderando as ações
Apesar da diversificação ao longo do calendário, o período natalino segue sendo o principal momento para distribuição de presentes corporativos. Pesquisa da Pluxee mostra, entretanto, que 49% dos trabalhadores brasileiros afirmam não receber nenhum presente da empresa no fim do ano. Entre aquelas que presenteiam, a cesta de Natal ainda lidera, embora benefícios como créditos extras no vale-alimentação e gift cards venham crescendo rapidamente.
Mercado acompanha nova gestão de pessoas
Especialistas em gestão de pessoas apontam que brindes e agrados corporativos deixaram de representar apenas um custo eventual para integrar estratégias de employer branding, retenção de talentos e fortalecimento da cultura organizacional.
Ao mesmo tempo, o setor movimenta fornecedores de alimentos, cafeterias, chocolaterias, floriculturas, empresas de brindes personalizados, gráficas, organizadores de eventos, plataformas digitais e negócios especializados em experiências corporativas.
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